Sir Giant

Entrevista com Sir Giant...

Sir Giant é mais um exemplo de como a música nacional está diferente. Munido “apenas” da sua força de vontade e criatividade, o músico tem conseguido encontrar o seu espaço nas playlist’s nacionais com o single “I’m 25”, que tem tudo para se tornar uma excelente “malha” para este Verão. Reggae, Rock, Ska e Dancehall, são algumas das influências que pudemos escutar no seu primeiro EP de originais. Fiquem com a entrevista a Sir Giant e habilitem-se a ganhar um exemplar do seu excelente EP.

RDB: Quem é o Sir Giant? Como surgiu este projecto?

Sir Giant: Sir Giant é uma pessoa que decidiu arriscar num projecto a solo… mas mesmo a solo, gravando todos os instrumentos e voz. Sir Giant acaba por ser a realização de um sonho, uma meta alcançada! Sempre senti necessidade de dar a conhecer o meu trabalho e sempre foi difícil arranjar as pessoas certas, com as mesmas ideias, os mesmos objectivos para seguir em frente a 100% com uma banda. Decidi arriscar neste projecto “solitário”, mas que tem vindo a receber boas críticas e a arrecadar alguns fãs.

Criaste um estúdio e gravaste o teu EP. Tiveste algum tipo de apoio? Não deve ter sido fácil monetariamente

Para que as pessoas não pensem errado, o estúdio não foi criado para a gravação do EP, até porque este foi gravado no estúdio do guitarrista dos EASYWAY (Miguel Marques, “Vegeta”), os “GENERATOR STUDIOS”. O estúdio que foi construído por mim foi apenas o local onde as músicas começaram a ser criadas, mas que era um estúdio de ensaios de bandas e onde foram gravadas algumas maquetas.

Quanto ao EP em si, não tive qualquer tipo de apoio. Foi todo idealizado e pago por mim, do meu bolso. Foi um grande investimento, mas que valeu a pena. Hoje em dia as bandas que estão a começar deixam um pouco de lado a qualidade da imagem do CD, do som, dos arranjos. Mas mesmo assim sinto que há uma maior preocupação do que há uns anos atrás, quando ainda andava eu a gravar maquetas em cassete e a tirar fotocópias a cores para fazer as capas. Às vezes eram fotocópias sobre fotocópias, trabalho esse que hoje em dia é feito em 2 minutos em casa e com melhor qualidade.

Achas que é fundamental o espírito DIY (Do it yourself) para um músico dar a conhecer o seu trabalho?

Tal como disse na resposta anterior, vejo que há uma maior facilidade em ter um bom trabalho para mostrar, sem precisarmos de editoras. É cada vez mais comum termos amigos que são designers ou mesmo nós darmos uns “toques” em design (como é o meu caso que fiz o site e faço algumas coisas nesse campo), termos amigos que nos arranjam programas de gravação de música e design para trabalharmos em casa. E com a chegada da internet, facilmente se chega ao outro lado do planeta em segundos. Em conversa com amigos ou apenas pessoas que me abordam, digo sempre: “só quem não quer é que não usa a net da melhor forma”! Temos tantos sites e formas de chegar a quem interessa (é claro, temos de ter um bom produto para mostrar). Acho que antes o percurso das andas era: compor, gravar e enviar para editoras. Hoje em dia passa por muito mais: compor, gravar, criar um site, enviar as músicas para sites de música, revistas, TV, rádio… e no fim acaba por ser menos importante o papel da editora, porque temos tanta facilidade em chegar aos meios de comunicação, que a editora serve só quase para investir dinheiro (não é assim tão linear, mas quase). Sou 100% apologista de que as bandas devem delinear um plano para promoverem o seu trabalho, fazer uma lista de sítios para onde enviar o seu material, preocuparem-se com a imagem que passam “cá para fora” para o público (seja imagem em si, seja o som) e esperarem que as editoras os contactem. Nessa altura podem ter a certeza que têm valor.

A edição deste EP serve para “preparar terreno” para um disco de originais? Já existem planos?

Está a ser planeado o lançamento de um albúm em meados de Outubro. Tenho algumas coisas já em mente, mas ainda é muito cedo para “abrir o jogo”, porque depende do que acontecer até lá, mas sem dúvida será por volta de Outubro.

Qual foi a importância dos convidados na gravação destes temas? Como actuas ao vivo? Tens uma banda fixa?

Tenho um banda que me acompanha, composta por baterista, baixista e 2 guitarristas. Para já é a formação fixa. Os convidados que aparecem no disco são apenas complementos (saxofone e scratch). Tenho a participação do Nuno, que tocou baixo em 3 das 5 músicas, porque foram “malhas” de baixo criadas por nós os dois e quis que ele fosse a pessoa a gravar essas mesmas “malhas”. Felizmente consigo tocar os instrumentos base (bateria, baixo e guitarra) e cantar, o que me possibilita criar tudo sozinho e ter os convidados apenas para serem a “cereja no topo do bolo”!

“I’m 25” tem tido um sucesso considerável. Não te incomoda estares “colado” aos Morangos com Açúcar e a toda essa comercialização?

Não sei até que ponto os Morangos com Açúcar tiveram uma importância grande neste “sucesso”… a música apenas tocou no 1º episódio da 3ª série e não voltou a tocar. Sei que há fóruns na internet que contém a “I’m 25” como sendo pertencente à lista de músicas da 3ª série. Uma certeza tenho: a Antena 3 foi crucial neste “boom” da música!

Ficaste surpreendido com este sucesso?

Não posso dizer que fiquei… ainda estou surpreendido! E para ser sincero, acho que ainda nem sequer me apercebi da quantidade de pessoas que atingiu, nem da força que possa ter. Às vezes sinto Sir Giant um pouco como uma banda “fantasma”… existe a música, mas apenas agora o EP está a ser comercializado oficialmente, o vídeo ainda não está a rodar nas TV’s, desde Outubro que a banda não deu concertos… por isso acho que as pessoas conhecem apenas a música, mas ainda não associam a um nome, a uma imagem. Pelo menos é a ideia que tenho…!

Achas que existe um hype em torno do teu tipo de sonoridades – Reggae/Ska/Dancehall?

Penso que o Reggae de repente começou a crescer muito, não só em Portugal, mas em muitos outros países. Por um lado pode ser bom, porque acho que é um tipo de música que em grande parte transmite um espírito positivo e de união entre as pessoas, mas por outro pode-se tornar “cansativo” ao final dum tempo, com tantas bandas a aparecer. Claro que para SIR GIANT, estar no início desta onda que está a crescer cada vez mais é super positivo e espero que me consiga aguentar durante bastante tempo e não ser mais um artista que se torna super conhecido e que toda a gente consome (muitas vezes sem perceber porquê). Quero que as pessoas comprem os discos de SIR GIANT e vão aos concertos, por aquilo que lhes transmite e não porque o amigo gosta e é moda. O meu objectivo enquanto músico e artista é fazer sempre algo de certa forma novo (no sentido de não fazer dois albuns exactamente iguais, mas com músicas diferentes), para que as pessoas sintam que há uma evolução em termos musicias e mesmo pessoais naquilo que é SIR GIANT.

Para mim o mais “triste” por vezes é ver pessoas gostarem de reggae, porque agora é moda ouvir e tocar reggae. Eu posso dizer sem qualquer problema (e quem me conhece sabe bastante bem isso), que há uns 7 ou 8 anos eu detestava reggae. No entanto comecei a ouvir mais e melhor e comecei a apreciar. Não sou de todo conhecedor das raízes deste tipo de música, nem é o meu objectivo. Gosto de fazer música que me vai na alma, sem me preocupar se sei ou não a cultura propriamente dita (quando há). Ao contrário de 99% das bandas e artistas reggae, eu não fumo, nem tão pouco sei o que significa JAH e Rastafari. Para mim reggae é música e aquilo que ela me transmite. Respeito quem, por trás do reggae, vive algum tipo de ideal / religião. Só acho desnecessário algumas bandas terem necessidade de falar em JAH, Rastafari ou cantar com sotaque para soar a reggae. Mas cada um é como é e desde que as pessoas não me coloquem de lado por não usar os “clichés” do reggae, fico contente. Há muito boas bandas em Portugal e o que importa é haver apoios entre elas e de quem tem poder para lhes dar algum futuro na música!

Quais as tuas motivações para compor? Conta-nos as razões do “I’m 25”.

Acho que como qualquer artista (seja músico, pintor, etc) a inspiração vem de dentro, daquilo que sentimos. Há momentos em que apenas um sorriso de alguém nos pode inspirar, tal como uma lágrima. Nem há por isso momento certos para compor. É quando e onde calha.

Quanto à “I’m 25”, foi escrita numa altura de revolta minha, em que a minha vida estava um pequeno caos. Decidi desabafar apenas um pouco dessa mágoa e acabou por ser uma música que pegou…

Como foi a experiência em Londres? Qual foi a reacção da imprensa britânica?

Apenas posso dizer que foi uma experiência excelente. Não há palavras para descrever o que é estar num estúdio onde há centenas de pessoas a trabalhar, onde tudo se passa, onde se respira música a 100%! As pessoas foram excelentes comigo, super simpáticas e dedicadas.

Infelizmente a imprensa britânica não chegou a fazer qualquer tipo de cobertura. Apenas a Antena 3 fez um directo quando estava em estúdio, tal como a MTV Portugal realizou uma entrevista que passou no MTV Buzz!

Onde podemos assistir a uma actuação de Sir Giant nos próximos tempos?

De momento está agendado o concerto com Natiruts (Brasil) e Dub Incorporation (França), em Cascais, na Fortaleza da Cidadela, no dia 17 de Junho.



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