Rock In Rio Lisboa 2014 | Terceiro dia (30 de Maio)

Rock In Rio Lisboa 2014 | Terceiro dia (30 de Maio)

Em terras lusas, os norte-americanos são Reis (neste caso, Rainhas!)

Vento, muito vento; pó, muito pó. Não estamos na praia do Meco, mas a dada altura é como se estivéssemos. Este terceiro dia de Rock In Rio Lisboa não teve a afluência do dia anterior mas, ainda assim, perto de 68 mil pessoas pisaram o recinto do festival cujo cartaz estava recheado de nomes que já nos brindaram com as suas actuações neste e outros festivais.

Camisolas com as iniciais de Linkin Park desfilavam por entre as filas e ruelas do recinto. Pensávamos que os norte-americanos estavam fora de moda, mas enganámo-nos. O hype que ainda existe à volta do grupo é bastante e continua vivo. Mesmo assim, outro nome deixava muitos em êxtase – os charmosos Queens Of The Stone Age que ainda o ano passado marcaram presença no festival Super Bock Super Rock. Segundo as famosas estatísticas, 60% do público estava na Bela Vista para assistir ao concerto de Linkin Park – que podemos já adiantar que não teve grandes surpresas – e que mais de metade do público tinha idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos. Continuamos a achar isto um pouco surreal… mas a vida é mesmo assim, com este género de fenómenos.

Para quem não ouve falar dos portugueses Salto que se deixaram cair num hit popularizado por uma telenovela de horário nobre, eles estão de volta. O grupo, cuja formação inicial tem como base os rapazes Luís Montenegro e Guilherme Tomé Ribeiro, acaba de se multiplicar por dois e assim se inclui uma bateria e um baixo ao conjunto de teclados, guitarras e sintetizadores. A pop conflui-se com a electrónica e o drum’n’bass o que faz com que depressa haja, literalmente, saltos. Entre os temas do disco de estreia, os portuenses apresentaram mais três temas de uma colectânea recentemente editada de nome “Beat Oven”. Há efeitos “espaciais” entre as melodias, mas nada de surpreendente.

No palco mundo, são os Capital Inicial que abrem as hostilidades. Mas quem são eles? Uma espécie de Xutos & Pontapés, mas em Português do Brasil. Depressa regressámos ao palco Vodafone para espreitar Blood Orange. Os nova-iorquinos, já com dois álbuns editados, têm ganho terreno nas rádios nacionais. Os êxitos «Chamakay» (que pensava ser interpretado por Enrique Iglésias!) e «Good Enough» foram os primeiros a captar a atenção dos demais presentes num palco com um pôr-de-sol bonito como pano de fundo. Em palco há muita energia, muito Groove, e movimentos dignos de Jackson onde não faltou mesmo a meia branca à vista. A indie norte-americana a ser valorizada e bem tratada por Devonté Hynes com canções como «Uncle Ace» e «Time Will Tell». Um concerto que soube a pouco e esperemos que regressem. São uma boa aposta para este Verão.

Enquanto caminhávamos em direção ao palco mundo, sentia-se a adrenalina no ar e alguma emoção a percorrer nas veias. Faltava pouco para a actuação dos Queens Of The Stone Age. O concerto em si não foi nada de surpreendente, mas Josh Homme é um frontman imponente – esbanja sensualidade só com o olhar, mesmo estando sobre efeitos de tequilha ou outras substâncias. O concerto começa com canções de “Songs Of The Deaf” – «You Think I Ain’tWorth a Dollar, But I’m Feel Like a Millionaire» e a poderosa «Go With The Flow» levando o público a uma tremenda euforia. “Obrigado Portugal, este espaço é maravilhoso”, dirige-se Josh Homme ao público e ainda a quem está a fazer Slide com um “what the fuck are you doing, man”! Entre brindes e cigarros, entre troca de guitarras, Homme e os seus companheiros prolongam as suas canções e dançam entre si com os seus instrumentos. Não faltaram os êxitos «Sick, Sick Sick», «Little Sister», «My God Is The Sun» e «No One Knows», assim como os novíssimos «…Like Clockwork» e «I Sat By The Ocean». Os elogios ao nosso País e ao público presente – excepto alguém que era apenas “a fucker from somewhere else” – foram mais que muitos e ainda partilhou o pensamento – “I think we should all get drunk and fuck together”. No alinhamento faltaram outras tantas canções, mas mesmo assim, para nós, foi sem dúvida o concerto do dia.

Tal como já foi referido, os Linkin Park estiveram presentes na edição do Rock In Rio Lisboa em 2012. Estão em segundo lugar (sendo o primeiro lugar ocupado por Ivete Sangalo) como o grupo estrangeiro que participou em mais edições do certame. E este ano, pouco há a acrescentar. O alinhamento apresentou-se semelhante ao de há dois anos, recheado de êxitos como «With You», «Points Of Authority», «Papercut», «Runaway», «Numb» e «In The End». A idade não parece avançar em Chester Bennigton e Mike Shinoda que agradecem ao público e ainda atiraram cd’s para a plateia. Tudo se divide em versões mais curtas de algumas músicas, outras tocadas na íntegra como se se tratasse de uma peça de teatro em vários actos. Ao nosso lado avistamos crianças, adolescentes e até os pais dos mesmos a cantar em plenos pulmões praticamente todas as canções em modo eufórico. Não conseguimos entender este fenómeno de popularidade, mas ainda bem que assim o é. A música tem esse efeito – a intemporalidade.

A noite terminou com Steve Aoki, o DJ conhecido por atirar tartes para o público. Se isso é engraçado? Eh… Enfim. O quarto dia do certame oferece um leque de artistas mais sugestivo – desde Wild Beasts à “bruxa” Lorde e aos magníficos Arcade Fire.

Fotografia por Graziela Costa. Fotos aqui: 25 de Maio; 29 de Maio; 30 de Maio; 31 de Maio;1 de Junho.



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