Stealing Orchestra

“Bu”, é o título do mais recente registo da banda que marca o regresso às edições exclusivamente online.

Depois de espalhar bem os discos na cama de uma forma completamente aleatória, sobraram apenas dois: o single “Been Caught Stealing”, dos Janes Addiction, e um disco do Spike Jones And His Other Orchestra. Como um mais um são dois, nasceu assim a Stealing Orchestra, banda portuense liderada por João Mascarenhas, que depois do muito aclamado “Incredible Shrinking Man”, regressam às edições online com uma banda sonora para os nossos medos.

Tendo como pano de fundo a electrónica e a “samplagem” de todo o tipo de temas, a Stealing Orchestra começou a ser notícia em 1998 quando lançaram a primeira maqueta – “Postcard People”, recebida de uma forma surpreendente por parte da crítica, muito devido à abordagem descontraída e irreverente sobre sonoridades básicas conhecidas, como é o caso da viola e do fado. As primeiras “orquestrações” valeram 6 prémios na edição de 98 dos Prémio Maquete tendo posteriormente (no ano 2000) conseguido editar o álbum de estreia através da NorteSul, intitulado “Stereogamy”.

Quando tudo parecia prever que a banda iria iniciar uma normal carreira pelos trilhos da música portuguesa, eis que surge o primeiro EP, exclusivamente elaborado para a Internet e disponibilizado de forma gratuita. “É português? Não gosto!”, surgiu no ano de 2001 e é uma hilariante sátira à música portuguesa onde até podemos encontrar o “Maravilhoso Coração” de Marco Paulo, numa versão bastante melhorada. A irreverência é aqui levada ao extremo, tanto nas sonoridades como nos títulos politicamente incorrectos de alguns temas, como por exemplo “O padre que mafiava a esmola ao santo” ou “Overdose no WC da Feira Popular”.

De regresso às edições ditas “normais”, os Stealing Orchestra editaram em 2003 aquele que viria a ser um dos discos do ano para algumas publicações nacionais. “The Incredible Shrinking Band” é o título de um filme dos anos 50 e marcou de certa forma a produção musical portuguesa do início do seculo XXI. Com o relativo sucesso do álbum, a banda conseguiu alcançar um certo estatuto e captar mais interessados para a sua sonoridade que agora têm a oportunidade de ouvir novos temas do colectivo do Porto, num EP disponibilizado mais uma vez apenas na Internet.

Foi também através da Internet que trocámos algumas ideias com João Mascarenhas sobre esta nova edição dos Stealing Orchestra, “Bu”, um registo conceptual que, abordando um tema diferente dos anteriores, continua a manter o tom divertido e irónico característico da banda; “Como somos uma banda com humor, sátira e ironia, seja qual for a temática, séria ou nem por isso, acaba por levar o mesmo tratamento”, disse-nos Mascarenhas.

O título do registo ridiculariza um pouco a temática em questão e é para ser levado “quase no sentido de caricatura”, assim como as faixas que o compõem que exprimem os nossos medos mais profundos e todo o universo que os rodeia, muito à moda da “orquestra”. Como nos disse João Mascarenhas: “Quem nunca sentiu paranoias, medos, ansiedade e exaltação?”

Os temas não serão apresentados ao vivo, até porque no futuro mais próximo não existe nada programado. “Interessa-nos continuar a fazer a música que gostamos, quer esta venda ou não” – é este o sentimento actual da banda, que, não querendo levantar o véu quanto a novas edições, afirma que a disponibilização de temas na Internet é para continuar, mas “sem promessas”.

Para além dos Stealing Orchestra, os elementos do grupo têm colaborado em diversos projectos: Fernando Sousa tem estado bastante activo nos X-Wife, Gustavo Costa tem colaborado com os Mécanosphére (e não só) e o próprio João Mascarenhas participou no disco de Mindelo.

O álbum pode ser encontrado na página oficial do grupo (com direito à respectiva capinha, que é um luxo).



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