pirates_header

Startup Pirates @ Lisboa – Parte 1

Vamos ser audazes nesta nova economia e conquistar novos mercados. Ser Pirata é o que está a dar!

Ahoy,

Nota: Quando aceitei fazer a reportagem sobre o Startup Pirates@Lisboa não tinha quaisquer referências ou real noção do que iria assistir. Dias depois, recebi informação sobre o que constava o Startup Pirates. Ao longo de uma semana, acompanhei de perto os participantes, os elementos que pertencem à organização e praticamente todos os workshops. Vi nascer ideias e projectos brilhantes; vi ideias a serem moldadas e adaptadas à realidade; e vi, sobretudo, duas coisas fundamentais – o nascimento de grandes amizades e um empenho e entrega ao trabalho que há muito tempo não via e do qual até começava a tornar-me descrente. O envolvimento com todas estas pessoas foi inevitável. Por isso, quero agradecer-lhes publicamente. Obrigado(s).

A afirmação e a aceitação profissional têm sido sempre o maior entrave no ilimitado universo do mercado profissional. Para ajudar a dar um passo em frente no empreendedorismo em Portugal, um grupo de jovens do Porto decidiu unir-se e fundar a Startup Pirates. O sucesso foi tão positivo, que um grupo de amigos de Lisboa decidiu reunir-se e elaborar a Startup Pirates@Lisboa. Ao longo de uma semana – de 4 a 11 de Fevereiro -, 32 pessoas totalmente desconhecidas entre si reuniram-se para partilharem as suas ideias de negócio, adaptá-las, colocá-las em prática e poderem dar-lhes vida. A regra número um instala-se: não haver competição entre os grupos. Todas as ideias foram bem-vindas e respeitadas e a entreajuda foi bastante visível.

O objectivo parte da fomentação de intercâmbio de ideias e de criatividade, de um modo simples e intensivo, sendo-lhes fornecidas todas as ferramentas necessárias ao desenvolvimento do projecto num negócio viável e rentável para no final ser apresentado perante um júri. Fizeram parte dessas ferramentas os workshops de teambuilding, criatividade, plano de negócios, marketing estratégico, design thinking e pitch. O Startup Pirates foi criado com a finalidade de atrair as pessoas para fora da sua zona de conforto e que pretendem pensar fora da box. E acreditem que tudo isto foi mais do que conseguido. Durante toda a semana a frase de ordem foi “espírito empreendedor” e respirava-se pensamento crítico, aprendizagem e criatividade por todos os lados.

Depois do sucesso do primeiro Startup Pirates organizado no Porto, foi a vez de chegar a Lisboa. Foi pelas mãos de seis jovens amigos – Carla Costa, Cristina Cautela, Isabel Marques, Davis Gouveia, Miguel Jerónimo e Pedro Queirós – e de longos meses de organização que finalmente viram o seu trabalho ganhar vida e preencher os dias dos participantes. Após centenas de candidaturas, o processo de selecção baseou-se no envio de um vídeo original em que tinham de indicar quais as razões por que queriam ser um Pirata e em entrevistas via Skype. Resultado: 32 pessoas seleccionadas que formaram um grupo bastante heterogéneo com diferentes experiências profissionais e académicas e oriundos de diversos pontos do país. Neste vasto grupo encontrámos também algumas pessoas que vieram de propósito ao nosso país para participarem no evento: uma rapariga oriunda da Eslováquia e um rapaz nativo dos Estados Unidos da América mas que vive na Suíça. Também fizeram parte um jovem polaco que está a estudar em Portugal e um jovem Israelita que vive em Sintra há sensivelmente quatro anos. A marca Startup Pirates já se lê além-fronteiras e essa continuidade de espalhar o projecto a nível mundial foi desde cedo o principal objectivo. No próximo mês de Março haverá uma nova edição na Argélia e estão a agilizar-se contactos para ser realizado em outros países. Se é para ser um pirata, há que se navegar por este mundo fora! AAARRRRGG

Pirate Boot Camp e o símbolo da amizade

Ser um verdadeiro pirata tem muito que se lhe diga e há que ser um sentimento a levar a sério. Como tal, nada melhor do que receber os participantes (que depressa passaram a ser piratas) a bordo do veleiro Príncipe Perfeito, ancorado na doca de Alcântara. A manhã foi preenchida com uma fantástica sessão de boas-vindas. Fantástica e no mínimo inesquecível! Primeiro, os membros da organização fizeram questão de esclarecer todos os objectivos propostos a todos os participantes e de explicar em que consistiam todos os workshops que iriam participar. Depois, foi a altura de dar a conhecer quais os prémios finais sem ordem de prioridade: prémios de incubação patrocinados pela Beta Start, ICAT-FCUL, Lispolis, Startup Lisboa e CoWork Lab que variam entre 1 mês a um ano, consoante o projecto, e personal branding com Miguel Coelho. Posto isto, e depois de um pequeno coffee break, altura de todos se conhecerem de forma individual. Coube aos membros da organização darem início às apresentações da qual resultou um pedido de casamento e que deixou-nos a todos completamente surpreendidos e rendidos a tal prova de amor. Há piratas corajosos! Depois foi a altura de os participantes efectuarem as suas apresentações individuais nas quais tinham também que mostrar um objecto que os definisse e aqui, surpreendam-se pela originalidade (ou melhor, coincidências): o record vai para as palhetas de guitarra e canetas, mas houve quem levasse um disco de vinil e um saxofone. Mostraram ser piratas movidos pela arte que mais inspira e muda o mundo – a música.

Início da tarde e o sol que iluminava o Tejo não era suficiente para nos aquecer. Contudo, os piratas não se fizeram rogados e embarcaram nesta fantástica aventura que teve verdadeiramente início com o primeiro orador – Manuel Pelágio – que nos trouxe um workshop inteiramente prático dedicado ao trabalho em grupo e associado ao espírito de liderança, quer em termos pessoais, quer em termos empresariais. O objectivo passou pelo desenvolvimento de actividades de modo a que os participantes saíssem da sua zona de conforto e que posições devem assumir para se ser um bom líder. Gerir e potenciar emoções positivas; proporcionar motivação em grupo e ter uma atitude de querer e de acreditar em si e nos seus companheiros, são algumas das palavras-chave para se conseguir ser um bom líder. Um verdadeiro pirata deve então equilibrar o seu tempo em quatro tempos: vida pessoal, profissional, familiar e social e só assim conseguirá regular o mundo. Acima de tudo é preciso aprender e assumir o erro, o falhanço e com isso pedir ajuda. Humildade acima de tudo porque nada se constrói sozinho e nem todo o caminho é um mar de rosas. Portanto, o grande conselho é que se deve viver com autenticidade e aceitarmo-nos como somos, saindo da nossa zona de conforto e partir para a batalha. Let’s be a Pirate!

Três horas mais tarde, o workshop seguinte veio trazer boas ideias e boas experiências através de “Criatividade e Inovação” proporcionado pelo orador Miguel Muñoz. Ficámos a saber os diferentes mitos relacionados com a criatividade, como por exemplo, de que as pessoas adoram novas ideias, ou que é preciso um espaço “limpo” para a inovação, ou que simplesmente o futuro está em novas tecnologias. Ainda houve tempo para partilhar diferentes adaptações de negócios low cost e ainda de comentar algumas inovações curiosas como a que acontece na Austrália onde vendem ostras com viagra. Sugestivo, não?! Posto isto foi altura de sairmos do barco e deslocarmo-nos até à Startup Lisboa – a nova incubadora de ideias empreendedoras – para um verdadeiro jantar pirata e, sem demoras, cada um dos participantes apresentou a sua ideia de modo a que no dia seguinte se fossem formando os grupos de trabalho. Seguiu-se um animado peddy paper até ao Hostel para o merecido descanso.

A motivation talk agendada para esse mesmo dia acabou por ser adiada para terça-feira e foi, garantidamente, a melhor sessão de toda a semana. Falo-vos de Ricardo Diniz, o velejador solitário, que é o verdadeiro exemplo do lema do Startup Pirates “Be Brave, Be Crazy, Be Pirate”. O seu espírito aventureiro e empreendedor, mereceu o respeito por parte de todos os participantes que no final o rodearam e aplaudiram fortemente. Foi sem dúvida um dos melhores momentos de inspiração. Podes ler aqui a entrevista que foi feita na altura do TEDx Edges.

Domingo de manhã e os olhos cansados de um dia bastante activo custam a manter abertos. Na Startup Lisboa já o café se fazia cheirar e apetecer. A primeira intervenção foi feita por Rui Pinto Coelho, director executivo da InvestLisboa que fez uma pequena apresentação sobre a própria empresa que promove o empreendedorismo lisboeta além-fronteiras e depressa passamos para o primeiro workshop do dia. “Tendências” de mercado económico e de futuro tendo como orador Hugo Garcia. Tratou-se de uma aula essencialmente prática, fazendo com que todos se questionassem e analisassem o mercado nacional sob diferentes olhares. A capacidade de reflecção e de análise de futuro fazem toda a diferença na aposta de mercado que se deve apostar.

Depressa se passaram mais três horas! Tempo para almoçar e manifestar algumas opiniões em relação às ideias que os piratas haviam apresentado. O resultado final adivinhava-se bastante renhido e poderoso em termos de ideias inovadoras. Eis que é altura de retomar os lugares e ouvir Jorge Freitas no workshop sobre comunicação. Que postura corporal devo adoptar enquanto orador? Como devo gesticular? Qual a regra de um aperto de mão? – a resposta a esta e a outras questões igualmente pertinentes poderás encontrar no livro “7 Segundos” escrito pelo próprio formador. E porquê 7 segundos? Porque é exactamente o período de tempo que o nosso cérebro regista a primeira impressão visual de uma pessoa. Falou-se também de stress tónico (aquele que é favorável) e stress tóxico e ensinou-se 4 técnicas-chave de alta performance – a regra dos 4 S: stand, smile, speak e stay.

Coube a Fred Oliveira conduzir um dos workshops mais importantes – as 10 regras para apresentar o conceito do nosso projecto – “Pitch” em 5 minutos. Para terminar este boot camp nada melhor de que uma mensagem de motivação acerca da busca da felicidade e de bem-estar. Vasco Gaspar [a.k.a. happiness explorer] foi o convidado ideal para abordar o assunto e ao longo de duas horas falou-se de respiração, hidratação, comportamentos e hábitos saudáveis que todos nós devemos seguir de modo a podermos alcançar a tão desejada felicidade interior. [Pode ler mais aqui, na entrevista que foi feita na altura do TEDx Edges].

Foi desta forma generalizada e bastante animada que se passaram os dois primeiros dias do Startup Pirates@Lisboa. Durante a semana, todo o processo de desenvolvimento de trabalho em grupo foi feito no Instituto Superior Técnico que amavelmente cedeu um espaço num dos pavilhões para que tudo isto fosse possível. Foram leccionados mais 5 workshops: “Business model canvas” dado por Carlos Mendes, “estratégias de marketing” por Paulo Sousa Marques, “Design Thinking” por Luís Quental Pereira, “Finanças” por Pedro Santos e “Personal Branding” por Miguel Coelho. Tiveram direito a uma aula de dança tradicional, yoga e yoga do riso, assim como a pequenas conversas em discurso directo por diversos jovens empreendedores, duas delas tiveram lugar na Pensão Amor, proporcionando assim momentos de descontracção e lazer.

“Why join the navy if you can be a Pirate?” Já dizia Steve Jobs. Certamente que ficaste com maior vontade de te tornares um pirata. Se assim é, força, não percas a esperança!



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This