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SuperBock SurfFest

13 e 14 de Agosto.

E o Verão manifesta-se com mais um festival da autoria da Música no Coração, desta vez no Algarve, em Sagres, na Praia do Tonel. O slogan mostra-nos qual o programa a seguir nesta terra escolhida por quem gosta de praia, surf e, claro, juntar o útil ao agradável, a música!

Para falar a verdade, ao contrário do que estamos habituados a nível climatérico nesta zona do Algarve, o evento teve dias e noites muito agradáveis, declarando-se, no segundo dia,  um pouco de cacimba.

A abrir, os Kumpanhia Algazarra dispararam o primeiro foguete do festival, anunciando o seu começo com bastante alegria e, apesar de o recinto estar relativamente vazio, quem lá estava, fixou-se até ao último fôlego do concerto.

Seguiram-se os Babylon Circus, com o seu ska que se funde com reggae, punk e french pop; os dez elementos apresentam o seu novo álbum “Belle Étoile”. Os franceses contemplam o belo pôr-do-sol e o público é conquistado! Foi um momento trés bon!!

Asian Dub Foundation aproveitaram a embalagem do público dançante e eufórico para misturar a sua música com o activismo que desde sempre passam na sua mensagem. Com a electrónica misturada com instrumentos, fazem uma solução explosiva e a vibração é notória quando os senhores tocam as músicas «Rise To The Challange», «Take Back The Power»; «Speed of Light» e, claro, «Flyover». Bem hajam.

Foi para ver Gentleman que grande parte das 15 mil pessoas aqui vieram. A banda que acompanhava o alemão era leve, brilhante e com muita boa onda. O público, unido, cantou as suas canções com as letras na ponta da língua. «Pursuit Of Hapinness»; «Runaway» e «Intoxication» foram as músicas mais entoadas. Este músico bastante respeitado no universo reggae europeu proporcionou bom feeling e todo o público estava feliz.

Para finalizar, o grande Nitin Sawhney sobe ao palco. Este músico, produtor e não só, viaja com os seus sons por vários caminhos e estilos musicais. Ele funde a música electrónica com o jazz, hip-hop e sonoridades asiáticas, escolhendo as tablas, indispensáveis neste universo. Com Natasha Atlas na voz, este concerto demonstrou-se intimista e aos poucos conquistou todo o público presente.

Para acabar, na tenda electrónica, os DJ’s João Maria e João Araújo animaram a noite até às 5h.

No segundo dia, começo com Souls of Fire, uma banda oriunda do Porto, cujo reggae aqueceu o início do último dia do Super Bock Surf Fest.

Para não quebrar o vibe, o holândes Ziggi entra bem-disposto, e dá um alô aos fumadores de ganja! A alegria acontece…

Nouvelle Vague é umas das grandes razões da afluência do público. A banda de versões lounge/bossanova trouxeram aos nossos ouvidos músicas de Depeche Mode («Master and Servant» e «Just Can’t Get Enough»), Dead Kennedys («Too Drunk To Fuck»), Sex Pistols («God Save The Queen»), entre outras. Para terminar, escolheram a grande música de Joy Division («Love Will Tear Us Apart»).

A californiana Tristan Prettyman estava muito feliz por estar em Sagres. Durante o concerto, sempre agradeceu ao público e sempre teve uma atitude bastante positiva apesar dos problemas técnicos a nível de som.

Para acelerar um pouco, entra outra banda de covers em palco. Easy Star All-Stars! Foi uma grande surpresa para quem não os conhecia. Mas não foi difícil conquistar o público, pois é uma banda com uma boa escolha de músicas para fazer arranjos em reggae. Começaram com The Beatles, passaram para Pink Floyd e também por Radiohead! Foi um momento mágico, pois sente-se grande harmonia entre os músicos e isso transpõe-se automaticamente nas pessoas presentes.

Para finalizar esta edição de SuperBock SurfFest, e bem, os 2ManyDj’s provocaram o êxtase total. Poucas vezes vi tamanha euforia! Ao primeiro minuto o recinto encheu; ninguém quis perder pitada do que se iria passar ali. Os irmãos trouxeram consigo uma tela enorme (VJ) que se situava atrás da mesa de DJ onde figuravam todas as músicas que misturavam com animações toscas e engraçadas. Utilizam a  técnica mash-up que interliga músicas que, aparentemente, nada têm a ver, mas que resultam muito bem juntas. 2ManyDj’s são mestres nisso.

Deixando muitos fãs à porta, o recinto abarrotado dança ao som The Gossip, MGMT, ZombieNation, Erol Alkan, Yeah Yeah Yeahs, Daft Punk, AC/DC, Michael Jackson, Sepultura, Major Lazer, Nirvana, entre outros. Foi perfeito!

A nível de organização, faltaram casas-de-banho, levando as pessoas a saírem e entrarem constantemente do recinto. O alinhamento das bandas, não sendo muito divulgado, foi o responsável de muitos terem chegado tarde ao recinto e por consequência terem perdido concertos como Babylon Circus, Asian Dub Foundation ou Nouvelle Vague.

O SBSF, como diz o produtor Luis Montez, foi uma “brincadeira” para a máquina que acaba de organizar o Sudoeste. Em declarações ao Correio da Manhã, o produtor da Música no Coração salienta, “Organizei este festival pelo telemóvel”. Quando acedi a este artigo, percebi que mesmo sendo um evento mais pequeno, requer a mesma atenção de um grande. O procedimento é o mesmo, o número de pessoas é que aumenta ou diminui.

Esperemos que no próximo ano haja outro cuidado, especialmente a nível ambiental, pois Sagres é Parque Natural e não é nada bonito visualizar o chão fora do recinto cheio de lixo e a servir de toilette. Os pormenores fazem a diferença!



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