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Spicy Noodles | Entrevista

"As nossas canções são a nossa forma de contar sobre as coisas, os momentos, as situações, e os sons que a gente consegue combinar, e quer dividir, pra deixar nossa vida com bem mais sentido."

Em vésperas do lançamento do álbum de estreia, “Sensacional”, falámos com a Érika Machado e a Filipa Bastos, sobre passado, presente e futuro, mas sempre com as Spicy Noodles e o novo álbum no centro de todas as atenções. Por isso, abram o Spotify, o Apple Music ou equivalente e cliquem no play enquanto leem a entrevista.

Spicy Noodles é o resultado de uma residência artística que aconteceu durante o Verão de 2016 no Alentejo. Querem contar um pouco mais sobre como tudo se desenrolou? Já se conheciam antes? Como ganha corpo este projecto? E já agora, qual a história por detrás do nome do projecto, Spicy Noodles?

Estávamos no Brasil, terminando a tour de um projeto chamado Superultramegafluuu e pensando no que fazer… Um dia, passando os olhos numa rede social vimos o compartilhamento do anúncio da residência Atalaia Artes Performativas, que aconteceria em Ourique, Aljustrel e Almodôvar, resolvemos propor um projeto que resolvemos chamar de “Olhar Passageiro”. A nossa proposta era de se fazer uma música a partir das experiências que poderíamos ter por lá, e para acompanhar essa música, propomos um vídeo. Pensamos que a ideia de estar no Alentejo durante o verão, realizando um projeto fixe e ainda convivendo com diversos artistas de diversas partes do mundo, não era nada má, e assim propusemos os 3 meses que eram o tempo máximo disponível para a residência. Durante esses três meses, acabamos fazendo muito mais músicas e vídeos, e surgiu pelo meio o convite do Festival Atalaia para duas apresentações nos Cine-Teatros de Ourique e Aljustrel, porque não montar um concerto para apresentar os vídeos e as músicas tocadas ao vivo?

Os concertos foram muito divertidos e até tivemos o recorde de público no festival :) surgiu um convite do Gerador Ignição para uma outra apresentação em Lisboa, e aí ficámos com muita vontade de apresentar o projeto em muitos outros lugares, e sentimos a necessidade de um nome. 

Ficamos por dias atrás de um nome, não foi muito fácil já que tudo já existe! Procuramos, procuramos até que veio esse nome, a ideia Spicy Noodles tinha sido porque a nossa amiga e companheira de residência Ji Sun (que tinha vindo da Korea especialmente para participar da residência), tinha nos dado um monte de pacotes coloridos de spicy noodles que tinha trazido de lá. Uma hora, degustando aquele delicioso alimento sintético, uma de nós sugeriu Spicy Noodles! Num tom até meio até brincadeira, e a outra adorou, e disse que era perfeito, especialmente pela forma como é preparado, os pacotinhos dos temperos são como os samplers que disparamos ao longo de cada música, e a estética a que este nome remete tem muito do nosso universo. 

Tinham um álbum quase pronto que vos foi roubado. Não pretendo perguntar o como, nem o porquê, porque sinceramente não deve ser a história mais agradável que têm para contar. Frustração é a palavra que me vêm à cabeça. Como conseguiram lidar com a situação e de que forma é que esse acontecimento acabou impactando a composição de “Sensacional!”?

Essa história foi um momento triste em nossas vidas, ficamos sem muitos trabalhos que eram muito valiosos para nós e sem muitas memórias também, alguém entrou em nossa casa e levou os computadores e disco externo, mas hoje já nem  sofremos mais desse mal, ficou para trás, é melhor pensar que foi importante para o disco ficar como ficou :)

Escolhemos 9 entre as canções que tínhamos e nos concentramos nelas, de certa foma, foi muito bom recomeçar as músicas do zero, e experimentar novos arranjos para elas, refizemos  as coisas muito legais que cada música tinha, e inventamos novas coisas para o que já não tínhamos mais tanta certeza.

Como surge a oportunidade de ter o John Ulhoa dos Pato Fu a produzir, misturar e materizar o álbum?

Golpe de sorte da vida! 

Muito fixe! 

O John é pra gente um gênio dos sons, e também um amigo muito generoso, é uma espécie de oráculo, que sempre tem uma solução para as músicas.

Quando o Henrique Amaro nos convidou para participar na coletânea da Fnac, pedimos para o John produzir, misturar e masterizar, e ele topou. Quando já tínhamos a pré produção pela segunda vez, ele nos perguntou se a gente queria que ele pusesse a mão em alguma coisa, e nós, claro, enviamos todas as músicas para ele. 

Parece que ele acha o nosso projeto fixe, e nós ficamos muitíssimo orgulhosas por isso!

Quando se escutam as canções de “Sensacional!”, as primeiras palavras que me vêm à cabeça são “luz” e “cor”. Estas canções são reflexos da vossa forma de estar?

Que bom ler isto! As nossas canções são a nossa forma de contar sobre as coisas, os momentos, as situações, e os sons que a gente consegue combinar, e quer dividir, pra deixar nossa vida com bem mais sentido. 

O clip para «Juntas na Fita» está fantástico. É evidende o amor e dedicação que colocaram nele. Diria que é um excelente cartão de visita para o vosso projecto. Concordam? Foi essa a ideia?

Que bom! Ficamos aqui tão felizes!

O clipe foi feito mesmo com muito carinho e dedicação, e esperamos muito que seja um bom cartão de visita:). A ideia era fazer as coisas que a gente gosta, se surpreender com elas, e quem sabe em algum momento surpreender alguém também? 

Há alguma canção de “Sensacional!” pela qual sintam um maior carinho?

Érika: é uma pergunta difícil, tem dias que tenho mais carinho por uma, tem dia que o maior carinho pula para ,outra, nos concertos também me acontece isso… não gostaria de ser injusta com nenhuma delas.

Filipa: Uma só, é tarefa complicada. Imediatamente penso na “Leve Leve” porque foi a primeira que ganhou forma, também gosto do sentimento a que ela me remete, a ideia de leveza, no caso da nossa chegada à residência artística no alentejo… Mas também guardo um carinho especial pela Juntas na Fita, a letra já dá uma pista, e a explosão de sons transmite-me um sentimento de alegria intenso. Também existe a “Por aí”… E bem, talvez seja melhor parar por aqui..

E já agora porque decidiram chamar “Sensacional!” ao vosso álbum?

A princípio, iria se chamar Amarelo, não tínhamos nenhuma explicação para amarelo além de achar um nome bonito e uma cor bonita, mas tínhamos a Sensacional (que é a segunda música do álbum) e na última hora acabamos mudando de ideia, a palavra sensacional é mesmo sensacional, e no contexto da música era pra ser um sensacional engraçado, porque a música diz no refrão: 

As vezes me sindo o Mr. Bean
As vezes me sinto o Charlie Brown
As vezes me sinto tão contente por me achar sensacional  

O Mr. Bean, que é aquele personagem com as mais originais e excêntricas soluções para resolver alguns problemas, e uma indiferença total por solucionar outros, com uma incrível habilidade em gerar confusão, o  Charlie Brown é aquele menino que falha em quase tudo o que tenta fazer, uma criança dotada de infinita esperança e determinação, mas que é dominada por suas inseguranças e uma permanente má sorte, um carismático fracassado. 

Já estamos inventando desculpas, na verdade foi o que melhor nos pareceu para chamar o nosso primeiro disco :) Spicy Noodles Sensacional!  

A edição do álbum está prevista para o dia 31 de Janeiro. Já há datas para o apresentarem ao vivo?

No dia 14 de fevereiro fazemos o concerto de estreia no Salão Brasil em Coimbra, no dia 15 fazemos na Fnac de Leiria e no Café Concerto de Pombal, no dia 4 de março na Casa da Música no Porto, estamos confirmando outras datas e lugares, e em breve vamos colocar a nossa agenda completa online.



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