Se és tão esperto, porque é que não sabes escrever “sussurrar”?

“Se és tão esperto, porque é que não sabes escrever “sussurrar”?” | Barbara Esham, Mike e Carlo Gordon

Problemas ditos em voz alta

A Catarina é uma criança de oito anos que descobre, surpreendida, que os adultos não são os seres perfeitos e infalíveis que ela imaginava. E tudo por causa de uma única palavra: “sussurrar”. É que o pai da Catarina, adulto e até advogado, não sabia bem o número de “esses” e “erres” que tal palavra levaria e confessou à filha: “Não tenho a certeza.”

Neste novo volume da Coleção “Geniozinhos” – “Se és tão esperto, porque é que não sabes escrever “sussurrar”?” (Arte Plural Edições, 2013) – o trabalho conjunto da autora Barbara Esham e dos ilustradores Mike e Carl Gordon prossegue com os seus retratos das dificuldades das crianças, inseridos em episódios da rotina, da vida de todas as famílias, da realidade de todos nós.

Desmitificando palavrões como “dislexia”, a história da Catarina irá ao encontro de muitos pequenos estudantes que nem imaginariam que não saber ler e escrever algumas palavras pode ser um distúrbio de leitura, escrita e soletração, identificado e passível de ser menorizado. Contudo, o grande trunfo desta coleção está na forma sustentada e pertinente como chega a pais, professores e educadores. Daí ser recomendada pela “Parents’ Choice Foundation” e já ter sido distinguida com o Prémio Escolha dos Pais da “American Library Association Booklist”.

Em muitas escolas, em várias turmas, no círculo de amigos de todos nós, existem “Catarinas” que não entendem a dislexia e muitos pais da Catarina que, em pequenos, sofrem com esta dificuldade em silêncio, aprendendo depois a vencê-la, tornando-se profissionais de excelência no seu ramo.

Este livro é um rastilho para que as crianças, juntamente com os pais, os professores e os educadores, investiguem e se informem, passando as chamar os problemas pelos nomes, em voz alta e sem preconceitos. Sabendo que numa criança pode existir um problema mas existe também uma infinitude de mais-valias e de possibilidades. Sabendo que uma criança disléxica não é sinónimo de um adulto incapaz. Sabendo que somos todos diferentes, tanto no que sabemos fazer de mais brilhante como nas fragilidades que não podemos deixar que nos ofusquem.

 

Da mesma colecção:

A caligrafia toda bonita da Andreia Gomes” | “Geniozinhos

 



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