RQ#3 WE3

WE3.

Se vos disser que WE3 é sobre a vida de um cão, um gato e um coelho, talvez a maior parte de vocês, se lembre dos filmes de domingo à tarde da TVI e não se sinta cativado a ler, mas a verdade é que se trata de muito mais do que isso.

Escrito por Grant Morrison com arte de Frank Quitely, WE3 foi editado o ano passado na América e ainda está à espera do seu lugar cativo numa edição portuguesa. Pessoalmente acho que este livro deve ser lido sabendo o mínimo possível sobre ele. Partam à aventura e confiem, porém se ainda não estão convencidos, continuem a ler.

O governo americano gastou milhões de dólares para criar a arma perfeita. Esta arma não é nada mais do que um cão chamado Bandit, um gato chamado Tinker e um coelho chamado Pirate. Animais alterados ciberneticamente, colocados dentro de armaduras robóticas, fazem parte de um programa militar, com o fim de substituir soldados humanos.

Após completarem com sucesso mais uma missão ao assassinarem um ditador, o projecto WE3 é agendado para destruição, uma vez que se tornou obsoleto e necessita de ser substituído. Roseanne Berry, a nossa “Doctor Dolittle”, não concordando com esta decisão, liberta os animais, e assim começa esta estória, em que as forças militares procuram desesperadamente reaver a sua arma mais letal e mortífera, que se encontra algures em liberdade, em solo civil.

É incrível como WE3, com poucos diálogos, nos conta uma história, tão terna e ao mesmo tempo tão apocalíptica. A ideia de transformar animais em máquinas assassinas, é desumana e no entanto quantos de nós duvidariam que isso acontecesse caso a tecnologia necessária fosse providenciada? Ao longo da estória acompanhamos os animais em fuga, e temos tempo de os conhecer melhor, de reparar que desenvolveram personalidades diferentes e distintas, que apesar de perseguidos e obrigados a lutar pelas suas vidas, ainda mantêm a prioridade de salvar a vida de inocentes.

Grant Morrison regressa mais uma vez com um trabalho excepcional e, como já é habitual, junta forças a um dos mais talentosos artistas do género. Frank Quitely já provou várias vezes que é um dos melhores e não só voltou a sublinhar essas palavras, como as suas novas experiências em termos de design, nos deixam boquiabertos, os pormenores, os close-up, tudo até ao mínimo detalhe é levado em consideração, proporcionando-nos até em algumas páginas uma viagem quase tridimensional.



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