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SBSR 2011 – Dia #1

Acesso condicionado.

Eram 18h30 quando a escapadela do trabalho se tornou possível. Seguiu-se uma rápida deslocação até à Praça de Espanha. A ideia era simples: seguir os conselhos da organização e recorrer aos transportes públicos para chegar à Herdade do Cabeço da Flauta. Como eu, muitos outros tiveram a mesma ideia. A fila era grande mas avançava a bom ritmo. Eis então que surge um telefonema, como que do nada. Uma boleia inesperada, num carro, devidamente partilhado com mais ocupantes, outra das sugestões da organização. Uma vez a caminho, e enquanto se atravessa a ponte, sem problemas de maior, diga-se, chega a altura de tomar a decisão sobre se devemos optar pela A2 ou pela nacional 10. A A2 está completamente parada logo após a saída para a zona de comercial de Almada. Seguimos então pela N10. Começa-se a andar bem mas depois o ritmo começa a entrar num enervante pára e arranca, com uma forte tendência para se tornar num pára, pára, arranca, pára, pára. Bem… acho que começam a perceber onde quero chegar. Resumindo e concluindo: a saída de Lisboa ocorreu por volta das 19h30 e a chegada ao recinto às 22h30. Ainda foi necessário aguardar um pouco para levantar a credencial também. Com isto tudo são 22h45. E com o passar das horas a paciência veio diminuindo…

Antes de começar a escrever sobre o que foi possível ver no primeiro dia de festival ficam as desculpas por não poder falar sobre os Sean Riley & The Slowriders, The Glockenwise, The Walkmen, Tame Imapala e El Guincho mas foi impossível vê-los. Bem, na verdade ainda consegui escutar a voz de El Guincho e posso dizer que o ambiente parecia animado, mas não mais do que isso.

Beirut. Era um dos concertos que aguardava com mais vontade e foi também um dos que desiludiu mais. Em primeiro lugar porque o som estava mau (e este problema foi uma constante em todo o festival). Tenho dificuldades em conceber como é possível estar a cerca de 200 metros do palco principal e conseguir ouvir som de outros palcos. Enfim… Em segundo lugar, porque o próprio concerto foi morno… Faltou energia e alegria para incendiar realmente a plateia (e acreditem que outros o conseguiram) e muitos optavam por conversar em vez de assistir aos concertos (algo que também aconteceu por demasiadas vezes ao longo do festival). Quanto ao alinhamento, foi repartido maioritariamente entre “Gulag Orkestar” e “The Flying Club Cup”. Deu também para escutar a nova «East Harlem», que figurará no ainda por lançar “The Rip Tide”. Sem surpresas, os temas de “Gulag Orkestar” continuam a ser aqueles que geram as melhores reacções. Por aqui continua-se a aguardar uma estreia em nome próprio para perceber concretamente o que valem os Beirut ao vivo. Ali pareceu insosso.

Lykke Li. Esta sueca não sabe desiludir. “Wounded Rhymes”, o novo registo e segundo da carreira, é daquelas álbuns que não envergonha ninguém, antes pelo contrário. Por aqui não houve síndrome do segundo trabalho e depois há sempre os temas do excelente “Youth Novels”.

A entrada de Li Lykke em palco é feita com um véu negro cobrindo-lhe o rosto. A seu favor está o entusiasmo com que é recebida. Contra está mesmo o som. Por favor revejam este pormenor em futuras edições (sim, o SBSR na Herdade do Cabeço da Flauta veio para ficar). Na música de Lykke Li a percussão tem um papel fundamental. É ela que muitas vezes marca o ritmo e a partir de onde tudo o resto nasce e evolui na sua música. Não é por isso surpresa que quando se começa a ouvir «Dance, Dance, Dance» se obtenha a primeira explosão de loucura entre a assistência. Pelo meio escuta-se The Knife e sabe bem (boas influências!). Os temas repartem-se generosamente entre os dois álbuns e o povo fica feliz. Eis então que chega a altura das despedidas. Li despede-se por entre uma pirueta e uma vénia, nós ficamos com saudades logo ali…

Arctic Monkeys. O som continua mau no palco principal. Quem não chegou a tempo de ir o mais para a frente possível teve sérias dificuldades em ver e ouvir o concerto em condições. Quanto aos rapazes de Sheffield o que se pode dizer? Continuam a sua segura evolução e crescimento. O palco é como uma segunda casa e o Alex Turner tem pinta. Em duas palavras poder-se-ia resumir o concerto da seguinte forma: guitarras e velocidade. Mas isso seria redutor. Os Arctic Monkeys já contam com quatro álbuns e nenhum deles constitui um embaraço pelo que se torna fácil encontrar a receita certa para um público cheio de vontade de saltar e deixar extravasar a energia armazenada. Os temas do primeiro álbum já possuem uma certa aura de clássicos e versos como “I bet you look good on the dance floor / I don’t know if you’re looking for romance or / I don’t know what you’re looking for” soam bem para caraças (prefiro manter o vernáculo utilizado até aqui). Um encerrar de noite a grande nível.

Por volta das 3h decide-se abandonar o recinto, porque o cansaço começa a falar mais alto e no dia seguinte não há como fugir a obrigações laborais. Connosco vem também a esperança que é impossível que a chegada ao recinto seja tão complicada como a deste dia. Veremos…



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