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SBSR 2016 | Dia 1 (14-07-2016)

Na noite de arranque da edição de 2016, os The National e o calor foram os vencedores maiores

São 19h. Ainda não há muita gente. Está tudo a meio gás. Tudo, menos o calor abrasador que se sente no Parque das Nações e que assim vai continuar até ao final da noite. Compra-se uma Super Bock. Este ano a novidade são os copos de plástico reutilizáveis. 2€ de caução e usamo-los durante o festival. No final, se quisermos, levamo-lo para casa, senão devolvemo-lo e recuperamos o dinheiro. Sustentabilidade e menos lixo no chão. São estas as premissas.

Benjamin devia ter início às 19h20 mas tal não acontece. Há problemas técnicos. As escadas do MEO Arena em frente ao palco da Antena 3 funcionam com o um anfiteatro que aguarda serenamente pelo “Auto Rádio” de Benjamin que tarda. Finalmente o concerto tem início mas o som não colabora, algo que, infelizmente, se vai repetir por outros palcos. As canções de “Auto Rádio” ganham uma roupagem diferente ao vivo e um bom exemplo disso são «Eu Quero Ser O Que Tu Quiseres» e «Tarrafal», que se escutam logo a abrir. Depois é altura de partir para o palco EDP.

Os Villagers são os senhores que se seguem. Ou seriam, não estivessem também a ter alguns problemas técnicos que adiam o início do concerto. O ar de pouca satisfação de Conor O’Brien é bem visível. Eis que finalmente os irlandeses conseguem arrancar com o concerto. No entanto entre e durante canções é sempre feito algum ajuste. O palco EDP fica mesmo sobre a pala do Pavilhão de Portugal. No palco há cordas, há metais, há guitarras e há vozes que desenham delicadas paisagens sonoras. É verdade que o espaço é agradável mas não é menos verdade que o som vindo do palco acaba por fazer algum eco e estas canções precisam de ser convenientemente escutadas, porque são belas canções.

Kurt Vile, naquele mesmo palco, sofreu do mesmo problema. Houve momentos em que a voz nem se ouvia, tal era a amplificação que o espaço conferia aos restantes instrumentos, já com o volume bem alto por si só. Mas felizmente o norte-americano não consegue ser mau. E a culpa é de canções como «I’m an Outlaw» com o delicioso banjo, «Jesus Fever» onde se escuta “The Jesus fever’s falling all over / You believers and lovers” ou «Pretty Pimpin».

Com 10 minutos de atraso, eis que soa no sistema de som a «Please, Please, Please, Let Me Get What I Want» dos The Smiths, enquanto os The National entram em palco. Já perdi a conta de vezes que os vi ao vivo, bem como os locais (bem, na realidade isso não é de todo verdade… lembro-me de todas!) mas isso aqui não interessa. Arrancam com a «Don’t Swallow the Cap» e é suficiente para perceber duas coisas. Em primeiro lugar que ali, perto do palco, o som do MEO Arena continua a não soar nada de especial. E em segundo lugar que a voz do Matt Berninger não estava na melhor forma. Fruto das circunstâncias foi um concerto curto, centrado maioritariamente no “High Violet” e no “Trouble Will Find Me” mas com visitas muito pontuais ao “Boxer” e ao “Alligator” (este já perto do fim). Houve também tempo para três canções novas. A primeira, chamada «The Day I Die» terá sido por ventura aquela que pior soou. Pareceu uma canção ainda em construção e provavelmente é-o. Antes escutou-se «Bloodbuzz Ohio» e o primeiro grande coro da noite “I was carried to Ohio in a swarm of bees / I never married but Ohio don’t remember me”. «I Need My Girl» trouxe aquele momento íntimo e improvável a um pavilhão com alguns milhares de pessoas.

Nesta curta digressão pela Europa, a secção de metais que acompanha os The National está reduzida a um mínimo mas continua a desempenhar um papel fulcral nestas canções e faz perceber que estamos realmente perante uma grande banda, mesmo que não se encontrando num pico de forma e esteja em pleno processo de composição de um novo álbum, ainda sem data de edição.

Na segunda canção nova, assistimos a uma prestação intensa de Matt Berninger, curvado sobre si próprio enquanto canta “Can’t You Find A Way”. Segue-se «Sea of Love» e a primeira de duas visitas a “Boxer”. «Slow Show» continua a ser aquela canção que derrete corações e dá vontade de “Put on a slow, dumb show for you and crack you up”. Quando escutamos a «Pink Rabbit» erguemos o copo e brindamos. «England» traz a inevitável chuva ao ecrã no fundo do palco mas lá fora o calor é infernal. Nesta altura paramos um pouco e olha-se em volta. Deve-se sempre fazê-lo num concerto dos The National. Há muita introspecção, olhos fechados, corpos que parecem mergulhados num transe. «Fake Empire» é igual a si própria, fabulosa. Depois surge a terceira canção nova da noite. Enquanto a apresenta, Berninger pergunta-nos se não temos o “prom” por cá; “You guys don’t get prom? That’s the only place americans get laid!”. A canção é, das três que nos são dadas a conhecer, a mais bonita. Imaginamos uma bola de espelhos pendurada num ginásio, com as tabelas de basquete, um casal bem juntinho; ela com um vestido rosa, repleto de folhos; ele com o fato (equivalente no que a folhos diz respeito) mas em azul. O cenário é realmente perfeito para a canção, acreditem. Nela salta ao ouvido o piano que a liga com uma subtil beleza. A recta final traz «Mr November», que volta a soar actual face ao calendário eleitoral dos Estados Unidos. «Terrible Love» leva Matt Berninger a fazer a já tradicional investida pelo público. Para o fim fica «Vanderlyle Crybaby Geeks», cantada sem amplificação e por nós, com o Matt Berninger a assumir o papel de maestro. “I’ll explain everything to the geeks” ainda ecoa por aqui. Foi o melhor concerto da noite.

Os Disclosure foram exactamente aquilo que esperávamos. Tornaram o MEO Arena num gigantesca pista com um espectáculo visualmente apelativo e muito bem preparado. Os irmãos Lawrence (Guy e Howard), cada um deles sobre uma plataforma, parecem ter em palco uma banda inteira mas são mesmo apenas dois. Tocam baixo, guitarra, bateria, teclas e toda uma parafernália de maquinaria que nos oferece uma mescla de géneros que torna inevitável não dançar. Missão cumprida.



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