Rute Gomes

Fiquem a conhecer a criativa designer de produto portuguesa e toda a sua obra nesta edição da rua de baixo.

Durante todos estes meses de edições, temos tentado dar a conhecer novos projectos e designers portugueses nas diversas áreas, que vão desde a bijutaria à decoração, passando obviamente pela moda. Este mês, temos o prazer de vos dar a conhecer Rute Gomes, lisboeta de nascença e londrina de residência.

O trajecto da jovem criadora iniciou-se no curso de Tecnologias de Artes Gráficas em Tomar, o qual não chegou a terminar pois, como nos admite numa curta troca de ideias, “não era o meu  cup of tea”, tendo-se mudado para as Caldas da Rainha onde se licenciou em Artes Plásticas na ESTGAD. Foi durante o quarto ano da licenciatura que surgiu a oportunidade de concorrer ao Jovem Designer, um concurso promovido pelo Icep e que visa incentivar e promover jovens designers portugueses dentro e fora do país. Foi a partir daí que a experiência londrina acabou por acontecer, como nos conta a própria Rute; “nesse ano o concurso teve como júri convidado o designer Ron Arad, que por acaso também é coordenador do departamento de Design de Produto do Royal College of Art em Londres. Surpreendentemente, arrecadei o prémio Gulbenkian e uma sugestão do júri para tomar parte do MA em Design de Produto no RCA, que acabei neste Julho”.

Londres é na Europa a cidade das oportunidades, onde jovens artistas de todas as áreas tentam a sua sorte, “é uma cidade hiper-activa, cheia de gente hiper-activa em busca da oportunidade prometida”, confessa-nos Rute, que continua depois a levantar um pouco mais o véu sobre a realidade da cinzenta cidade londrina, “o facto de atrair uma vasta variedade cultural, confere-lhe uma aura especial, tantos mercados onde se pode encontrar o impensável, os aromas de comidas tão diferentes pelas ruas, os dialectos que não se percebem de onde vêem, fazem pensar que ser britânico em Londres é estar fora de moda!!”

Esta sua permanência em Londres deve-se principalmente à existência de um mercado muito mais alargado para os seus objectos, um mercado não existente em Portugal, pois como nos desabafou Rita, “é uma pena que as industrias portuguesas não apostem mais nos jovens criativos, e tenham uma postura mais carismática”.

Na sua colecção de objectos, Rute aposta principalmente na originalidade e grande utilidade. Por exemplo, Teddy é um normalíssimo boneco de peluche que tem a particularidade de crescer com o seu dono e acompanhá-lo na escalada à pirâmide da vida. Utilizando apenas algodão e jérsei, Teddy “vomitará” ursos cada vez maiores, até um ultimo estágio adulto em que o seu dono passará, ele próprio, a ser um teddy.

Mas Rute não faz apenas bonecos. Panal é um contentor para pratos, copos e cutelaria parecendo ser um tecido pendurado, que sustém em si vários objectos quebráveis. Aparentemente feito de tecido, o que o faz parecer bastante instável, na realidade, Panal  é feito de plástico (varaform) e é fortemente estruturado revelando a forma dos seus conteúdos.

Elastic#01 e Elastic#02 são dois objectos de arrumação. Elastic#01 é um saco feito de corda de elástico tecido, cuja abertura é toda a sua teia. Para colocar objectos basta que abruptamente os empurre pela teia adentro, e a sua elasticidade permitirá um aumento de volume bastante considerável, sendo que a forma do saco revela o seu conteúdo.

Elastic#02  é feito de elástico, e a sua forma é variável de acordo com o volume e peso dos seus conteúdos. Este contentor de livros vem, portanto, separá-los pelo peso; ou seja, os livros mais pesados ficarão perto do chão e os mais leves manter-se-ão perto da posição inicial da banda elástica.

Em suma, Rute Gomes é mais um nome a ter em conta no panorama criativo nacional (mesmo vivendo em Londres) e precisa apenas de um pequeno “empurrão” para ter as suas peças comercializadas e ao dispor de todos de uma forma mais abrangente. Nós aqui fazemos a nossa parte, agora é a vossa vez.



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