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Slash @ Coliseu dos Recreios

O último dos heróis.

Bem antes da entrada dos Miss Lava em palco, o público já se fazia ouvir. Sem surpresas. Esta é uma geração que vive os concertos – em sala ou em festival – do início ao fim. O “início” é a entrada na sala. O “fim” é mesmo o abandono definitivo do palco por parte do artista/banda. Na noite que foi de Slash no Coliseu temos uma mistura de gerações – a dos que viveram os Guns N’ Roses nos anos 80 e que, eventualmente, assistiram ao desastroso espectáculo de Alvalade há cerca de 20 anos e os que só recentemente descobriram a obra de um dos mais influentes guitarristas de sempre.

Antes de Slash subiram ao palco os Miss Lava. Oportunidade ideal para pôr desde logo as hormonas dos mais jovens aos saltos. Não que a banda esteja carregada de acne juvenil, mas a música dos Miss Lava – e o próprio vocalista – incita ao mosh e afins. Os Miss Lava têm qualquer coisa. Imaginem a melhor banda rock da actualidade (os Queens of the Stone Age, pois então), mas sem um vocalista tão dotado. Metam lá dentro os Led Zeppelin – há um riff que faz mesmo lembrar «Kashmir» – e Tom Morello – um ou outro solo a fazer lembrar o inventivo guitarrista dos Rage Against the Machine. Feios porcos e maus – são assim os Miss Lava. Importam-se? Nem por isso. Ámen!

O momento porque todos ansiavam chega finalmente. As luzes apagam-se, a banda entra em palco e Miles Kennedy, ele dos Alter Bridge, reclama: “Por favor, dêem as boas-vindas a Slash!”. As luzes acendem-se e aparece Slash, igual a si próprio, cheio de carisma, de cartola na cabeça, de guitarra Gibson em punho, e um jeito idiossincrático de tocar guitarra que o torna mítico.

Não admira que Slash ande em digressão com Miles Kennedy ou que tenha uma banda como os Miss Lava a abrir os seus espectáculos. Para Slash o rock é reduzido à sua essência – baixo, bateria, voz e guitarra, acima de tudo guitarra. No novo disco não quer operar nenhuma revolução. Só o tentou uma vez, nos anos 80. Tem o mérito de não andar a falhar sucessivamente.

Do alinhamento destacam-se as canções dos Guns N’ Roses: «Nightrain», «Civil War» e principalmente «Sweet Chil O’Mine» e «Paradise City» – uma das melhores canções hardrock de sempre. Ouve-se ainda o pior dos Velvet Revolver, ou seja, três canções do primeiro disco: «Fall To Pieces», «Dirty Little Thing» e «Slither». Ouviu-se uma canção dos Alter Bridge e, novamente, revela-se uma má escolha – «Rise Today». É uma pena. Tanto os Velvet Revolver como os Alter Bridge fabricaram belos discos – “Libertad”, no caso dos primeiros e “Blackbird”, no caso dos segundos.

No fim do concerto ficou uma sensação de vazio. É certo que cada fã terá o seu alinhamento ideal de Slash, mas não deixa de ser verdade que o escolhido é muito duvidoso. Em Outubro temos o concerto de Axl Rose e companhia no Pavilhão Atlântico. No final, prevê-se nova sensação de vazio. Sabemos como é o circo rock, os Slash e Axl têm dado luta, mas vão acabar por se reunir. Sobreviverão até lá?



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