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Slayer + Rasgo @ Coliseu dos Recreios (05.06.2017)

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O público adepto do metal encheu o Coliseu dos Recreios para receber os Slayer, um dos maiores nomes do género. Na anterior passagem da banda de thrash metal por Lisboa, o agora falecido guitarrista Jeff Hanneman já não tinha atuado, porque já se encontrava doente, e quem tocou no seu lugar foi Gary Holt, que continua a assumir esse posto. Como membro permanente quer em estúdio quer ao vivo temos agora Paul Bostaph na bateria, que substituiu, pela segunda vez na história, o importante Dave Lombardo.

Os Slayer apresentaram-se em Portugal, pela primeira ocasião, com apenas 50% da formação original mas nada disso pesou na performance do mítico grupo dos Big Four do thrash norte-americano. Esta foi uma prestação imaculada, sem dúvida, de um quarteto que demonstrou estar em pico de forma. A voz de Tom Araya soou melhor do que nunca, Kerry King destruiu tudo com aquela guitarra, sendo que Gary Holt e Paul Bostaph são dois grandes músicos e tocaram tudo sem qualquer problema. O quarteto não interagiu muito com o público, mas a música falou por si e quando a mesma é tocada com aquela intensidade e quase perfeição, como se os músicos que a compõem tivessem 20 anos, não há maneira de o espetáculo não ser memorável.

Não há concertos iguais e neste a banda deu tudo em palco, tendo ainda para mais apresentado um alinhamento de luxo, recheado de clássicos e ligeiramente mais extenso do que nas últimas passagens por Portugal. Ainda assim, soube de certa maneira a pouco, para os fãs, porque estava a ser tão bom que os Slayer podiam tocar mais uma ou duas horas, para além da uma hora e meia que atuaram e ninguém arredaria pé do recinto, mesmo com um novo dia de trabalho a aproximar-se. A banda veio apresentar o seu mais recente trabalho, “Repentless”, do qual retiraram somente três músicas, sendo que duas delas encaixaram particularmente bem na setlist, falamos do tema que dá nome ao álbum supracitado, que até foi o que abriu o concerto e também de «You Against You». «Disciple» meteu os fãs a cantar com toda a convicção o refrão “God Hate Us All”, aliás foram vários os refrões que foram vociferados por todos. Os pontos altos do concerto foram quase todos temas, que foram recebidos, efusivamente, pelos fãs. Ainda assim podemos referir algunss dos melhores entre os melhores: «Postmortem», «War Ensemble», «Dead Skin Mask», «Die by the Sword», «Seasons in the Abyss», «Hell Awaits», «South of Heaven», «Raining Blood» e «Angel of Death» sendo que as últimas três, pertenceram a um encore devastador.

O público mostrou-se incansável, tendo estado ao nível do espetáculo apresentado pelos Slayer e participando na festa com se não houvesse amanhã. O mosh, para os fãs mais die hard que se encontravam nas fileiras da frente da batalha, foi uma constante, tendo havido também bastante crowd surfing. Todos os integrantes dos Slayer já são cinquentões e um dia terão de arrumar os seus instrumentos mas, para já, encontram-se numa forma impressionante, pelo menos ao vivo. No dia em que terminarem o seu percurso serão seguramente recordados, por muitos, como uma das melhores e mais influentes bandas que o metal viu nascer mas também por concertos de nota máxima como este.

Antes do concerto da banda de Tom Araya e Kerry King, atuaram os portugueses Rasgo. Este recente projeto vai lançar o seu álbum de estreia no mês de outubro, intitulado “Ecos da Selva Urbana!”, de onde retiraram os temas que apresentaram nesta noite. O quinteto é formado por músicos conhecidos por fazerem parte ou terem sido membros de conhecidas bandas de metal, punk e hardcore nacionais como os Shadowsphere, Sacred Sin, Tara Perdida e Trinta & Um. Por isso não estamos a falar de novatos mas sim de músicos experientes. Talvez por isso a banda não se tenha deixado intimidar, tendo arrancado para uma grande exibição, que conquistou, do início ao fim, o público presente no Coliseu, para ver os Slayer.

Não houve impaciência nem indiferença dos espectadores durante o concerto, antes pelo contrário, a grande maioria dos presentes pareceu ter desfrutado do espetáculo desta banda, que apresentou um thrash metal poderoso, cantado em português, nada revivalista e com personalidade própria. O facto de Paulo Gonçalves cantar na nossa língua dá mesmo uma força e singularidade extra aos temas. Pela demonstração de aprovação por parte do público, a músicas como «Propaganda Suicida», «Ergue a Foice», «Homens ao Mar (Puxa)» e «Vulgo Vulto» este grupo terá ganho imensos fãs, nesta noite. Quem não teve oportunidade de ver os Rasgo e constatar a sua qualidade, poderá fazê-lo, brevemente, noutro evento muito importante que promete ser igualmente memorável, a próxima edição do VOA Fest, em Corroios.

Texto por Mário Rodrigues e fotografia por Diana Fernandes.



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