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Sam the Kid @ Coliseu dos Recreios (18-10-2019)

Play it again, Sam!

Assim que o regresso aos concertos em nome próprio de Sam the Kid foi anunciado, precisamente quando se assinalam 20 anos de carreira, houve uma sensação de regozijo de toda a comunidade hip-hop, fãs e intervenientes incluídos. Afinal de contas, Samuel Mira é o storyteller do hip-hop por excelência cá no burgo e a espera era longa. Acrescentar a este anúncio que viria acompanhado pelos companheiros Orelha Negra e uma orquestra só aguçou a curiosidade.

A ansiedade revelou-se desde logo na venda de bilhetes. Bastaram 4 dias para encher o Coliseu dos Recreios e a cada nova entrevista ou revelação dos detalhes de uma noite que se antecipava marcante o burburinho aumentava.

Chegados a um Coliseu a rebentar pelas costuras, eram muitas as caras conhecidas do movimento e os fãs de sempre e recentes compunham a massa humana e a longa fila para entrar. Lá dentro o ambiente era de celebração.

Começa-se a ouvir a intro de “Entre(tanto)” no Coliseu e logo surge Napoleão Mira, pai de Sam, que declama «Santiago Maior», poema da sua autoria, ou não fosse esta uma noite de família e homenagem à palavra. No palco acompanhavam-no já os residentes do resto da noite; Orelha Negra, Mundo Segundo, AMAURA, David Cruz e uma orquestra de 24 membros liderada pelo maestro Pedro Moreira. «A partir de agora», o mote estava dado e foi com estas palavras que Sam irrompe pelo palco numa enorme ovação de quem esperava há muito e logo se percebeu que a receita, à partida estranha, de juntar todos estes elementos num só espaço, resultava na perfeição.

“É uma honra estar aqui”, disse Sam rapidamente enquanto se (nos) preparava para uma viagem ao longo de 20 anos de beats e letras, sem uma linha temporal específica, mas antes um encadeamento de histórias que se encaixaram e complementaram durante duas horas de um ambiente íntimo em que Sam nos puxava para o seu espaço e criações. Quem o ouvia gritava e aplaudia a cada pausa e os conhecedores acompanhavam as letras como podiam e a memória permitia.

Chelas e a história do hip-hop num só palco. Nesta viagem foram muitos os convidados, presentes e ausentes. Não faltou a homenagem aos companheiros perdidos – Beto di Ghetto, GQ, Snake e o avô de Sam – figuras incontornáveis nesta estória. Xeg, Carlão, NBC, SP Deville, Mundo Segundo e Sanryse, todos subiram ao palco para ajudar a narrativa. Talvez tenha faltado um convidado ou outro, mas não dava para tudo em duas horas.

Entre novidades como «Xeg & Sam» ou «O crime do Padre Amaro», não faltaram as mais conhecidas «Poetas do Karaoke», «Não percebes», «À procura da perfeita repetição», «Tu não sabes» ou «Gaia/Chelas», com um dos momentos em que Mundo Segundo sai do seu canto para apoiar Sam com maior entusiasmo.

Perto do final, Sam senta-se junto à sua MPC para um fabuloso «Sendo Assim» acompanhado pela “sua” orquestra.

No final o público queria mais e bem tentou fazer com que Sam et al regressassem ao palco, mas em vão.

Obrigados a aceitar que o momento tinha terminado, ao sair as caras revelavam a aposta ganha enquanto alguns diziam ter sido o concerto do ano e outros mesmo o de uma vida.

Há cenas que nunca mudam, já dizia Sam. Nem “termos 40 e ainda fazermos recados à mãe” nem a qualidade do storyteller maior do hip-hop nacional. Mas espera-se que a brincadeira seja para repetir num futuro próximo. Play it again, Sam.



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