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“Sizígia”

Uma curta-metragem na Piscina das Marés.

Na noite de apresentação do filme “Sizígia”, a afluência ao anfiteatro do Passos Manuel foi de tal ordem que foram necessárias duas sessões para satisfazer a multidão. Para além da exibição da curta-metragem, pôde-se ainda contar com uma introdução feita pelo realizador, o arquitecto Luís Urbano, e com algumas palavras dos arquitectos Alexandre Alves Costa e Manuel Graça Dias, disponíveis também para uma sessão de perguntas e respostas.

“Sizígia” surge no contexto de “Ruptura Silenciosa”, projecto coordenado por Alexandre Alves Costa que visa um cruzamento entre a arquitectura e o cinema portugueses entre 1960 e 74. Nesta altura arquitectos propunham alternativas à linguagem internacional e ao português suave salazarista, enquanto no cinema apareciam expressões ligadas à nouvelle vague francesa por oposição ao cinema d’”O Pátio das Cantigas”.

Esta foi a primeira de nove curtas-metragens que visarão sempre um elemento arquitectónico que, de algum modo, represente uma ruptura. Durante a sessão Alves Costa explicou porque é que a Piscina das Marés, de Siza, é um bom exemplo de arquitectura de ruptura – pela artificialidade do construído, por não recorrer a nenhuma linguagem arquitectónica usada em Portugal e por corresponder, ela própria, a uma mudança no percurso do jovem arquitecto. Pouco tempo antes Siza fizera a Casa de Chá da Boa Nova, que ao contrário da Piscina se integra perfeitamente na envolvente ao mimetizar de algum modo a paisagem que a rodeia.

Em “Sizígia” a Piscina é simultaneamente o cenário e a razão de ser de todo o filme. A narrativa subtil que é introduzida não ofusca nem faz esquecer o ponto principal, evidenciando até a arquitectura como elemento que existe para ser vivido e amado. O realizador apontou as características cinematográficas do edifício como um dos motivos para ser este o escolhido para a primeira curta, tanto no que diz respeito ao percurso que é delineado até ao exterior, como pelo enquadramentos e controlos de luz pensados pelo arquitecto. Estas virtudes espaciais foram aproveitadas ao máximo pela equipa responsável, sendo o resultado dezassete minutos nos quais o espectador é envolvido pelo objecto arquitectónico, imergindo num mundo rico e feito de contrastes – o construído e o existente, a luz e a sombra, o sossego do Inverno e o bulício do Verão. Ao longo do filme vai sendo construído um “suspense” suave mas que seduz o espectador, não deixando de mostrar a obra arquitectónica na sua plenitude.

No final da sessão ficou-me o entusiasmo provocado por um óptimo filme e a vontade de ver as curtas que ainda estão por vir, desejo estimulado por um trailer muito sugestivo do que nos espera em Março.



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