SBSR XL ACT2

Os indies e a roupa larga.

Por contraste com o Act 1 do Festival Super Bock Super Rock (SBSR) deste ano, o segundo tomo do certame pecou pela reduzida afluência de espectadores ao recinto instalado no Parque Tejo. Um mercado de concertos com demasiada oferta ou a realização do Act 2 a meio da semana foram alguns dos motivos apontados para a quebra massiva de espectadores.

Valeram, contudo, alguns concertos, particularmente no dia 7 de Junho.

O palco Worten/Quinta dos Portugueses teve o seu primeiro bom momento através de The Weatherman, que trouxe a sua (boa) pop solarenga ao ainda muito despido cenário do Parque Tejo. Alguns problemas técnicos e alguma descoordenação vocal impediram uma actuação mais certeira, mas ficou no ar a certeza de alguma boa evolução ao vivo. Mais tempo e mais concertos ajudarão.

Antes, já os Editors haviam inaugurado o palco principal do SBSR versão Act 2 com louvável sucesso. A sonoridade (negra, depressiva) da banda pedia um concerto de noite mas nem a condicionante de tocar de tarde aliada ao pouco público presente no recinto por esta hora (18h00) impediu os britânicos de se estrearem de forma muitíssimo convincente em solo nacional. Provavelmente a maior surpresa de todo o Festival, ficou no ar o desejo comum de rever a banda em nome próprio num espaço mais ajustado à sua sonoridade e atmosfera. Uma Aula Magna, por exemplo…

Longe de serem estranhos em palcos portugueses, há que atentar no excelente momento de forma actual dos belgas dEUS. Depois de uma desastrada passagem pela edição 2004 do Festival Sudoeste, “Pocket Revolution”, o disco, e uma dupla data (em finais do ano passado) na Aula Magna de Lisboa revitalizaram a imagem da banda, algo que o concerto de dia 7 de Junho terá contribuído para solidificar ainda mais. Enérgico, sempre forte e muito suado, o concerto dos dEUS mostrou uma banda muito coesa entre si, algo que parecia definitivamente perdido há um par de anos. «Suds & Soda», no final, foi o que se esperava, a cereja no topo do bolo. Um grande concerto, e uma banda de regresso à grande forma. E bem que precisamos de dEUS para nos continuar a iluminar por mais alguns bons anos.

Depois de uma relativamente discreta passagem dos Peace Revolution pelo palco nacional, os The Cult colocaram ao rubro, de forma mais ou menos imprevista, uma grande fatia da assistência do SBSR. Ian Astbury (o tal que andou aí a fazer de Jim Morrison em tempos recentes) gritou por Figo, agradeceu a entrega dos presentes e deu corpo (e alma) às canções dos The Cult, com o apoteótico final em «She Sells Sanctuary». Rádio Nostalgia versão “trintão-de-casaco-de-cabedal”, ou como o rock no seu estado mais puro ainda consegue abanar umas boas ancas.

Paragem seguinte nos promissores Linda Martini, no palco secundário. Óptimo concerto apesar de, sim, outra vez, alguns problemas técnicos terem limitado a total confirmação ao vivo da banda de Queluz. Apresentaram três temas novos, a incluir no disco de estreia (“Olhos de Mongol”), a editar em Julho. Recuperaram «Amor Combate» (também a incluir no álbum), já um clássico nacional da geração “Converse All-Star”, crachá no casaco de ganga. O aplauso geral aos primeiros acordes do tema surpreendeu a banda (impagável a expressão da baixista Cláudia), mas o poderio instrumental dos Linda já só surpreende quem não os conhece de antemão. E espera-se que os muitos nessa situação corrijam rapidamente tal estado. E venha o disco!

Os Keane têm um novo disco de originais em mãos, de seu nome “Under the Iron Sea” – foi aí que o alinhamento do concerto no SBSR se centrou, num gesto arriscado mas nem tanto. Nem tanto? Nem tanto. Afinal, as novas composições são, regra geral, tão boas ou melhores que as do primeiro “Hopes and Fears” e o apurado sentido e apelo pop continua em alta. O concerto foi bom, certíssimo, bastante próximo do visto na Aula Magna há sensivelmente um mês. Começou com um fabuloso instrumental, viu passagem pelos singles óbvios do primeiro disco e mostrou as novidades ao público. “Under the Iron Sea”, provavelmente um dos mais certeiros e bem feitos discos pop do presente ano. Ao vivo, fica a certeza – os Keane são já uma das mais bem oleadas máquinas da pop britânica actual.

Regresso ao palco nacional para ver The Legendary Tiger Man ser atacado – certo, adivinharam! – por problemas técnicos. Paulo Furtado fez questão de mostrar a sua revolta, e foi num constante interesse pelo que iria fazer o músico a seguir que decorreu o espectáculo. “Masquerade”, a novidade, foi mote para mais uma mostra de bom blues-rock, cortesia do músico português com mais pinta dos últimos tempos. Mas o que o povo queria era mesmo Alex Kapranos e companhia.

Os Franz Ferdinand tocaram pela terceira vez em Portugal nesta edição do SBSR. Sem surpresas, triunfaram. Justiça seja feita, triunfaram porque fizeram por isso – deram ao público o que o público queria mas fizeram-no com muita energia e competência. Podem ser um tanto ou quanto sobrevalorizados criticamente e até algo cansativos musicalmente, mas a verdade é que conseguem, através das suas canções e postura, cativar um elevado número de pessoas para a sua sonoridade. Em Portugal somam triunfos atrás de triunfos. Resta saber quando será o próximo…

O dia 8 de Junho afastou-se completamente das sonoridades mais indie da noite anterior e apostou no hip-hop, com algumas (poucas) vitórias, diversos empates e uma desilusão geral.

Do lado positivo, urge destacar o concerto de Pharrell, um verdadeiro entertainer e, musicalmente, o mais interessante nome do dia. Boss AC foi o outro grande vencedor da noite. Por entre concertos interessantes mas pouco mais que isso de gente como Mercado Negro ou Kalibrados, destaque para a decepção geral que foi 50 Cent, mais interessado em aumentar o seu ego do que propriamente em oferecer um bom espectáculo aos presentes.

Foi com as boas vibrações de Patrice que o SBSR se despediu de 2006. Para o ano há mais, não se sabe ainda se no mesmo formato versão dois Acts. Venha a música!



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