Rock In Rio Lisboa 2014 | Primeiro dia (25 Maio)

Rock In Rio Lisboa 2014 | Primeiro dia (25 Maio)

O festival onde cabem todos os estilos de música, lifestyle e marketing

Do hip-hop ao funk, do indie ao rock, onde a pop é estrela. Quase todas as categorias musicais estão presentes no festival Rock In Rio, sobretudo no primeiro dia onde a palavra versatilidade fez jus à sua definição. Ao longo da tarde nada faria prever que perto de 60 mil pessoas preencheriam os vales que proporcionam uma bela vista para o palco mundo. Segundo as estatísticas, 44% do público aguardava pela estrela britânica – Robbie Williams – que conseguiu conquistar o todo. Mas já lá vamos. Lisboa acolhe, assim, mais uma edição de estilo bastante ecléctico e à qual nos rendemos.

Primeiro, factos reais: o Rock In Rio celebra o seu 10º aniversário. Tem uma imagem de marca bastante forte e identificativa e, com isso, há coisas que nunca mudam – as filas. No Rock in Rio há filas intermináveis para tudo – desde uma simples ida à casa-de-banho (mas isso é algo recorrente em qualquer festival) assim como para o resgate de um brinde que não pode ficar para trás. Este ano, há sofás insufláveis, perucas iluminadas, sacos mochila, entre outras parafernálias quase a roçar o inútil, mas que naquele momento são super divertidas. Também encontramos celebridades a passear pelo recinto como se fossem desfilar numa passerelle ou divertir-se numa mega saída à noite. Há pessoas bem arranjadas, outras extremamente bem arranjadas e ainda outras que tentam estar arranjadas. Há grupos com t-shirts cor-de-rosa onde se lê “Poderosas” e outras onde há fotomontagem com o corpo tatuado de Robbie Williams. Também há aquelas pessoas que reclamam dos preços do bilhete só porque assistiram a uma hora de concerto do seu grupo favorito – e isto é algo que não se entende. Deixo o alerta de que o Rock in Rio se trata de um festival e num festival há tempos contados. Se fosse um concerto em nome próprio as coisas seriam diferentes, sim? Certo.

RiR 2014

À chegada ao recinto, verificamos que houve algo que mudou. Como é que o público se entretém enquanto espera na fila? Selfies. Selfies everywhere! Se foi o teu caso, não te esqueças da hashtag #rockinriolisboa. Aqui se tem o exemplo de como as redes sociais têm um impacto verdadeiramente importante na vida do colectivo social. Na Rock Street ouvia-se música irlandesa, com músicos trajados a rigor e só faltava uma saborosa Guiness. As lojas parecem autênticos shoppings em dias domingueiros a rebentar pelas costuras entre comes e bebes e artigos promocionais. Entretanto, enquanto percorríamos o recinto, encontrámos algo inovador: uma marca patrocinadora de bebidas oferece, imagine-se, ombros grátis, enquanto outra marca de comunicações móveis promove aulas de dança que ajudam a reafirmar os glúteos. Se queres ser como a Beyoncé é de aproveitar! É só animação!

O antigo palco Vodafone que há dois anos se situava perto da entrada do recinto deu lugar a dimensões de um segundo palco mais importante do festival. Foi também neste palco que se inaugurou a onda de concertos do dia com os The Hound, uma das bandas vencedoras do Casting Vodafone. Às 18 horas subiram, no mesmo palco, os grandiosos Cais do Sodré Funk Connection onde foi visível a forte adesão por parte do público às simples coreografias e vocalizações que Silk, o vocalista, pedia para repetir. Depressa o tempo passou entre «Summer Days of Fun», «Out Of Sight», o novo single em primeira mão «Do The Math», «Black Cat» e «Mãe Negra» em voz feminina bastante pungente. Dizem que Silk é comparável a James Brown, mas perdoem-me, ele é bem melhor! Há soul, funk, um ritmo musical enorme e uma entrega ao público bastante sincera. “Quem é que daqui foi votar? E quem vai ver o Robbie Williams?” questionou Silk entre músicas e com inúmeros braços no ar, aproveitando para enaltecer o referido cantor britânico. Em breve sairá o segundo álbum de originais, e por cá aguardamos mais concertos do grupo. Há sempre festa garantida e foi, efectivamente, uma excelente aposta para este primeiro dia de festival.

Cais do Sodré Funk Connection

De seguida, descemos o vale até ao Palco Mundo onde a pequena grande Áurea partilha os seus êxitos com Boss AC e vice-versa. Em formato glamouroso, desfilaram canções como «Princesa», «Lena», «Ok, Alright», o hino «Sexta-feira» e «Scratch My Back». Para terminar, e digamos que em grande, porque a mancha de público que guardava lugar em frente ao palco já era visível a pequena / grande escala, Áurea e Boss AC cantaram o êxito do ano – «Happy» de Pharrel Williams – enquanto que nos ecrãs gigantes se visualizavam imagens dos ensaios entre os dois artistas. Celebração e elogios ao mais alto nível.

Áurea

Olhando para o relógio, eram 20 horas quando o brasileiro Silva subiu ao palco Vodafone. Este concerto resume-se apenas à setlist interpretada pelo próprio, mais o baterista e que a eles se juntaram mais dois rapazes – um no baixo e outro na guitarra – e em duas canções, «Vista Pro Mar» e «2012», contou com a colaboração do trio de metais do colectivo Cais do Sodré Funk Connection. À mistura escutámos canções do seu disco de estreia, “Claridão” e do seu mais recente «Disco Novo» gravado em Portugal, “Vista Pro Mar”. A comunicação entre o público não é, de todo, o seu forte. Silva apenas sorri e agradece (e o seu rosto assume gratidão pura). Ele é muito cute e faz com que a nova indie-pop sul-americana esteja de excelente saúde e consiga contagiar mesmo os mais sépticos.

Perdoem-nos os fãs de Paloma Faith, mas aproveitámos essa hora para recuperar energias e petiscar alguma coisa. Durante a caminhada, ouvimos uma tentativa de falar em Português, pedido desculpas por não conseguir dizer graçolas na nossa língua, mas recompensa o público com os seus êxitos «Can’t Rely On You» e «Only Love Can’t Hurt Like This». Vestida num modelito padrão escocês vermelho, Paloma Faith recebeu aplausos bonitos sempre sorridente.

Paloma Faith

22 horas, céu limpo e algum vento que dissipa o calor humano. Pontualidade britânica e os holofotes do Palco Mundo dão sinais de que o espectáculo mais aguardado vai começar. Em 1990 a brit pop e as boysband faziam furor por todo o mundo e os Take That são personagens principais dessa história. O enfant terrible Robbie Williams depressa se demarcou com sucesso na sua carreira a solo, enfrentado uma enorme legião de fãs e uma conhecida luta contra certas dependências. Aos 40 anos e com uma vida pessoal actualmente pacífica, Robbie Williams continua a fazer justiça ao cognome que lhe é atribuído – “Mr. Entertainment”. E por mais que este assuma que está a ficar velho e gordo porque adora comer chocolates, nada disso faz quebrar opiniões – ele é um senhor. De fraque e luvas brancas e um colectivo de requinte igualando os anos 70, a lista de músicas apresentadas superou as expectativas. Recentemente, o cantor lançou “Swings Both Ways” e foi nesse registo, de swing, que Robbie Williams brilhou e pintou o cenário, contribuindo com os seus grandes êxitos.

Para começar, «Let Me Entertain You» e de seguida «Let Love Be Your Energy» onde o artista distribui sorrisos e beijos. Sempre com um olhar bastante expressivo para as câmaras, este desceu até ao público distribuindo apertos de mão e alguns beijos, fazendo com que este conseguisse a oportunidade de o fotografar mais de perto. Por conseguinte, para além dos êxitos «Come Undone», «Kids» e «Candy», a lista de interpretações parecia uma variante de discos pedidos, mas dos bons. «I Love Rock’n’Roll», Walk on The Wild Side», «New York» da Alicia e do tio Sinatra, até a pop dos irmãos Gallagher com «Wonderwall» e «Song 2» dos Blur, contribuíram para o espectáculo. Contudo, «Ignition», original de R. Kelly, pode-lhe valer o prémio de grande actuação a capella. Para terminar em grande, as duas canções que fazem de Robbie Williams o que ele é hoje – um poderoso e melodioso intérprete de canções para casamentos. «Feel» e «Angels» preencheram os corações dos mais românticos terminando em apoteose. Segundo o próprio, este não actuava em festivais há mais de 10 anos e reconheceu que foi difícil escolher as músicas para a primeira noite de Rock in Rio. Visivelmente emocionado, despediu-se de Lisboa ameaçando dar um beijo no chão do palco, mas fez apenas umas flexões.

Robbie Williams

Assim se deixa um público electrizado para a artista que encerrou o dia; Ivete Sangalo, à qual podemos atribuir um lugar de residente nos cartazes de edições anteriores certame continuou, por noite dentro, a tirar o pé do chão de todos aqueles que permaneceram pelo palco Mundo.

Dia 29, esta quinta-feira, a cidade do rock abre novamente as portas (estas, excepcionalmente abrem às 15 horas) para dar lugar ao esgotadíssimo e aguardado concerto dos The Rolling Stones, Gary Clark Jr, Xutos e Pontapés e Frankie Chavez.

Fotografia por Graziela Costa. Fotos aqui: 25 de Maio; 29 de Maio; 30 de Maio; 31 de Maio;1 de Junho.



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