Rose Blanket

Foi finalmente editado o primeiro álbum do colectivo alfacinha.

“Num quarto, corredor, numa praia ou num pedaço de rua passeada, há um banco vazio para o silêncio cruzar os braços e esperar que a calma venha”

Rose Blanket Press Release

Os Rose Blanket são um bom exemplo da evolução na música independente em Portugal. Após as gravações de algumas demos e realização de espectáculos um pouco por todo o país, a formação lisboeta consegue, no primeiro registo de originais, apresentar um conjunto de canções que, para além de formarem o mais conseguido álbum da Bor Land deste ano, são um excelente ponto de partida para um futuro promissor.

Se tivermos em consideração a definição de “single”, uma faixa “radiofriendly” e que consegue resumir as intenções da banda num determinado álbum, é praticamente impossível encontrar uma música que encaixe nesses parâmetros no primeiro álbum homónimo dos Rose Blanket. Este é um daqueles casos em que o todo se sobressai à soma das partes.

A primeira faixa surge como uma forma de contextualizar a música que nos vai fazer companhia durante os 60 minutos de duração do álbum. Imaginando uma fronteira entre o mundo “real”, barulhento e confuso e a harmonia pacifíca de um sonho reconfortante, “Hanging on my throat” é a banda sonora desta transposição e ao mesmo tempo um grito de libertação. Quando termina o último acorde deste curto tema, somos transportados para o verdadeiro mundo dos Rose Blanket.

Ao deixar as faixas permutar livremente no nosso leitor, ficamos automaticamente abstraídos de tudo o que nos rodeia e a música transforma-se numa verdadeira terapia de descompressão.

A voz arrastada e por vezes rouca, relembrando Kurt Wagner, é acompanhada por ambientes mariachi que por vezes parecem retirados de um álbum dos Calexico ou de uma banda sonora western. As sonoridades que muitas vezes associamos à América profunda e melancólica, são pontos de referência da banda, mas não explicam (ainda bem) todas as suas intenções. A música dos Rose Blanket encaixa na perfeição na definição de “indie”: utiliza os diversos géneros pré-definidos (rock, pop, folk, etc) na criação de uma sonoridade característica que se baseia meramente na qualidade e vontade de expressão.

Este é um dos mais belos registos do ano, que embora não seja fácil de ouvir é altamente recomendável. Deitem-se na vossa cama, coloquem uns auscultadores nos ouvidos e deixem-se levar pela música de embalar deste quarteto alfacinha. Se durante a audição adormecerem, de certeza que vão ter maravilhosos sonhos. Só por isso vale a pena.

A banda vai continuar a apresentar este álbum um pouco por todo o país. No princípio de Dezembro passam por Famalicão (dia 4 na Casa das Artes), Braga (na Rum) e pelo circuito normal de Fnac’s (Cascais e Colombo).



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