Rui Santos Couto | Entrevista

Rui Santos Couto | Entrevista

"A música é a forma de expressão de todos os que usam a Musicverb"

Não é de todo incomum ver nascer, por essa internet fora, projectos ligados à música. O que não é tão comum é quando a plataforma é toda ela orientada para as bandas, agentes e promotores de eventos. Foi a isso mesmo que a Musicverb se propôs. Imaginem que querem promover um evento e não sabem qual a banda ideal. A Musicverb pode ajudar-vos segundo diversos parâmetros como o género musical, o orçamento disponível ou localização. Se tiverem uma banda a Musicverb pode ajudar a direccionar-vos para os eventos mais adequados ao vosso género musical mas, para compreendermos melhor o que é a Musicverb, o que pretende ser e como se propõe a lá chegar, colocámos algumas questões a Rui Santos Couto, fundador da Musicverb.

Como surgiu a ideia de criar esta plataforma?

A ideia surgiu de uma necessidade que nós mesmo sentíamos enquanto gestores de eventos e agentes de artistas. Por um lado, percebemos que não existe para os programadores de eventos – festivais, concertos, eventos privados – uma ferramenta dedicada que permita gerir a informação e ao mesmo tempo encontrar os melhores artistas de acordo com critérios definidos ao nível dos custos, da logística, das necessidade técnicas. Fomos agentes de projectos como :papercutz, Virtus, Marina Pacheco ou Quarteto de Cordas de Matosinhos e percebemos, talvez até da pior maneira (risos) o quão difícil é para as agências e os seus artistas conseguirem “escalar” a sua actividade. Isto é, gerir um portefólio de muitos artistas, sem ter necessariamente muita gente para o fazer, ao mesmo tempo que se enviam, recebem e gerem centenas de propostas que poderão ser convertidas em concertos. Além de todos os concertos já agendados e que necessitam de um acompanhamento total, sem que haja algum ambiente colaborativo que junte eventos, agências e artistas. Esta é a vida de milhões de agentes, músicos e promotores de eventos independentes em todo o mundo. É para eles que trabalhamos!

Porquê Musicverb?

A música é a forma de expressão de todos os que usam a Musicverb. De alguma forma todos se expressam pela música. A música é o seu verbo! É por essa razão que unimos as palavras música e verbo. Somos a Musicverb!

Este tipo de projectos encara sempre grandes desafios, nomeadamente no que à sustentabilidade diz respeito. Como está a ser com o Musicverb?

É verdade! Os desafios são muitos e têm de ser enfrentados quase todos em simultâneo. O projecto é um investimento dos fundadores e muito em breve estará a negociar com investidores que compreendam a enorme oportunidade que a Musicverb representa. Até ao momento está a correr como planeado. Não estamos a gastar nem mais, nem menos, do que o estritamente necessário (risos). Somos uma startup no verdadeiro significado da palavra. A empresa tem sede no UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e, nesse contexto, acaba por encontrar apoio a vários níveis.

Estão a registar uma boa adesão por parte do vosso público alvo?

A adesão é excelente. Temos cerca de 1000 utilizadores registados e temos crescido de semana para semana. Mas o mais interessante é perceber que aqueles que se registam são pessoas com interesse real naquilo que estamos a fazer. Outro dado interessante é perceber que cada utilizador passa em média quase 12 minutos na Musicverb quando se regista e pesquisa em média 8 artistas. Ou seja, as pessoas estão a usar o que lhes disponibilizamos por agora. Com todas as novidades que vão aparecer nas próximas semanas, prevemos que a adesão vai intensificar-se muito mais.

No press release falam na existência de cerca de 500 mil Smart Profiles. Como conseguiram agregar um volume tão elevado de informação? Estão a recorrer a outras plataformas como o last.fm, por exemplo, para agregar a informação?

A ideia de criar perfis inteligentes tem a ver com o nosso objectivo de libertar os agentes e os músicos do máximo de trabalho possível, ao mesmo tempo que damos aos promotores de eventos a melhor informação possível para tomarem decisões. Vamos às melhores fontes de informação na internet e juntamos tudo num lugar, mas não de qualquer maneira: apresentamos o que é importante para quem organiza eventos e da forma como é mais relevante para os profissionais. A Wikipedia e o Youtube são algumas das nossas fontes, mas temos cerca de 10 no total.

O registo no serviço é gratuíto. Existe depois algum tipo de serviço completar que é cobrado ao cliente?

A utilização dos Smart Profiles será sempre gratuita. Não concordamos com a ideia dos músicos e agentes terem de pagar para ter um EPK (Electronic Press Kit). Enquanto estivermos na fase Beta todos os serviços serão gratuitos mas o nosso plano passa por cobrar em função do número de projectos que um utilizador está a gerir na plataforma.

O trabalho de promoção e divulgação necessário para assegurar a visibilidade do serviço deve ser enorme. Quais têm sido os vossos meios preferenciais para a divulgação do serviço?

Estamos, ou procuramos estar, em todos os lugares onde houver agentes, promotores de eventos e músicos. Como é o caso do Rua de Baixo. Também temos vindo a estabelecer parcerias com organizações que representam agentes e promotores de eventos, sobretudo no Reino Unido, onde a indústria está muito desenvolvida. Nos próximos meses estaremos também em eventos relevantes ao nível internacional, a começar pela Womex que, felizmente, este ano acontecerá bem mais perto de nós, em Santiago de Compostela.



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