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SBSR 2011 – Dia #3

Sol, Pó e Rock’n’Roll!

É o dia em que se chega mais facilmente ao recinto. Durante a tarde muitos são os que decidem fazer uma sesta à sombra dos pinheiros que se encontram um pouco por todo o recinto. Para alguns, o acordar revelar-se-á doloroso. É que há muito que a sombra que ocupavam deu lugar ao sol com os resultados esperados. Nesses casos, o vermelho é a cor dominante… Há também tempo para passear pelo recinto e fazer algumas observações e, porque não, algumas sugestões/reparos. Nem vamos falar do pó. Essa entidade é omnipresente e pouco ou nada se pode fazer para a contrariar. Mas o lixo e a falta de lugares e oferta em termos de restauração não têm de o ser… Não basta querer crescer em termos de público. A infraestrutura tem de o saber acompanhar e não parece que assim tenha sido. Uma situação a rever, sem dúvida.

X-Wife. Têm honras de abertura no palco Super Bock e não lhes falta público. A visita para os ver é curta mas fica a nota de passagens pelo mais recente “Infectious Affectional” sem descurar os álbuns anteriores. A ideia era mesmo arranjar um bom lugar para ver os PAUS.

PAUS. A bateria siamesa é a primeira coisa que salta à vista. Logo a seguir é a forma como Joaquim Albergaria e Hélio Morais tocam nas respectivas baterias, tal é o sincronismo. Parece que nasceram para isto. Excelente.

O início é feito ao som do EP “É uma Água”. Ao terceiro tema, os PAUS cumprem a promessa de apresentar canções novas e nós podemos (finalmente!) satisfazer a nossa curiosidade e tentar perceber que direcção vão os PAUS seguir no seu primeiro longa-duração. Pois bem, podemos dizer que os PAUS decidiram ir mais além; decidiram expandir o seu reportório sonoro sem que com isso a sua identidade (já com um contorno claro q.b.) saia beliscada. O quarto e o quinto tema também são novos e nota-se claramente que as vozes surgem mais presentes e nem sempre se tem a bateria siamesa em acção, como que resultado de uma evolução natural. O concerto fecha com «Pelo Pulso» e «Surdo e Mudo». Para muitos ali presentes foram uma surpresa estes PAUS, para outros foram uma confirmação. Grande concerto!

Junip. Gosto do José González, logo torna-se fácil gostar de Junip. Já tinha, inclusivamente, tido a oportunidade de ver a banda quando se estreou no nosso país, no último Super Bock em Stock, onde deram um grande concerto na sala 1 do cinema São Jorge. Aqui a situação era outra. Um público diferente. Ao ar livre. Com um som que vinha apresentando problemas (embora neste último dia se tivessem verificado melhorias significativas na sua qualidade). Deixem-me que vos diga… tanta preocupação para nada… Que nem uns camaleões, José González e os seus Junip adaptam-se de forma perfeita à situação, incutindo mais músculo e fibra nas suas composições, sem nunca perder aquela sensação de fragilidade que parecem ter. A actuação centra-se em “Fields” e temas como «Rope and Summit» ou «Without You» são extremamente bem acolhidos, muito por culpa da qualidade que têm e dos seus executantes. Dá prazer ver uma banda tocar tão bem. Pelo meio escuta-se ainda o excelente «Black Refuge», retirado do EP com o mesmo nome. No final fica a sensação de que o concerto acabou demasiado cedo.

Elbow. Serão, porventura, uma das mais incompreendidas bandas inglesas da actualidade (fora de portas, entenda-se). Os Elbow deram um belo concerto e tinham merecido um público mais conhecedor da sua obra, grupo no qual eu próprio me incluo. Enquanto estive a assistir ao seu concerto não conseguia deixar de pensar que os Elbow são tudo aquilo o que os Coldplay gostariam de ser. Óptimas músicas, boas letras, simpatia sem ter a necessidade de querer agradar a gregos e a troianos. Ganharam fãs estes rapazes de Manchester. Acreditem nisso.

Ian Brown. Curta paragem para o ver mas o suficiente para ter uma ideia que o que ali se passou foi para esquecer (trocas de opinião posteriores confirmaram isso mesmo). Som mau, alguns problemas técnicos e depois o próprio Ian Brown. Os Stone Roses são passado e deixaram um belo legado. A sensação que ficou foi que Ian Brown devia ter ficado quietinho…

Slash. Era talvez o nome mais desenquadrado do palco principal mas um dos mais desejados. E não desiludiu. De Slash esperavam-se solos de guitarra, correcto? Pois foi isso mesmo que foi servido. É impossível ficar indiferente à postura do ex-Guns. A cartola, o cabelo e os óculos podem esconder a face do guitarrista mas os dedos dizem tudo. Houve passagens pelos Velvet Revolver e por temas da autoria do próprio Slash mas foi com a passagem pelos Guns’n’Roses (que já não foi escutada pelo escriba) que Slash conseguiu ter realmente o público na mão. Os “culpados”? «Sweet Child O’Mine» e «Paradise City».

The Vaccines. A visita ao palco EDP é de médico, só mesmo para espreitar o início da actuação dos Vaccines. É sabido que os concertos dos ingleses são rápidos e curtos, ou não sejam as suas canções assim. Isso confirmou-se. Quatro músicas em dez minutos, com «Post Break-Up Sex» a surgir logo como segundo tema e a gerar reacções do tipo “Já esta?!”. Em dez minutos de observação o veredicto não consegue ir além de um “interessantes mas nada por aí alem”…

The Strokes. Palco Super Bock à pinha para receber Julian Casablancas, Nick Valesi, Albert Hammond, Jr., Nikolai Fraiture e Fabrizio Moretti, a.k.a. The Strokes. A entrada é feita em estilo, ao som de «New York City Cops», com Julian Casablancas a envergar um blusão de cabedal preto e óculos escuros. A loucura tomou conta do público, pelo menos daquele que consegue ver o concerto, e a festa é muita mas não duvidem que é com temas como «Last Night» ou «Reptilia» que esses momentos são atingidos em toda a sua plenitude. «Angles» arranca algum entusiasmo mas revela-se a milhas dos seus antecessores. Mesmo assim fica a nota positiva para «Machu Pichu», que nos permite ver os Strokes num registo um pouco diferente do habitual. Eis então que surge o momento em que os Strokes terminam a sua actuação e não voltam ao palco. É um final de reportagem abrupto para um final de concerto que foi isso mesmo: abrupto!



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