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Saw 3D – O Capítulo Final

Entranhas a voar na nossa direcção.

É cada vez mais óbvio que a “inovação” 3D é uma moda passageira e não a revolução que muitos professavam até há pouco tempo. Ainda vão saindo muitos filmes no formato – normalmente péssimas conversões às quais a terceira dimensão não acrescenta nada – mas os últimos dados apontam para um decréscimo da afluência de espectadores e, por ordem de razão, do interesse dos produtores. Esta leva de filmes a três dimensões tentou recuperar o êxito de “Avatar”, não percebendo que a novidade passou e que o sucesso do filme de James Cameron não se deveu apenas a ela.

O 3D continuará a ser usado em filmes de animação – onde funciona muito bem e é trabalhado com pés e cabeça – e, auguro eu, nalgum tipo de filmes de terror.

Os “Torture Porn” como “Saw 3D” vivem do choque, do exibicionismo e exploração da violência: das feridas atrozes infligidas ao corpo humano (a criatividade do filme reside unicamente aqui) até às cicatrizes mentais consequentes, debilmente esboçadas. O 3D põe o sangue, intestinos e demais entranhas das vítimas a vir na nossa direcção, acrescentando pouco mais do que mais uma dimensão a essa exploração.

Quando escrevo “exploração da violência” parece que estou a questionar a moralidade do filme, o meu problema não é esse, muitos bons filmes baseiam-se na exploração da violência, um bom exemplo é “Seven” de David Fincher, cuja inteligência e elegância o “Saw” original de James Wang quis a todo custo alcançar. Esteve longe de o conseguir e, ainda assim, é bem melhor do que esta sua sexta sequela.

“Saw” sabia esconder as suas cartas e jogá-las na altura certa, este “Saw 3D” mostra o jogo todo desde início – espantosamente para um filme de terror não provoca um único susto – e o 3D é tão mal usado, tão desperdiçado (como Kevin Greutert, realizador do filme, não faz ideia de como o usar, simplesmente não o usa) que explica o meu parágrafo de abertura. “Saw 3D” abusa dos momentos bomba-relógio – quando alguém tem de fazer alguma num determinado tempo para se salvar ou salvar outra pessoa – e das armadilhas mais ou menos engenhosas como tábua de salvação.

De resto, o enredo é demasiado rocambolesco para ser levado a sério (leia-se: para que alguém lhe ligue) e a tentativa de sátira à indústria do serial-killer, no caso à exploração dos sobreviventes pelos meios de comunicação, é muito fraca, muito aquém do que a saga “Scream” de Wes Craven conseguiu fazer.

Por último, não me cheira que o desejo de quem sub-intitulou o filme de “Capítulo Final” se cumpra. O final de “Saw 3D” prepara-nos para mais umas quantas sequelas.



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