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Super Mario Party | Análise | Switch

O Super "Monopólio" da Nintendo.

Com o chegar do mês de Outubro, as épocas festivas avizinham-se, portanto é bom ter em casa jogos de grupo que entretenham qualquer amigo, familiar ou primo afastado. A sugestão da Nintendo é o Mario Party, o seu jogo emblemático de festa que regressa com este seu 11º título da franquia com o prefixo de “Super” para a Switch. Como sempre, o objectivo é tirar o maior proveito das capacidades da consola para nos pôr a bracejar alegremente na sala e Super Mario Party cumpre-o com distinção. Joguei-o com amigos e familiares, com idades entre os 7 e 30 anos, e todos eles se divertiram igualmente. O charme clássico do mundo do Super Mario ainda funciona perfeitamente para nos lembrar que os jogos de 4 jogadores no sofá ainda são relevantes nos tempos que correm.

A narrativa é idêntica ao primeiro Mario Party (e muitos outros): o protagonista e os seus amigos estão reunidos para decidir quem é a derradeira Super Estrela entre eles. E qual a maneira racional de o fazer? Competir em jogos festivos, claro – se bem que, lá no fundo, o Mario sabe que será sempre o mais popular, ele só organiza estas festas para dar mais 15 minutos de fama aos colegas. Desta vez, Bowser e os seus lacaios também se apresentam como concorrentes, em vez de inimigos (se bem que não percebo como é que o Goomba foi considerado para ser uma personagem jogável quando ele nem braços nem pernas tem!). Depois de escolherem as vossas personagens, é hora da festa. Para aquecer, o meu conselho é ignorarem, por agora, o modo Party tradicional e escolherem ou o River Survival, o Sound Stage ou ainda o modo de mini-jogos individuais. Apesar de soar contraditório, não sinto que o modo titular de Party seja o mais indicado para começar a festa. As suas regras, embora claras, ainda requerem um pouco de tempo até serem aprendidas. Por sua vez, os outros modos são muito mais imediatos, pois as mecânicas de cada um são perceptíveis ao jogar, sem serem necessárias explicações.

Da minha amostragem, o modo River Survival foi o mais celebrado (e o meu preferido). Os jogadores fingem estar a descer um rio numa canoa e têm de remar com os comandos para se afastarem de obstáculos e agarrar balões. As pessoas são imediatamente encorajadas a comunicar entre si, seja ao remar para o sítio certo ou para completar os mini-jogos que, aqui, são sempre desafios de equipa. Pessoalmente, acho que este é o modo mais bem desenhado; o acto de remar intercalado com estes jogos faz com que a equipa vá acumulando pequenas vitórias, o que, por sua vez, melhora a dinâmica de grupo quando se regressa à canoa. Por isso, sinto que este modo é o mais adequado para diversão imediata. Em seguida, o modo Sound Stage é a versão Mario Party do Just Dance, onde todos os movimentos são transformados em jogos de ritmo. Os mini-jogos inspirados neste conceito são surpreendentes e a experiência torna-se ainda mais rica quando nos apercebemos que tudo acontece dentro do mesmo compasso rítmico. Para além disso, os vários gestos sugestivos que temos de fazer só contribuem para a animação entre os concorrentes (e os espectadores). Porém, é necessário que os jogadores estejam habituados à sensibilidade dos comandos para acertarem nos tempos certos, o que pode causar algumas frustrações para os que não sejam donos de uma Switch. O terceiro modo que recomendo permite-nos jogar todos os mini-jogos individualmente, seja em sucessão aleatória ou numa espécie de “Mariotona” onde jogamos uma série fixa para ver quem é o vencedor mais frequente. Recomendo vivamente a primeira opção, pois o simples facto de nos apresentar um mini-jogo aleatório a seguir ao outro cria uma sequência interminável de desafios curtos e divertidos. As “Mariotonas” também podem ser jogadas online, contra jogadores de todo o mundo. No entanto, este aspecto deixa muito a desejar porque, para além de só ser possível jogarmos online desta maneira, estamos limitados a apenas 10 dos vários mini-jogos existentes – o que é uma pena pois muitos deles são fantásticos e memoráveis. De entre estes 10, só podemos jogar uma sequência fixa de 5 que se vai alternando ao longo do dia – isto faz com que uma sessão de jogo se torne repetitiva num instante. Felizmente, podemos criar uma sequência personalizada quando jogamos contra amigos, mas não deixa de ser um número muito reduzido de mini-jogos.

 

Super Mario Party enquadra-se em qualquer situação festiva, seja para longas partidas à volta de um tabuleiro virtual ou  para 10 minutos de remo no sofá

 

Voltando ao modo titular de Party, como disse, também é cativante, mas requer um pouco mais de paciência para ler os tutoriais. O objectivo é lançar os dados e andar pelo “tabuleiro” a coleccionar itens, ganhar moedas e comprar estrelas. Infelizmente, só temos 4 mapas, um dos quais está bloqueado ao início. É um número relativamente pequeno, comparado com os títulos anteriores, mas é uma falta compensada pela parafernália de mini-jogos que se vão jogando pelo meio. Tudo isto, e o facto de haver dados normais e especiais, torna este modo ligeiramente mais complexo e, por isso, menos acessível em relação aos outros. No entanto, acho que vale a pena compreenderem estas regras com os vossos colegas, porque é o modo que nos puxa mais do espírito competitivo, de uma maneira gratificante. Os mini-jogos que outrora era distracções pontuais tornam-se em momentos decisivos na nossa jogada, pois o resultado pode facilmente mudar as posições de cada jogador. Pelo menos é possível praticar cada um antes de os começar “oficialmente”, algo que todos os meus amigos gostaram. Em suma, o modo Party é a experiência mais exigente, mas, quando todos estão na mesma página, é o que oferece a maior diversão competitiva (quase sanguinária) – muito ao estilo do Monopólio.

Concluindo, eu considero que este é o melhor jogo de festa actualmente disponível para a Switch. Todos os modos são acessíveis e versáteis na maneira como nos proporcionam entretenimento. Eu até diria que o modo River Survival é melhor do que o principal por causa da euforia que se instala quando toda a gente se põe aos berros para se coordenar na canoa invisível. Mas o que se deve reter é que Super Mario Party enquadra-se em qualquer situação festiva, seja para longas partidas à volta de um tabuleiro virtual ou  para 10 minutos de remo no sofá. Mesmo num autocarro com um amigo, é possível sacar uns minutos animados deste título. Alguns dos mini-jogos que requerem um uso dinâmico dos joy-con são um pouco imprecisos, mas o único real defeito deste jogo é não ter uma componente online que nos permita jogar os seus magníficos modos contra os nossos amigos (para além dos mini-jogos). Ainda assim, se tiverem uma Switch e estão a planear uma festa (para participantes de todas as idades), então agarrem este título e mais um par de joy-cons. Alternativamente, podem convidar um amigo que também seja dono duma Switch para experimentarem os mini-jogos especiais que se jogam entre as duas consolas de maneiras muito criativas.

Cotação: Realmente “Super”!/10



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