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Snuff Crew

Snuff Crew é um grande nome do regresso do Chicago House às pistas de dança, mas sempre sem revelar a identidade.

Estão alinhados com uma corrente mais crua e escura do Jack, como JTC ou Traxx, mas ao contrário do resto da claque – alguns com vários anos a dar a cara por editoras quase marginais – surgem já por cima, em editoras como a Nature (de Marco Passarani), Playhouse, Permanent vacation e a International Deejay Gigolo.

Assim começam as teorias sobre que nomes consagrados estarão por trás das máscaras, ou se serão mesmo consagrados. Não há realmente forma de se saber fora do seu círculo restrito e, para a Rua De Baixo, serão Snuff Crew Eins e Zwei (1 e 2, como os filhos do xerife em Kill Bill!) para cautelosamente tentarem acalmar a nossa curiosidade.

Em primeiro lugar porque escolheram o nome Snuff Crew? Em que medida foi uma tentativa de encontrar um nome tão “escuro” como a música?

Eins – Na verdade o “Snuff” no nosso nome nada tem a ver com filmes de Snuff. Para nós é apenas um tipo de tabaco para o nariz que podes comprar.

Uma das metades do projecto gosta desse tabaco e teve a ideia de usar o nome. Sendo assim a “escuridão” vem sobretudo das nossas camisolas negras Snuff Crew, das vozes pitched-down e, claro, da noite.

Há actualmente um grande interesse em saber mais sobre quem está por trás dos Snuff Crew. Trazem experiências anteriores enquanto DJs e produtores?

Eins – Nós queremos esconder a nossa identidade. A música devia ser importante e não as pessoas por trás dela. Antes de começarmos, os Snuff Crew já tinhamos trabalhado juntos usando outros nomes e produzindo outros estilos. Hoje em dia ambos trabalhamos também noutros projectos para além de Snuff Crew.

Li recentemente uma transcrição de uma entrevista feita ao DJ Stingray para a The Wire e a certa altura ele diz que toca com máscara porque acha que é a melhor forma de manter a “mística” em alta. Também pensaram nisso quando decidiram esconder a vossa identidade?

Eins – Sim, eu concordo com isso. De certa forma as máscaras e as camisolas de capuz com o logotipo são a nossa imagem de marca ou o nosso uniforme. Não ias acreditar no quanto nós suamos por baixo daquelas máscaras… O único gig que tocámos sem elas foi no clube Berghain, porque lá não é permitido tirar fotos. É uma das 1000 razões pelas quais adoramos aquele sítio.

Zwei – Acho que outro dos motivos é também sermos ambos um pouco tímidos, e preferímos não ser reconhecidos por toda a gente. Adoramos ter apenas um pequeno círculo de pessoas à nossa volta que sabe quem somos.

A vossa música, embora claramente actual, está profundamente ligada ao som da 1ª geração de pioneiros da House de Chicago, mas também poderíamos encaixá-la num contínuo de música JACK que de alguma forma sobreviveu através dos 90’s através de artistas como Steve Poindexter ou Jamal Moss (mesmo que a um nível estritamente marginal), e nos 00’s com o James T Cotton, o Traxx, Deecoy, Cantu e muitos outros. Vocês sentem-se parte disto? São inpirados pelo Jakbeat corrente e pela recente onda de interesse pelo House Old School?

Eins – É claro que a nossa principal influência e inspiração vem do Chicago House 80’s e de gente como Chip E, Farley Jackmaster Funk, Mr Fingers, Bam Bam, Phuture/Phortune, Jesse Saunders, editoras como a Trax, D.J. – International e também de muitos outros artistas e selos desta altura. Os 90’s também foram importantes com a música de Laurent garnier, josh Wink, Hardfloor e outros que foram muito importantes para o nosso trabalho.

Hoje em dia estamos contentes por estar ligados a gente brilhante como Kink and Neville Watson, Hard Ton, Andreas Gehm e outros. Claro que também gostamos das coisas de Chicago correntes do Traxx, James T. Cotton etc.

E nós adoramos as instituições holandesas Clone e Rush Hour, com as suas sub-labels e distribuidoras.

Vocês usam apenas equipamente analógico? Têm algum tipo de opinião forte sobre este tipo de discussões?

Eins – No estúdio nós trabalhamos com ambos – software e equipamento analógico. Os arranjos de todas as faixas são feitos nos nossos computadores. Este método tem funcionado bem para nós. Mas talvez façamos algumas produções ainda este ano apenas com material analógico. Apenas a 303 e a 707… [Roland TB303 e TR 707]

Em que consistem exactamente os vossos gigs ao vivo?

Eins – Nos nossos shows nós fazemos uma espécie de jam session, com dois macbooks sincronizados, uma mesa de mistura e alguns controladores MIDI. Desta forma todos os sets são differentes e sempre entusiasmantes.

Vocês têm um método de trabalho definido? Trabalham individualmente e juntam ideias ou improvisam juntos até algo especial acontecer?

Eins – Na verdade trabalhamos individualmente. O meu parceiro Snuff Crew – o Zwei – produz faixas sozinho e eu também. Nós gostamos assim e surpreendemo-nos mutuamente, e ambos sabemos quais as faixas que encaixam com Snuff Crew.

Mas para outros projectos também trabalhamos juntos em estúdio.

E quem são os heróis musicais dos Snuff Crew?

Eins – Giorgio Moroder, Kraftwerk, DJ Pierre, Larry Heard, Cerrone, Farley Jackmaster Funk, Patrick Cowley, Iggy Pop, David Bowie, Laurent Garnier entre outros. Sou sobretudo inspirado por produtores de Disco, Italo Disco e do início do Chicago House. Além da música, a arte têm-se tornado uma inspiração crescente para mim. A literatura e os filmes também.

Zwei – Eu cresci com Kraftwerk – o meu tio apresentou-me à sua música quando eu tinha 10 anos de idade. A seguir fiquei completamente apanhado pelo Acid House, sobretudo por artistas alemães como os Hardfloor, AWeX ou Mike Ink. Na verdade demorei 10 anos para descobrir que editoras como a Trax, Strictly Rhythm ou DJ International foram as primeiras a editar este tipo de música anos antes.



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