RQ#4

Freaks - No coração da América.

Encontra-se já disponível há alguns meses, a edição portuguesa de “Freaks”. Depois de “30 dias de noite” e “Dias Sombrios” a Devir continua (e muito bem) a apostar em trabalhos de Steve Niles, que troca agora a sua saga de vampiros, por uma viagem sombria pela América rural. A arte fica, desta vez, a cargo de Greg Ruth, que através dos seus desenhos consegue transmitir em perfeição o ambiente lúgubre e melancólico característicos deste conto.

Quando entramos no mundo de “Freaks” por momentos parece que nos encontramos num filme de Carpenter, onde numa aldeia distante, num dia como outro qualquer, sem explicação ou razão aparente, todas as mulheres engravidaram. E todas as crianças que nasceram fruto do que aconteceu nesse dia nasceram um pouco “diferentes”. Chamadas pelos pais de “aberrações” algumas delas apresentavam características (físicas) de animais e eram todas, aos olhos dos mesmos, seres hediondos e monstruosos.

E como o que não é compreendido facilmente é temido, rapidamente se decidiu pôr um termo à vida destas crianças: cada pai teria de se “livrar” do seu filho. Mas consegue um pai matar um filho? Mesmo não compreendendo como uma “aberração” poderia algum dia ter sido gerada por ele? Consegue um pai matar sangue do seu sangue? A resposta não foi imediata para todos e assim a maioria manteve em segredo estas crianças, fechadas em sótãos ou celeiros a serem tratadas e alimentadas como animais.

A estória começa por contar a relação de Trevor, uma das crianças “normais” com o seu irmão mais novo Will, uma das crianças “diferentes”. É Trevor quem vai alimentar Will ao celeiro, é ele quem de noite foge para o libertar, para que protegidos pelo manto da escuridão possam brincar, conversar, serem irmãos e por uns breves momentos serem livres.

Para uma estória que retrata, de forma tão sombria, o modo de agir de uma comunidade perante os seus receios, “Freaks” não deixa de surpreender ao terminar este conto não com um sentimento de tragédia, mas sim de esperança.



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