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Sudoeste 2009

Todos os anos a romaria repete-se. Mas o que tem o Festival Sudoeste de tão especial para que seja sempre um sucesso?

Assistimos neste Verão a uma proliferação de festivais de música um pouco por todo o país. Para além dos “generalistas”, o fenómeno da especialização já se encontra embutido na época festivaleira e até já existem sites que têm como mote a divulgação de festivais e toda a informação em seu redor. Provavelmente as novas gerações nem sabem que o conceito de Festival de Verão em Portugal surgiu em Vilar de Mouros mas que o formato e a periodicidade anual que nós hoje conhecemos começou em 1997 com o primeiro Festival Sudoeste (SW). Doze anos depois, na mesma Herdade pisada pelos Blur e Suede nessa primeira edição do SW, a festa continua e, entre 5 e 9 de Agosto, a Zambujeira do Mar recebe milhares de pessoas que procuram sol, praia, uns copos e muita música.

Durante estes doze anos o Festival sofreu grandes alterações. Quem esteve na primeira edição do SW deverá lembrar-se do estado do parque de campismo e da falta de condições de higiene e segurança. Com o passar dos anos a organização foi criando melhores condições dentro e fora do recinto e as próprias vilas que se encontram próximas da Herdade da Casa Branca adaptaram-se à enorme procura de bens alimentares, aproveitando esta época do ano para potenciar os seus negócios.

Embora o SW seja um festival direccionado na sua maioria a jovens que, pelo preço de um bilhete para um festival de Verão, têm direito a uma semana de férias na costa Alentejana, existem também os repetentes e que continuam a ir ao SW ano após ano. Para esses, que provavelmente já não têm “paciência” para estar acampados, existem cada vez mais opções de alojamento nas imediações do festival, com destaque para o ZMAR, o maior empreendimento de eco turismo do país que foi inaugurado recentemente.

Hoje, o Festival Sudoeste tornou-se no evento mais generalista de música em Portugal. A diversidade de sonoridades é um dos factores mais importantes para o seu sucesso.  A existência de um palco direccionado apenas para o Reggae e Hip-Hop, um espaço dedicado à música electrónica, que este ano apresenta um cartaz de luxo e um palco mais relacionado com a música alternativa garantem que todas as tribos têm o seu local de culto. Esta diversidade tem o seu expoente máximo no cartaz do palco TMN com a curiosidade da organização apostar pelo segundo ano consecutivo (após o histórico concerto de Camané no ano passado) num género que não costuma estar relacionado com o conceito de Festival de Verão: o Fado, representado este ano pela Mariza.

Embora o festival seja alvo de criticas todos os anos em relação às escolhas músicais que apresenta, o SW não deixa de ser sempre um enorme sucesso. Mas afinal porque razão vamos ao SW? Este vai ser o mote para a reportagem que iremos fazer na edição desde ano do Festival e foi exactamente isso que perguntámos a algumas das bandas/artistas nacionais que vão estar presentes, tentando também perceber quais as suas expectativas. Desta forma desvendamos um pouco mais sobre as suas actuações e sobre o cartaz deste ano

As perguntas:

1 – Como encaras/encaram a presença no Sudoeste? Estás/Estão a preparar alguma coisa especial?
2 – Na tua/vossa opinião quem vai ao SW vai pela Música ou pela praia/campismo/férias/etc …. Não tens a sensação que seja qual for o cartaz, o SW vai estar sempre cheio?
3 – Existe algum nome no cartaz deste ano que te/vos esteja a criar alguma expectativa e que não vais/vão perder?

RUI MAIA / X-WIFE

Os X-Wife actuam no dia 8 de Agosto, abrindo as hostilidades do palco TMN no dia mais aguardado do SW deste ano e que vai marcar a reunião dos Faith No More de Mike Patton.

A banda do Porto tem tido um ano recheado de actuações ao vivo e esse “à vontade” nota-se em cima do palco. Mesmo em “plena actividade” (com diversos concertos e com os seus elementos a dedicarem-se a projectos a solo – Rui Maia acabou de lançar “Mirror People” pela Optimus Discos), os X-Wife já preparam o novo trabalho de originais que promete algumas supresas como nos confidenciou Rui Maia. “Estamos de momento a trabalhar no próximo disco. Temos cerca de 12 canções ainda para trabalhar . Queremos ter pelo menos mais umas 5 ou 6 para termos margem de manobra no estúdio. Vai ser um trabalho bastante diferente de todos dos outros”, disse.

As respostas …

1 – Vai ser a primeira vez que os X-Wife vão pisar o palco principal do SW. Estamos a promover o nosso mais recente disco “Are You Ready For The Blackout?” e, naturalmente, o concerto vai ser baseado nele. Tocar num festival com a dimensão do SW é uma boa oportunidade para a música dos X-Wife chegar a quem não a conhece.

2 – Sim. O Festival Sudoeste tem esse “dom”. Há a sensação que está sempre cheio. Penso que há muita gente que se desloca ao festival, pelo “convivio”. Fica numa boa zona, óptima para passar férias. Nota-se que há muita gente que opta por isso. Acabam por ser uma férias baratas, relaxadas e com música.

3 – Como só vou estar no Sudoeste no dia em que tocamos, não há nenhuma banda que queira ver particularmente. Nunca fui fã dos Faith no More mas confesso que tenho curiosidade de os ver.

TIAGO GUILLUL  / FLOR CAVEIRA

No mesmo dia que os X-Wife sobem ao palco TMN, a FlorCaveira estreia-se no SW no Palco Planeta Sudoeste, local de eleição para sonoridades alternativas e por onde vão passar nesse mesmo dia nomes como Low e Roísín Murphy.

As respostas …

1 – O que se pode esperar do Giro da FlorCaveira no SW é um pouco daquilo que aconteceu no Maxime em Dezembro passado com a Consoada da FlorCaveira, em que se construiu uma celebração colectiva entre os músicos da editora. No SW estarão eu próprio (Tiago), o Samuel Úria, o B Fachada e o João Coração.
O SW é encarado com alguma expectativa: é a primeira data do Giro (que depois possivelmente passará um pouco por todo país) e para nós é a primeira vez que tocamos no contexto de um Festival grande. Querendo Deus, vai ser óptimo

2 – É certo que o SW ganhou ao longo dos anos uma aura iniciatória no que à juventude diz respeito: é o Festival onde parece interessar menos o cartaz e mais a experiência. Nesse sentido tocar no SW é riscar uma etapa na condição de músicos sérios no país, uma categoria que não nos comove bastante. Por outro lado isso também não nos tira a vontade – os Low tocam no mesmo palco que nós!

3 – Para além dos Low, os Faith No More reunidos. Reuniões geralmente desiludem mas sempre é uma ocasião rara.

PAULO GOUVEIA / GOMO

Foram precisos  5 anos para Paulo Gouveia regressar aos discos. Depois do sucesso do seu “Best Of” e de “Feeling Alive” ter passado pela boca de todos os portugueses, Gomo está de regresso com “Noisy”, um disco que mantem a “boa onda” do seu antecessor. “A única mensagem que pretendo transmitir é a de que os meus concertos sejam sempre uma festa. Não estou aqui para provar nada a ninguém, apenas para fazer aquilo que me dá gozo, que é fazer canções Pop, que divirtam as pessoas e que lhes dêem prazer ouvir e cantar“, disse-nos.

Depois do concerto de apresentação no São Jorge e da 1ª parte do concerto de Kate Perry que “tiveram casa cheia”, Gomo está a preparar a sua “melhor prestação de sempre” para o palco TMN do SW. Aqui ficam as respostas ao nosso desafio:

1 – Encaro como uma coisa natural, num processo de evolução como artista. Já toquei 3 vezes no palco secundário deste festival e, como tinha prometido no último ano que lá estive, este ano é no palco principal. No entanto é muito especial para mim, porque em 13 edições deste festival só estive ausente o ano passado, além de que é importante, para mim, ver o meu trabalho reconhecido pelos promotores. Para o Sudoeste, estou a preparar a minha melhor prestação de sempre e, se possível, quero levar alguns convidados especiais.

2 – O SW é um festival que funciona muito bem extra-cartaz, sem dúvida. Não que as pessoas não se preocupem em saber que músicos estarão presentes, mas essencialmente porque tem uma mística muito própria. É um festival que decorre em pleno verão, numa altura em que as pessoas estão de férias e que converge para um belo local, onde amigos de todo o país, se podem encontrar, uma vez por ano, para celebrar esse encontro, ao som de boa música. Mas acredito que, se o cartaz deste festival não se mantiver ao nível dos anos anteriores, poderá entrar em colapso, mesmo tendo tudo a seu favor. Por isso, acredito que é mistura das duas coisas. As pessoas vão pela música e pela praia.

3 – Devotchka, The Veils, Ladyhawke, Etienne de Grécy, Jet, Lily Allen, Au Revoir Simone e Virgem Suta, porque nunca vi qualquer um deles, ao vivo. Depois, Legendary Tigerman, Faith no More, Blind Zero, Roisín Murphy, e Basement Jaxx, porque seguramente serão bons concertos dentro de cada género e tenho curiosidade em ouvir os seus novos álbuns. O resto vou espreitar, porque não conheço, mas espero ser surpreendido por alguns que não conheço, como geralmente acontece sempre.

VIRGEM SUTA

No mesmo dia de Gomo mas no Palco Planeta Sudoeste, Nuno Figueiredo e Jorge Benvinda vão apresentar um dos discos que tem marcado o ano editorial da música nacional. Os Virgem Suta são de Beja, editaram à pouco tempo o seu disco de estreia, através da Universal e apresentam uma sonoridade que junta de uma forma original alguns aspectos da musica tradicional portuguesa com a pop contemporânea. Cantam em português e esperam que a boa recepção que o disco teve pela critica e rádios se “alastre” ao público em geral e que daqui a algum tempo acabem “por tomar conta da casa dos portugueses…”

As respostas …

1 – A presença no SW é para qualquer banda um motivo de orgulho, uma vez que se trata de um dos maiores festivais do país. O facto de sermos escolhidos para o naipe de bandas a tocar este ano enche-nos de alegria e certamente que o dia 9 de Agosto será um dia muito especial para nós. O que vamos apresentar no festival é o disco que acabámos de lançar e que só por si já é algo de muito especial para nós. Esperamos que os festivaleiros comunguem da nossa opinião e que juntos façamos uma grande festa!

2 – O facto do festival se realizar na costa alentejana (na nossa opinião, uma das mais belas do país), obviamente é motivo de atracção no Verão. Aliar a praia à diversão e ao rock potencia ainda mais o interesse pelo SW. Contudo, a música parece-nos ser ainda um factor preponderante na escolha das pessoas que vão ao SW.

3 – Os Faith No More, uma banda de que somos fãs há muitos anos. Há outros ainda, Macaco, Zero7 e Marcelo Camelo.

E AINDA …

Para além dos nomes já falados neste texto existem ainda outros motivos de interesse no SW deste ano. Na Groovebox o maior destaque vai para a dupla que colocou o electroclash nas pistas de dança de todo o mundo, MIss Kittin & The Hacker (dia 6). Pelo palco Palco Positive Vibes, no dia 7, o “Mr Bombastic” aka Shaggy vai fazer a festa e no último dia do festival (9 de Agosto), Lily Allen estreia-se em Portugal. Para além destes nomes ainda está agendado o regresso dos The National (dia 6, palco TMN), a estreia de Ebony Bones (dia 6, Palco Planeta Sudoeste) e actuação que se espera bombástica do Buraka Som Sistema (dia 6, palco TMN).



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