SBSR 2012 | DIA #1 (5.7.2012)

SBSR 2012 | DIA #1 (5.7.2012)

Morno, morninho

Num mundo ideal, num recinto ideal, não haveria filas na zona de restauração, casas-de-banho e acessos de entrada ou saída. Neste primeiro dia de festival, o Super Bock Super Rock tornou esse sonho numa realidade – mas com não mais de 18 mil pessoas presentes, a festa prometida na Herdade do Cabeço da Flauta não chegou, sequer, a começar.

Algumas centenas de pessoas deram o Salto no palco principal, recebendo com entusiasmo tudo o que o duo nortenho tinha para oferecer, da electro-pop de «Por Ti Demais», a fazer lembrar os franceses Phoenix, ao funk e ao indie rock da mais aplaudida canção, «Deixar Cair». Guilherme Ribeiro e Luís Montenegro merecem ser mantidos debaixo de olho.

Findo o primeiro concerto, percebia-se já que o novíssimo tapete de relva do recinto iria sobreviver, pelo menos, até ao segundo dia de concertos: a afluência foi bem inferior à de anos anteriores e isso acabou por influenciar algumas das grandes actuações agendadas para o Palco Super Bock. Foi o caso dos Bloc Party que, de si, não partiram muito motivados para este regresso ao Meco: apesar de terem brindado o público com clássicos como «Hunting for Witches», «Ares» e «Banquet», não entusiasmaram com as amostras do novo álbum – “Four” será editado em Agosto -, nem mesmo com uma cover de «We Found Love», de Rihanna. Não sabemos que tipo de amor encontrou Kele Okereke por aí, mas falta-lhe energia, falta-lhe faísca (desta vimos alguns indícios nos temas mais electrónicos, aqueles que os fãs de sempre têm vindo a censurar).

Mas se, por esta altura, o público (de uma dimensão não muito animadora) ainda reagia, às 02h40 a história foi diferente: os Hot Chip intercalaram êxitos como «Over and Over» e «Ready for the Floor» com os novíssimos «Night & Day» e «Flutes», num ambiente morno, morninho, macambúzio, quase, para aquilo que se esperava no concerto dos britânicos. A verdade é que foi Brandon Boyd, dos Incubus, a arrancar o maior entusiasmo da plateia (aí sim, em maior número). Destaque para os sucessos de “Make Yourself”, álbum de 1999, recebidos calorosamente por um público que, claramente, tinha saudades destes americanos e, muito particularmente no caso feminino, do tronco despido de Boyd.

De uma maneira geral, tudo correu melhor no Palco EDP. Para isso, muito contribuíram os Alabama Shakes que, entre o slow e o twist, trouxeram a solo nacional uma fórmula vencedora, sustentada em grande parte pela incrível voz de Brittany Howard, também ela de guitarra em punho. «Hold On», o primeiro single do álbum de estreia do quinteto norte-americano, foi o segundo tema a ser tocado, mas nem por isso deixou de haver razões para celebração; o sermão (por vezes) gospel de Howard foi eficaz.

Bat For Lashes não conseguiu reunir tanto público como os seus antecessores, mas encantou com a sua movimentação de palco orgânica e sensual. Entre canções do primeiro e segundo álbuns («Glass», «Siren Song» e «Daniel» são alguns exemplos), houve também tempo para uma demonstração do que aí vem em Outubro – e o futuro da britânica Natasha Khan é auspicioso, pelo que nos foi dado a ouvir em «Rest Your Head» e «Laura», canções que mantêm a toada intimista e envolvente, servindo perfeitamente a voz que ecoa a Kate Bush, Björk e até Tori Amos.

Seguiram-se os Battles com uma actuação nada afectada pelo pouco público presente. O som explosivo e frenético dos nova-iorquinos é garantido pela santíssima trindade Stanier (bateria) – Williams (teclados e guitarra) – Konopka (guitarra e baixo), impossivelmente bons a desfiar os temas que editaram em 2007 (“Mirrored”) e 2011 (“Gloss Drop”).

Quanto à tenda @Meco, as maiores expectativas geraram-se em torno de Dâm-Funk e Flying Lotus, mas o príncipe do boogie não conseguiu arrancar do público o entusiasmo necessário e o segundo, embora tenha feito aquilo que melhor sabe, apresentou-se como DJ ao invés de Live Act, como fora prometido.

A ver vamos se nesta sexta-feira os termómetros sobem no Meco, com Supernada, Friendly Fires, Lana Del Rey, The Rapture e M.I.A. no palco principal.

Reportagem do segundo dia do SBSR 2012 aqui; terceiro dia aqui.

Reportagem fotográfica por Graziela Costa do primeiro dia aqui; segundo dia aqui; terceiro dia aqui.



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