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SLAM LX #2

Ó Poeta, informa-te das regras, ganha coragem e vem slammar.

O convite às noites de SLAM LX no Musicbox, Cais do Sodré, pode ser escrito de mil e uma maneiras mas basicamente é o que acima se reproduz. E aqui se resume: poetas, precisam-se! Correcção: poetas que slammem.

Para quem não sabe SLAM LX são noites de poetry slam, organizadas pelo Musicbox. Começaram em Outubro e ocorrem na última quinta-feira de cada mês. SLAM LX é o convívio de uma tribo de slammers que tem vindo a formar-se nos últimos dois anos nesta que é já uma tendência urbana e que muito cresceu devido a este palco no Cais do Sodré aquando este abrigou o Festival do Silêncio. Mas atenção, é uma tribo simpática e meiguinha, cheia de humor, do bom. Não há cá grupos restritos, nem pode haver, o SLAM precisa de ritmo e não é só o das palavras, é de quem as diz. SLAM LX é, afinal, uma ode à palavra dita e o ritmo não pode parar. Vem!

A descrição do SLAM LX também tem formas menos eloquentes mas a exaltação é grande: a RDB é media partner das noites Slam Lx! O que trocando por rimas quer dizer: SLAM LX é também um concurso e nós vamos lá estar, nas oito eliminatórias e grande finalíssima em Maio, para vos ver a slammar! (dissemos media partner, não dissemos slammers, por isso temos desconto, que o que interessa é a intenção e dar o exemplo: peguem nos textos e nas rimas, coragem, aventurem-se!)

Estivemos por isso no SLAM LX #2 que contou com a presença do dizedor Silva o Sentinela e do humor de Salvador Martinha, a provar que não há limites para o SLAM. Salvador Martinha declamou um texto com muito potencial, sempre agarrado ao papel e, depois e com mais à-vontade, fez o que sabe fazer melhor: Cenas! E até houve lugar para um mix de rimas, ritmos africanos e toda a plateia de braços no ar.

SLAM LX #2

A performance e presença em palco são essenciais no SLAM. Não deixes que isso fique na gaveta junto com os teus textos e poemas. Há aqui uma dicotomia e sempre um dilema para os membros do júri como Nuno Miguel Guedes, júri da casa, explica.“Há pessoas que têm muita coisa para dizer, com bons textos em casa e vêem nestes eventos uma oportunidade mas acabam por não se informar sobre as regras de interpretação e de palco. Há textos muito bons que merecem ser editados mas não servem para ser ditos. E vice-versa, textos muito bons para ser ditos mas que em papel perdem a força toda”.

Para quem acha que sabe, Nuno Miguel Guedes reforça as regras e, obviamente, o enigma que só se resolve, no final, com coragem e com aquele “bichinho” que a poesia deixa a roer cá dentro e que às vezes (é experimentar), ora dissipa os medos no palco, ora arrasa pela beleza do texto. “Quem quiser meter-se numa aventura destas, é preciso ter coragem e fazer um trabalho de casa para vir mais confiante. Só o facto de terem o papel na mão não deve acontecer. É trazer o texto na cabeça, e depois partir para outra coisa com performance e improviso, dar-lhe uma parte teatral. Nada como ir ao youtube, informa-se do que se faz no Poetry Slam em Berlim, Nova Iorque e todas as grandes metrópoles”.

SLAM LX #2

No final da noite, e sem youtube para confirmar as regras, aconteceu algo raro mas não impossível. “Às vezes a forma sobrepõe-se ao conteúdo e às vezes é o conteúdo que se sobrepõe à forma”, contava no início da noite Nuno Miguel Guedes. Com uma doce forma de slammar, e sobretudo com a força poética dos seus textos, Paula Leal Cortes (con)venceu o SLAM LX #2.

Houve também quem dissesse que com a nova revitalização do Cais do Sodré vão vir ainda mais e novos poetas. A RDB vai estar na próxima edição do evento para confirmar, entrevistar um novo membro do júri e mostrar tudo menos as emoções e partilhas que só se vivem nestas noites no Musicbox. As inscrições fazem-se na página da comunidade no facebook. Coragem. A poesia agradece.

Fotografia por Ana Jerónimo.



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