Scott Matthew @ São Jorge (20-4-2015)

Scott Matthew @ São Jorge (20-4-2015)

Bom disco a casa torna

Meia casa no São Jorge para acolher Scott Matthew na apresentação do seu novo disco, “This Here Defeat”. Um disco gravado em Lisboa e que retornou à cidade para ser apresentado ao vivo, tendo sido tocado praticamente na íntegra (apenas «Soul To Save» ficou fora do alinhamento).

Apesar do foco do concerto apontar obviamente para o seu quinto trabalho de estúdio, os discos anteriores acabaram por ser igualmente todos revisitados.
Scott Matthew é um cicerone bastante simpático, e que comunica constantemente com o público, usando tal estratégia para diminuir a distância entre ambas as partes. E fá-lo para não se sentir tão observado, como confessou, mas também para melhor se defender dos demónios que se escondem nas esquinas de todos os versos das suas canções.

“This Here Defeat” é um disco que correu o risco de não existir, graças exactamente a esses demónios, que quase levaram Scott Matthew a abdicar da sua carreira, cansado de navegar por entre os amores e desamores que as suas letras retratam.

Essas canções foram enfrentadas pelo australiano com a companhia de um trio de músicos, consistindo, na maioria do tempo, num violoncelo, guitarra e teclado, embora os instrumentos fossem rodando entre umas e outras mãos ao longo da noite. O alinhamento tinge-se do chamber pop característico de Scott Matthew, atravessando muita vez latitudes britânicas, trazendo à baila nomes como Elbow, Costeau, Glen Hansard, ou até Divine Comedy.

Os tons são quase sempre soturnos e intensos, sendo a excepção o refrescante «Bittersweet», quiçá por ter sido escrito aquando da última passagem do cantautor pelo seu País de origem.

Não se nota a diferença quando o alinhamento salta de um disco para outro, porque os sentimentos acabam sempre por dominar as composições deste australiano, facto que transmite uma humanidade permanente à sua actuação. Para além das suas mágoas, Scott Matthew trouxe-nos igualmente as dores de outras vozes, não sendo segredo para ninguém que o australiano adora covers, dada a gravação de um álbum inteiro de versões, há um par de anos, intitulado “Unlearned”. Presenteou-nos com a sua interpretação de artistas tão diferentes como Whitney Houston e Sex Pistols, passando por John Denver, a quem pertence a música que mais gosta de entoar.

Antes de se despedir, agradeceu a Rodrigo Leão (com quem colabora regularmente) por lhe ter apresentado o nosso País, onde diz cantar melhor que em qualquer outro lado, e convidou o público a tomar um copo logo após o concerto, oferecendo-nos um abraço final ao som de «Into My Arms», original do seu compatriota Nick Cave.

Foi o final de uma noite bem bonita.

Alinhamento

1) Effigy
2) Ode
3) Here We Go Again
4) Skyline
5) The Wonder of Falling In Love
6) Habit
7) I Wanna Dance With Somebody (cover de Whitney Houston)
8) Anarchy in the UK (cover de Sex Pistols)
9) Ruined Heart
10) German
11) Constant
12) Palace of Tears
13) This Here Defeat
14) Everything Happens To Me (cover de Chet Baker)
15) Every Traveled Road
16) Bittersweet
17) Darklands (cover de Jesus & Mary Chain)
18) Annie’s Song (cover John Denver)
19) Abandoned
20) Into My Arms (cover de Nick Cave)



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