rdb_saopaulo_header

Recomendado para os hiperativos de plantão

Em Maio, mês do trabalhador mundial, São Paulo foi palco de um evento com 24 horas ininterruptas de shows. Ótimo remédio pra quem não gosta de parar um segundo.

São Paulo é uma terra que não para e isso é engraçado, pois, diferente de outras cidades do Brasil, o paulistano é marcado por sua força e avidez pelo trabalho. É muito difícil ver um paulistano “marcando bobeira” – como dizem os cariocas. Ou estamos estudando, ou trabalhando, ou a caminho do trabalho e, nos sábados de happy hour, nos divertimos (o que também representa um ofício), mas parado nunca estamos.

A Cidade, que se caracteriza pelos intransitáveis congestionamentos e pelo crescimento urbano desordenado, faz nascer aqui um sujeito que não deveria se chamar paulistano e sim cosmopolitano.

Já que ela não descansa, imagine-se saindo, as quatro horas da manhã, na sacada do seu prédio e, ao avistar à avenida principal, percebe que cerca de um milhão de pessoas estão acordadas curtindo uma noite inteira de shows? Sim, isso existe e tem nome: chama-se Virada cultural.

Em sua quarta edição, a data não tem pretensões de sair do calendário anual da prefeitura. O evento tem duração de 24 horas ininterruptas e se espalha por toda a cidade. São distribuídos palcos, com atrações dos mais variados ritmos, em diversos pontos do centro velho e imediações.  Gratuitas, acontecem nos museus, teatros, cinemas, praças e ruas que são invadidas por uma multidão ávida por cultura e por atrações de todos os estilos como o rock, samba, sertanejo, música eletrônica e performances de bit-art.

A idéia, inspirada na Nui Blanche de Paris, evento que se arrasta por toda noite parisiense, ganhou tantos adeptos em Sampa que a idéia se espalhou. Prova disso é a Virada Paulista que promove eventos sincronizados em diversos lugares do estado de São Paulo. Este ano a Rede Cultura de televisão, uma emissora estatal brasileira, cobriu os principais pontos destes shows de rua e possibilitou à população acompanhar tudo que estava acontecendo.

Estima-se que o investimento público para a realização da Virada Cultural foi de U$ 4 milhões, mas, pelo porte dos palcos, é bem possível que o patrocínio das instituições privadas triplique este valor. Isso porque são mais de 700 atrações em 150 pontos diferentes, dimensões pra lá de generosas para o custo apresentado. Além de levar cultura e diversão, o comércio local, principalmente os bares e lanchonetes, se beneficia com essas 24hs de festas. Sem contar os vendedores ambulantes que, apesar de toda fiscalização da polícia metropolitana (o “rapa”, apelido dado aos policiais que fiscalizam apreendem produtos de vendedores informais), dão meia vida aos foliões insones e garantem o contínuo reabastecimento de bebida.

Jovens de toda a cidade traçam seus roteiros para assistirem os diversos shows gratuitos. O desafio fica para aqueles que conseguirem varar (ficar acordado) toda as 24hs de evento.

Coincidentemente este ano, a virada aconteceu das 18hs do dia 15 de maio até as 18hs do dia seguinte, um dia depois da festa do Rua de Baixo na Sala da Porta Giratória do 3º piso da LxFactory. Se não fosse por um curtíssimo intervalo de 12hs e um oceano de distância, poderíamos supor que uma festa emendou na outra. Um luxo do destino. Viva a cultura da Rua! Viva a Virada Cultural.

E é assim que o paulistano continua se movimentando.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This