Stupid Green @ Negócio

Um agradável desconforto.

Há espectáculos que são apreendidos com o corpo todo e isto sabemo-lo desde que a tela passou a ser maior que o homem, em relação directa com ele. Há também espectáculos que requerem essa participação, que convidam o espectador a entrar, a sentar-se a cheirar e a saborear; “Stupid Green”, não sendo nada disto parece, no entanto, atingir o corpo do espectador de outro modo, como se provocasse um desconforto físico e nos obrigasse todos a ficar tensos, de braços cruzados e pouco à vontade.

Esta reacção parece acontecer não devido ao conteúdo da proposta mas ao ambiente gerado em torno dela ou a um mecanismo bizarro que apenas certas atmosferas parecem conseguir despoletar. Sendo “Stupid Green” uma proposta simples, experimental e bem humorada a que se deve a expectativa?

Dever-se-á, talvez, a uma falta de propostas deste género (fora do âmbito de iniciativas como o festival Alkantara); à curiosidade pelo facto de se juntarem 3 intérpretes com percursos profissionais tão interessantes ou à natureza estrutural da proposta que, enquanto espectadores, nos coloca sempre num limiar de incerteza sobre o que vai vir a seguir, o que, muito embora a tal já estejamos habituados parece – quando reunidas as devidas condições – continuar a funcionar.

 



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