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SBSR Porto 09

...ou a grande desilusão.

À chegada ao Estádio do Bessa, consigo estacionar o carro mesmo à porta o que não agourava grande afluência de público.

Chego atrasada e perco os 15 minutos de Soapbox, banda vencedora do “Super Bock Super Rock Preload”. Esta banda de Lisboa é dona de um som electrónico e muito bom de se ouvir,; provavelmente teria sido uma das surpresas da noite. Chego na passagem de testemunho para a banda seguinte.

18h53 – Ainda à espera de Motor… nada mais apropriado a um belo fim de tarde que o electro techno poderosíssimo dos Motor (ou não) . Estão cerca de 100 pessoas e o Estádio do Bessa encontra-se positivamente vazio. Um palco pouco apetrechado apenas com uma bateria e teclados, espera a entrada dos Motor. Estou ansiosa para ver a reacção do público – que calculo não fazer a mais pálida ideia do que vai ouvir. Um sorriso ataca-me quando ouço os sintetizadores violentíssimos dos Motor mais apropriados a um club nocturno em fim de noite. Abrem com uma das suas músicas mais conhecidas: “Black Powder”, para tirar as dúvidas daqueles que acharam o início violento: É MESMO VIOLENTO! Sorrio ao pensar no erro de casting que foram estes senhores a esta hora…  O público não se mexe, quase estarrecido… nem o pequeno grupo que se junta à frente das barreiras… Não consigo deixar de pensar onde é que os programadores tinham a cabeça…

De repente, tudo faz (mais) sentido quando percebo que os Motor tem sido a banda das primeiras partes dos concertos de Depeche Mode… mas com o cancelamento do concerto tudo parece absolutamente despropositado. Terminam num pico de potência e ninguém sabe como reagir. No entanto, estes senhores têm um potencial incrível para incendiar qualquer club, mas aqui não o conseguiram, por todos os motivos e mais alguns.

19h30 – o fim do concerto dos Motor e a preparação para Peter Bjorn and John que se espera bem mais calmo. A afluência de público continua lenta e fraca e prevê-se que se mantenha assim durante a noite.

Nos intervalos um stand de karaoke parece ser a única movimentação no Estádio e provavelmente a mais divertida… para quem lá está.

O público espera agora por alguma coisa que o faça lembrar que isto é um dos principais festivais do país, no entanto sem o entusiasmo pré-cancelamento dos cabeças de cartaz.

20h10 – Os Peter, Bjorn and John abrem com John Eriksson a dominar o microfone e começa a soar a festival.  Peter Morén (vocalista/guitarrista) salta de um lado para o outro como se a incitar o público que parece estar ainda demasiado calmo. Transpiram energia estes senhores, passando de uma música de guitarras quase punk para uma batida quebrada que dá vontade de dançar muito lentamente.

Fogem ao alinhamento que tem seguido na tourné e seguem com o sintetizador contagiante de “It Don’t Move Me” do último álbum “Living Thing”. Segue-se “Lay It Down”, uma excelente música também incluída neste último lançamento. A massa de público começa a adensar-se mas não o suficiente para se criar uma consciência colectiva de pura diversão.

O vocalista diz, “let’s fill this stadium” mas esse espírito ainda não possuiu o Estádio do Bessa, “composto” mas ainda a ¼ da sua lotação. Entra “Just the Past”, prevendo uma primeira parte dedicada à promoção do último álbum, mas todos sabemos que o público anseia ouvir “Young Folks”, considerada já a música “trade mark” desta banda sueca.

Eis que se ouve o assobio mais esperado da noite e sente-se algum conforto por parte das pessoas que ainda não se tinham sentido integradas, Peter Morén aproveita a deixa e desce do palco, vai até ao público e dança sempre com uma óptima energia de quem não está muito interessado se o estádio está cheio ou vazio e isso passa um sentimento de extremo conforto. Anunciam a última música, agradecendo vivamente a quem cá estava. Acabam com “Objects of My Affection” e fica na memória a óptima energia desta banda.

20h50 – …e tudo se prepara para as covers de grandes clássicos cantados por meninas de voz meiga.

21h15 – Lentamente entram os Nouvelle Vague e abrem com “Road to Nowhere” dos Talking Heads e a noite começa a cair. Hilariante pensar que umas horas antes se ouvia o total oposto desta quase lamechice com os Motor. Por ironia do destino ouve-se “Master and Servant”, cover dos ausentes Depeche Mode e sentem-se saudades. Segue-se “Ever Fallen in Love” dos Buzzcocks numa versão bem conseguida e muito dançável.

A noite cai de vez, e ouve-se uma versão da “The Guns of Brixton” dos The Clash e ironicamente  ouvem-se grilos incluídos no arranjo da música. “You have to be a little drunk for the next song” diz uma das vocalistas e ouve-se “Too drunk to fuck” dos Dead Kennedys  e aquela frase ganha sentido. Ouve-se a versão mais doce de sempre de “No Future” dos Sex Pistols e a vocalista dança como se não houvesse amanhã.

Recorda-se novamente Depeche Mode revisitado com “I Just Can’t Get Enough” e quer-se muito não acreditar que não os vamos ver. Tocam uma das mais bonitas versões dos Bande A Part com “Dance with me” e é impossível não se ficar encantado com esta música. Eis que se ouvem as famosas palavras “When I’m out walking, I strut my stuff, yeah Im so strung out!” e todos sabem que vem aí um dos grandes hinos da adolescência “Blister in the Sun” dos Violent Femmes e toda a gente canta esta música de cor.

Os acordes contagiantes da guitarra denunciam “Friday Night Saturday Morning” dos “The Specials”  e as vocalistas dançam frenéticas e o público dança a sério pela primeira vez. Falam na ausência de Depeche Mode e dedicam-lhes uma última música, a conhecida versão dos Joy Division e todos cantam “Love Will Tear Us Apart” no momento mais bonito e arrepiante do concerto desta banda francesa.

No momento em que entrariam os Depeche Mode, preparamo-nos para receber os portugueses The Gift e é impossível negar a grande desilusão que foram as escolhas para a substituição da banda britânica. Sabemos da urgência da resolução deste problema, mas é inegável a insatisfação de todos os que aqui se encontram (e os que ficaram em casa com o bilhete na mão), pela solução mais fácil de sempre: os já mais do que habituais The Gift e os jurássicos Xutos e Pontapés que já nada trazem de novo excepto aos eternos e incansáveis fãs.



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