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Start-up Connect #1 | Birdwalk

Como seria a sua mochila ideal?

Foi na resposta a esta pergunta que a designer de produto Sara Ventura se inspirou para criar a Birdwalk, uma marca em que os produtos têm uma dupla funcionalidade e podem ser vistos sobre diversas perspectivas.

Nós no entanto tínhamos muitas perguntas para lhe fazer; não só sobre os produtos mas também sobre as dificuldades que alguém que começa a aventura de iniciar uma start-up em Portugal enfrenta. Porque nunca se sabe se do outro lado do ecrã está alguém a fermentar a próxima empresa a dar cartas.

Qual é o teu projecto?

Birdwalk é uma marca que eu criei há cerca de dois anos de acessórios de moda, essencialmente malas e mochilas. Os produtos que desenho são para pessoas urbanas que normalmente andam de um lado para outro. A resposta que eu tento dar é que cada mala consiga adaptar-se às coisas que transportamos ao longo do dia e que também resolva questões de ergonomia. Nem sempre nos apetece andar com uma mala no ombro, às vezes também nos apetece andar com uma mochila e pode-se adaptar.

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Como surgiu a ideia e a inspiração?

Eu sempre quis ter o meu estúdio de design desde que percebi que queria ser designer de produto e, passados 8 anos a trabalhar para outras empresas, resolvi que tinha chegado o momento. A questão de ter começado pelos acessórios tem a ver com a minha maior experiência, que foi na Striker, uma empresa em Coimbra, em que desenhei muitos acessórios de moda. A partir daí comecei a pensar na minha mochila ideal. O primeiro produto da Birdwalk foi a tweak. Cheguei à conclusão que a mochila devia ter uma dupla funcionalidade. Uma mochila que se transforma em mala. Primeiro surgiu o produto e depois a marca. O nome tem a ver com o facto de quando pensamos em pássaros normalmente pensamos em voar… mas eles também andam. É a analogia de olhar para um produto: é uma mochila… mas também é uma mala.

Quais as dificuldades com que te deparaste?

O meu maior desafio foi encontrar matérias-primas com a qualidade e preço pretendido fabricadas na Europa e com um ciclo de vida duradouro e uma pegada ecológica diminuta. Com qualidade, encontra-se muita coisa na indústria dos cortumes mas como eu não trabalho com pele é muito complicado porque estamos invadidos por matérias-primas chinesas.

Agora a minha batalha diária são as vendas, e fazer com que as pessoas cheguem ao site.

Como foi a venda da tua primeira mala?

Lembro-me perfeitamente, foi à Zara Ali! Foi a uma pessoa desconhecida mas pertencia ao círculo alargado dos meus amigos. Faltava dar este passo. Tens o feedback positivo de uma série de pessoas que estão à tua volta, mas a partir do momento em que outras pessoas que não te conhecem de lado nenhum, apoiam a ideia, deu outra energia, foi sair da bolha e perceber o potencial.

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Que formações é que fizeste, tens algum mentor?

Tenho pessoas com as quais vou trocando uma série de opiniões, sobretudo designers. O caso mais curioso foi ter sido contactada por um distribuidor de Taiwan que queria ser representante da minha marca na Ásia. Fiquei desconfiada e fui ver as outras marcas que ele representava e mandei um email para uma marca que pensei que estava mais ou menos no mesmo patamar que eu para obter informações. Hoje em dia tem sido a pessoa com a qual tenho trocado imensas opiniões porque ele tem um tutor que foi director comercial da General Electrics durante imensos anos. Quando tenho alguma dúvida para fazer a parte de bussiness normalmente é a primeira pessoa a que eu recorro porque tem mais experiência que eu e ainda por cima está bem assessorado.

A nível de formações, fiz o MES – Marvila Empreendedora e Sustentável e estive nos workshops da Bolsa de Empreendedorismo, e foi bom porque se tu apresentasses o teu Canvas tinhas acesso a uma sessão de coaching, o que foi interesante, porque analisaram comigo o Canvas e deram-me uma série de dicas. Todas as ajudas que venham de estratégia de negócio são boas porque é a área onde não estou tão à vontade.

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Que balanço fazes destes dois anos de projecto?

Agora sim, a coisa está a dar o salto. Só desde Julho de 2015 é que me dediquei a 100% à Birdwalk. A grande dificuldade foi encontrar o parceiro de produção, que parece ser super simples porque existem imensas fábricas. Mas quando tens um produto que não é igual a todos os outros as respostas foram “Epá, isso dá muito trabalho menina… não!”. Isto foi uma grande ajuda porque me permitiu dedicar mais tempo às vendas. Parece que as coisas agora estão a remar. Desde que me foquei no meu projecto as vendas aumentaram.

Quais são os próximos passos e como vês o futuro?

É apostar na distribuição, venda a retalho e na internacionalização da marca. Potenciar as vendas online e gostava que as minhas “obras de arte” estivessem em diversas lojas do mundo.

Se pudesses escolher uma pessoa que admiras e que pudesse trabalhar contigo quem escolherias?

Alguém da área da música que me pudesse dar aqueles momentos de chill out. Na parte de criação de produto a nível conceptual às vezes até é importante teres uma pessoa que não tem nada a ver com a área para vir dar inputs sobre aquilo que estás a fazer e que ao mesmo tempo tivesse alguma ligação artística e desse outra parte sensorial a que os meus produtos não estão associados. Já não está cá, mas não me importava de escolher o Bernardo Sassetti.

Um apelo directo…

Apoiem marcas que tenham consciência ambiental. Acho muito importante que as pessoas comecem a pensar mais nas escolhas quando vão consumir alguma coisa. Todos nós fazemos a diferença. Se comprares coisas portuguesas e que tenham um impacto ambiental baixo e de qualidade que te durem 4, 5 anos ou até mais, estás a reduzir a pegada ambiental.



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