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Rock in Rio 2012 | Dia 4 (02.06)

Nem a chuva nem as nuvens cinzentas impediram que o RiR fosse colorido!

O São Pedro anda, definitivamente, com enormes crises de identidade. Ora faz sol, ora faz chuva… ninguém o entende. Estará ele deprimido? Não sabemos, mas ao menos não decidiu afogar muito as mágoas e ainda nos ofereceu uns raios de sol e apenas nuvens em jeito de ameaça. Foi inevitável a correria em busca de um impermeável e de um abrigo para a chuva. Contudo, ninguém se deixou levar em cantigas ameaçadoras e o recinto acolheu 73 mil pessoas (dados estatísticos da organização até ao concerto de Bryan Adams) no penúltimo dia de Rock In Rio Lisboa 2012. Confirmado está que a capital alfacinha irá receber em 2014 mais uma nova edição do RiR e que para o ano há uma nova cidade mundial a receber o certame – Buenos Aires, capital da Argentina.

Os Asterisco Cardinal Bomba Caveira tiveram o prazer e a alegria imensa de inaugurar o dia de ontem no palco Showcase Vodafone. Apenas com um EP de edição de autor lançado, o grupo apresentou as canções que compõem esse mesmo disco e ainda uma música nova que há-de pertencer a um novo registo a ser lançado em breve. Não faltou animação com grande estilo e ainda terminaram a sua actuação com o grupo Salto em palco. Há de facto uma certa ligeireza e frescura nas suas canções e até na própria forma como se apresentam em palco, mas não deixa de haver um certo pastiche entre as suas próprias canções.

Uma hora e meia depois, os Salto sobem novamente ao mesmo palco, mas desta vez para um concerto em nome próprio. A formação que começou em duo é agora um trio pois Tito Romão ofereceu os dotes de baterista e junta-se assim a Gui Tomé Ribeiro e Luís Montenegro. A banda que divertia os passageiros dos autocarros no Vodafone Mexefest de Lisboa voltou a divertir, e muito, o pequeno grupo de pessoas que de aproximava cada vez mais para a frente do palco. Também eles apresentaram uma nova canção e os singles «Deixar Cair» e o famosíssimo «Por Ti Demais». Com alguma genialidade e simplicidade, os Salto tiveram uma boa performance e a juventude parecia impressionada. Se continuarem a fabricar hits, chegarão ainda mais longe.

 

 

Pela primeira vez, em quatro dias de Rock in Rio, conseguia-se circular sem encontrões por entre os palcos. A multidão fazia-se esperar ainda lá fora e ao longo da Rock Street, onde a animação no coreto e entre as lojas fazia-nos esquecer a chuva. Mas na zona do Palco Mundo, o calor começava a queimar a pele e o som queimava ligeiramente os ouvidos. Para abrir oficialmente mais um dia de festival, os The Gift foram os primeiros a pisar o palco, depois de um pequeno período de tempo afastados devido ao período de licença de maternidade da cantora Sónia Tavares. “Boa tarde, é um enorme prazer estar a tocar aqui num palco tão grandioso e para todos vocês”, proferiu Sónia Tavares antes da largada de balões em substituição dos comuns confettis. O curto alinhamento só adivinhava êxitos atrás de êxitos como «11:33», «RGB» e o inesquecível «OK Do You Want Something Simple». Mas a performance da banda deixou um pouco a desejar: o som, na primeira música, «Driving You Slow», estava fraco e a sua voz não se fazia ouvir, mas que felizmente começou a melhorar. E é verdade que há que fazer apelos de solidariedade social, como foi o caso em que Sónia Tavares pediu a todos na audiência para, através de uma chamada telefónica, contribuir com esse donativo para uma Fundação que ajuda crianças hospitalizadas. Contudo era escusado ter acrescentado “peguem nos vossos telemóveis já que o usam para tirar fotos e filmar indevidamente”. Sendo ou não em tons de brincadeira, não nos parece um discurso legítimo. De resto, em uma hora de concerto, o nível manteve-se mediano, terminando com a plateia em coro com as canções «Primavera» e «Music».

Mas Lisboa tornou-se mais graciosa e brilhante com o regresso de Joss Stone. Depois de um fantástico e encantador concerto que a cantora inglesa deu o ano passado no âmbito do Festival dos Oceanos, desta vez não foi tão luminosa em termos do alinhamento. Claro que revisitou os seus êxitos como de costume, com «Super Duper Lover», «Don’t Cha Wanna Ride» e «U Had Me», mas Joss Stone tinha várias novidades. “Temos novas canções para vocês”, exclamou a cantora que decidiu testar as novas músicas pedindo no final uma opinião ao público. «Stoned Out of My Mind» foi uma dessas canções e o público não se mostrou nada indiferente. Descalça, a deambular de um lado para o outro e até a distribuir sorrisos e apertos de mão junto do público, Joss Stone mostra-se sempre imponente e robusta dentro dos seus vestidos esvoaçantes. O seu carisma é gigante e inesgotável! Em grande estilo, Joss Stone fez ainda um cover de «I’ve Got The Love» popularizado recentemente por Florence and The Machine, não esqueceu o êxito «Fell in Love with a Boy», que a trouxe para as luzes da ribalta, cuja adaptação é de uma música dos The White Stripes, e encerrou o concerto com a sua grande balada radiofónica «Right To Be Wrong», deixando uma multidão em delírio completo.


 

De regresso ao palco Showcase Vodafone, onde apenas actuaram grupos nacionais, os You Can’t Win, Charlie Brown, com a sua doçura, actuaram para uma plateia considerável (quase em Ex aequo com o concerto dos doismileoito). Para a memória fica o mini alinhamento com «Until December», «Green Grass», «A While Can Be Long», «I’ve Been Lost», «Sort Of» e «Over the Sun, Under the Water». Nada de novo, muitos sorrisos estampados no rosto, muitos aplausos e muita alegria.

Este quarto dia de Rock in Rio prometia com dois grandes nomes em cabeça-de-cartaz. Um norte-americano que já tinha pisado solo nacional na década de 80 e um canadiano que chegou a viver em Portugal e que até lançou mundialmente um DVD gravado em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. Falo-vos de Stevie Wonder e Bryan Adams. Este último foi o primeiro dos dois a subir ao palco com o desafio mais do que superado – pôr toda a gente em delírio ao longo de duas horas com todos os êxitos da sua carreira. Aos 53 anos, Bryan Adams aparenta fisicamente ter mais idade, mas a sua voz continua intacta desde o início da sua carreira.

Para começar, «House Arrest», «Somebody Like You», «Here I Am» e «Kids Wanna Rock» deixaram toda a gente em piloto automático, como se tivessem uma jukebox ligada que ia rodando de disco em disco e com as letras na ponta da língua. Depois, «Can’t Stop This Feeling», «I’m Ready», «Hearts On Fire» e «18 Til I Die» compuseram uma primeira parte fictícia ao concerto, pois este só passou a ser transmitido na televisão a partir da última música referida e já estávamos com uma hora de duração.

 

A multidão estava ao rubro, o frio já estava dissipado e Bryan Adams surgia imponente de um lado para outro com a sua guitarra em punho destacando-se em grande estilo e deixando todas as mulheres (independentemente da idade) em delírio. Segundo as estatísticas da organização, «Summer Of 69» era a música de eleição e transformou-se, realmente, num dos pontos altíssimos da noite. Para trás ficou «Back To You». Quem nunca namorou ao som de «Everything I Do» que atire a primeira pedra. De isqueiros em punho, os casais de namorados lá se juntaram mais um bocadinho para confluir nesta prova de amor. “Quero fazer algo um pouco louco. Às vezes corre bem, mas outras vezes é um desastre” disse o vocalista que quis escolher uma pessoa do público para subir ao palco para o dueto «When You’re Gone», originalmente cantado com Melanie C (ex- Spice Girls). Curiosamente a escolhida foi a cantora e actriz Vanessa Silva, que integra o elenco de musicais de Filipe La Féria e também já cantou em alguns programas de prime-time da TV. Coincidências ou não, o público queria era ouvir mais músicas e até ao final do concerto, só, e sublinho a palavra só, músicas que todos sabem de cor e salteado: «Heaven», «Cloud Number Nine», «Only Thing», «Run To You», «Straight From The Heart» e «All For Love». Uma vida de sucessos. Uma vida de amor. E é isso que preenche a vida de Bryan Adams!

Por outro lado, Stevie Wonder tem um glamour que Bryan não tem. Contudo, só uma pessoa como ele, com o lado positivo da vida que demonstrou ter, é que consegue arrastar dezenas de milhares de pessoas para um recinto ao fim de vinte anos de ter estado na capital lisboeta pela primeira vez. O imortal «I Just Call To Say I Love You» tornou o clima muito mais especial, mas outros sucessos foram soando ao longo de uma hora e trinta de espectáculo. Sem grandes deslumbramentos visuais em palco, Stevie Wonder tenta ser maravilhoso por excelência. «Let You Love Come Down», tema com que o concerto iniciou, deverá ter sido a causa para muitas das pessoas terem abandonado o recinto pois passados 10 minutos ainda o músico continuava a tocar piano, pondo-se de joelhos e deitado em cima do palco. Até se chegar ao hit «Master Blaster» que é conhecido por todos, Stevie apostou em «How Sweet Is» e «My Eyes Don’t Cry», que terão amornado a sua actuação. A meio do espectáculo, a comunicação entre o cantor e o público terá sido o ponto alto dando a todos a oportunidade de cantar «Garota de Ipanema» do exímio Tom Jobim e prestou homenagens a Michael Jackson, The Doors e também o ícone do Reggae Bob Marley. Para muitos terá sido “O” concerto. Para outros apenas ficará para a memória com o slogan “Eu fui” e “eu vi”, visto que não sabemos se o veremos novamente em solo português.

O dia que foi timbrado pela chuva acabou por se tornar num dia mais colorido e vibrante. Para mais tarde recordar.

Reportagem do primeiro dia do Rock in Rio 2012 aqui; segundo dia aqui; terceiro dia aqui; quinto dia aqui.

Fotografia por Manuel Casanova. Galeria do primeiro dia do Rock in Rio 2012 disponível aqui; segundo dia aqui; terceiro dia aqui; quarto dia aqui; quinto dia aqui.



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