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“Sorte à Logan”

O regresso ao Cinema

A “zanga” de Steven Soderbergh com os estúdios de cinema passou ao final de quatro anos e este mês estreou “Sorte à Logan”.

Com a ação centrada no estilo de vida da Virgínia Ocidental, esta narrativa aproveita os lugares comuns da América rural e serve-se deles ora como adorno kitsch, ora como crítica social.

As Seguradoras, sempre com medo de processos, compactuam com os mais ricos e ignoram a classe trabalhadora. As terras pequenas que só têm falhados e ladrãozinhos que se juntam todos no bar para saber quem perdeu o emprego ou saiu da prisão. A dona de casa que vive à custa do marido rico, herdeiro do negócio de venda de automóveis do pai. Feiras, rodeos e concursos de beleza são eventos de grande relevância social. Até podem achar piada às modernices das cidades, mas o que os comove é a letra da canção “Take me home, country roads”.

O argumento de Rebecca Blunt conta a história de um assalto pensado por Jimmy Logan (Channing Tatum) ao cofre de um autódromo na Carolina do Norte durante uma corrida de NASCAR. Jimmy, promessa do futebol americano que uma lesão ceifou, pede aos seus irmãos Clyde (Adam Driver) um ex-combatente do Iraque que perdeu um braço, e Mellie (Riley Keough) a cabeleireira da terra e exímia condutora, para entrarem no golpe.

Mas é preciso abrir um cofre e para isso precisam de Joe Bang, um Daniel Craig de cabelo oxigenado, com sotaque sulista, especialista em fazer explodir coisas ao estilo MacGyverirano, e os seus dois irmãos que só perpetram crimes com uma boa justificação moral.

Quem mais se destaca é Adam Driver numa prestação cómico-trágica, num ano em que nas salas de cinema já foi visto como missionário português no Japão no “Silêncio” de Scorsese, poeta em “Paterson” de Jim Jarmusch e para o final do ano regressará como Kylo Ren em mais um episódio da “Guerra das Estrelas”. Tem sido entusiasmante vê-lo entregar interpretações tão diferentes, criando para cada uma um universo específico. Para mim é a maior revelação do cinema de 2017.

Soberbergh exerce a sua arte sem falhas e sente-se a presença da linguagem e de ambientes de outros trabalhos, como “Ocean’s Eleven”, “Erin Brockovich” e “Por Detrás do Candelabro”. Estas “influências” enriquecem e tornam o trabalho final mais facetado, com mais pormenores para rever e mais temas para explorar. É possível até que vejamos este filme de maneira diferente do que o veríamos na altura da Administração Obama, ou até com Administração Bush. Afinal os Estados Unidos da América vão sempre viver com equilíbrio entre Republicanos e Democratas.



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