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SETE ESTRANHOS NO EL ROYALE

Um filme por capítulos.

Não se trata de uma comédia, mas no final pode deixar-nos com muita vontade de rir. Está classificado como sendo um thriller, suspense ou mistério, mas não daqueles que nos fazem saltar da cadeira. O facto de ser um filme cujo argumento se desenrola à volta de sete personagens faz com que haja vários momentos de contextualização do espectador recorrendo a analepses. Saltamos de história em história à espera de saber como vai acabar a noite em que o hotel bi-estadual El Royale, entre a Califórnia e Nevada, recebe alguns hóspedes com segredos bem particulares.

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Durante cerca de duas horas somos embalados pelo jogo de adivinhar quem é a próxima vítima daquela noite em que sete pessoas se encontraram no mesmo sítio e no timing errados.  Somos levados a fazer apostas mentais de quem irá ser o próximo a morrer ou de quem queremos que sobreviva. Nada é previsível! Mas é possível que os nossos favoritos acabem bem. O fator surpresa, embora sem o susto habitual dos thrillers, é o melhor num filme de mistério. Mas o suspense não chega a instalar-se por causa da forma capitular em que o filme se divide.

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A fotografia e os planos deste filme também cortam o efeito do suspense, pois transportam-nos para um policial dos anos 90, com luzes vermelhas e néon, o que retira o drama das cenas, assemelhando-se por vezes à estética de Pulp Fiction, de Quetin Tarantino. A falta de drama está também no facto de nunca se saber tudo sobre este hotel sinistro com histórias macabras e donos que, durante anos, vigiam os seus hóspedes. Os quartos têm escutas e um espelho de dupla face que faz referência à teoria da conspiração que parece perseguir os americanos em muitos filmes e séries. Só que aqui nunca chegamos a saber quem é o autor da grande discórdia entre os desconhecidos que se encontram neste hotel numa noite fatídica.

A escolha do elenco também torna tudo menos dramático. Reúne a cantora e atriz Cynthia Erivo, que acompanha grande parte do filme com a sua voz angelical, o veterano Jeff Bridges, a atriz de Fifty Shades of Grey – Dakota Johnson – sem uma caracterização que a distancie da trilogia de bondage e Chris Hemsworth, mais conhecido pelo seu papel como o super-herói  da Marvel, Thor.  Um conjunto pertinente de atores, que tão cedo não voltamos a ver reunidos noutro trabalho.

A falta de elementos dramáticos é na verdade o que torna esta longa-metragem de Drew Goddard, mais conhecido pela produção de séries como Lost ou A Vingadora, um produto com características distintas. Há claramente aqui uma vontade de fazer um tipo de ficção que nos mostra a realidade através de uma lupa, onde os segredos mais obscuros que o ser humano pode guardar são ilustrados com disfemismo e sem pudor pelos mais sensíveis.

Mais do que um filme de suspense ou mistério, trata-se de uma sátira ao sofrimento humano, que guarda as gargalhadas de incompreensão do espectador para o final.

Desvenda o mistério do El Royale esta quinta-feira, 18 de Outubro.



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