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Spokes

Miscelânea de qualidade.

Os Spokes são uma banda jovem, e isso nota-se. A sua música é uma confusão de estilos, uma autêntica mistura de géneros que vão desde a música clássica ao post-rock, feita obviamente por jovens ainda no entusiasmo de terem criado uma banda e de poderem agora fazer a música que querem. “Ouvimos todos coisas muito diferentes. Eu ouço imensa música clássica, o Matthew é mais dado ao punk, etc. Acho que isso é muito bom, essa mistura toda que fazemos na nossa música, e consegue tornar a banda mais apelativa a um público muito maior”, diz-me por telefone Ruth, a única rapariga do quinteto de Manchester. Essa mistura, claro, é exactamente aquilo que dá à banda um som tão único e interessante. Vão tocar por cá no Super Bock em Stock, naquele que será o primeiro concerto da banda fora do Reino Unido. “Estamos mesmo muito ansiosos. Vai ser o nosso primeiro concerto fora do país, estamos muito contentes. Estamos agora em estúdio a ensaiar para a tour, e esperamos que corra tudo bem. Os concertos que demos por cá têm corrido lindamente”.

Lançaram esta semana, dia 15, o single «We Can Make It Out», avanço do primeiro álbum da banda que será lançado este ano, três anos após o EP “People Like People Like You”, que na altura os colocou na boca dos ouvintes mais atentos. Um intervalo algo longo, sem dúvida. “Sim, passou-se mesmo algum tempo desde o EP. Na altura ainda estávamos todos na universidade, e só depois é que arranjámos contrato com uma editora e nos começámos a dedicar mais. Demorámos o tempo que quisemos demorar, para que ficasse tudo perfeito. Foi uma experiência completamente diferente da do EP, que foi feito basicamente num fim-de-semana. Aqui foi tudo mais complexo, e houve alturas em que simplesmente não sabíamos o que fazer a seguir. Fizemos imensas regravações ao longo de todo o processo e foi bastante mais complicado. Acho que crescemos imenso, e foi uma óptima experiência”.

Se já no EP a banda multi-instrumentalista revelava um som repleto de arranjos complexos e canções construídas em camadas (tipicamente à post-rock, claro), parece que em disco tudo isso se vai manter, mas elevado ao expoente máximo. “Está tudo tão maior no disco. No EP era tudo mais instrumental; aqui usámos muito mais voz, e é tudo mais épico e complexo. Mais coro, mais instrumentos… está tudo muito maior”. Não esperavam que fosse demorar três anos até sair o álbum, mas o perfeccionismo assim o ditou: “Tínhamos várias ideias, logo quando acabámos o EP, e queríamos realmente evoluir e fazer tudo de uma forma maior e mais complexa. Demorou mais tempo que o esperado, mas estamos muito satisfeitos com o resultado final”.

A banda é um quinteto, todos eles amigos de longa data. Algo que, claro, dá uma forte dinâmica interna ao grupo. “Conhecemo-nos todos na escola, e somos todos grandes amigos. Claro que por vezes chocamos uns com os outros, até porque temos todos gostos tão diferentes. Mas ultrapassamos isso facilmente, e acho que isso é normal e importante para uma banda. É assim que funciona o processo criativo, principalmente quando é um tão longo como o que foi o deste álbum. Somos todos muito honestos uns com os outros”. Ruth fala com um entusiasmo e uma simpatia que facilmente conquistam qualquer um. Quando falámos com ela, a banda estava em estúdio a trabalhar nos arranjos finais do álbum e a ensaiar para a digressão. “Nunca tocámos fora do país. Fizemos algumas digressões pelo Reino Unido, mas o nosso concerto em Portugal vai ser o primeiro fora daqui. Agora que lançámos finalmente o álbum, que temos contacto com uma editora, e que vamos poder andar em digressão, estamos muito, muito contentes. Vai ser óptimo poder começar a tocar lá fora e andar a mostrar o material novo. Acho que como banda isso é muito importante, claro”.

Os Spokes têm algo a dar que outras bandas recentes não têm. Têm diversidade, estilo, e arranjos fora do normal para uma banda jovem. O mais recente single, «We Can Make It Out», mostra isso mesmo: vozes que se vão misturando umas nas outras, guitarras que se vão construindo umas em cima das outras, e uma bateria ao ritmo certo que encaixa na perfeição. Excelente avanço para um álbum que parece confirmar o potencial daquele EP lançado há três anos atrás, que na altura lançou um buzz por entre quem estava atento.

Ao vivo, espera-se que se confirme este talento patente na música da banda. Será curioso ver em palco estes cinco jovens, que fazem em disco uma verdadeira miscelânea de qualidade, onde se identificam inúmeras influências e inúmeros estilos perfeitamente encaixados entre si, criando algo de realmente novo. “Muito obrigado, e será um prazer tocar aí em Dezembro”, despede-se a jovem rapariga. O prazer, creio eu, será todo nosso.



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