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“Shut Up and Play the Hits” – O Fim dos LCD Soundsystem

“Se é um funeral, que seja o melhor de sempre”

“Se é um funeral, que seja o melhor de sempre”. É assim que se apresenta a documentação das últimas quarenta e oito horas dos LCD Soundystem: o dia do concerto e o dia depois. Neste período de tempo, a dupla Dylan Southern e Will Lovelace reuniu, entre conversas e excertos do último tomo da banda em Madison Square Garden, um testemunho de uma dimensão humana com escassos precedentes, que agora chega às salas.

Desde logo é marcada a posição dos autores, que fazem nascer um documento para eles também: uma dupla de melómanos, que documentou o fim de uma das bandas mais pertinentes da última década. E, assim, não interferem na acção, nem cortam músicas aos retalhos para condensar tudo num objecto jornalístico. Ao invés, acabam por erguer um produto que poderá ser mais uma soma de filme-concerto com o género documentário, escapando aos lugares-comuns deste tipo de plataformas.

Logo no início, é-nos mostrada a última entrevista de Murphy enquanto membro dos LCD Soundystem num late-night-show, onde não tem espaço para responder às perguntas que lhe são feitas, tendo em vista a dissolução da banda. De facto, poder-se-á dizer que “Shut Up and Play the Hits” anda à volta dessas questões durante quase duas horas, mas acaba por ser mais do que isso.

Assim que é apresentada «Dance Yrself Clean», primeira música do concerto, logo nos apercebemos da sensibilidade: os planos são de tal forma focados na banda que dificilmente acreditaríamos que esta se encontra em frente de uma multidão de vários milhares de espectadores, até que o plano final os revela. E isto é de louvar: encontrar este intimismo num concerto desta dimensão e documentá-lo é fruto de uma sensibilidade óbvia, um pouco à semelhança do que acontece com a banda em questão; veja-se o débito de temas como «All My Friends» ou New York I Love You But You’re Bringing me Down» e respectiva recepção. Melhor que isto só a experiência in loco.

Será também na documentação do concerto (e respectiva interligação com as cenas da vida privada de Murphy) que está a prova de fogo deste discurso: as várias escalas – o músico, a banda em si, o público enquanto massa e o público enquanto conjunto de espectadores – são abarcadas de forma igual, e não há medos em entrar pelo meio do público e filmar as pessoas, mesmo que às vezes isso signifique deixar a banda para segundo plano.

No entanto, será ao misturar cronologicamente os eventos que a dupla thirtytwo revela um dos grandes trunfos: acompanhando Murphy com uma câmera tímida e passiva, que está mais interessada em observar e escutar o que o músico tem para dizer e fazer do que em pedir-lhe que esclareça alguma coisa. E este acaba por tornar “Shut Up and Play the Hits” num dos mais memoráveis documentos sobre a história da música contemporânea.

“Shut Up and Play the Hits” pode ser visto na próxima quinta-feira, 25 de Outubro, no Lux Frágil, integrado na programação do DocLisboa. Estreia a 01 de Novembro.



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