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“TABU”

Aurora tinha uma fazenda em África, no sopé do Monte Tabu…

Sentado numa das cadeiras na sala de cinema do Centro Cultural Malaposta está Henrique Espírito Santo (Henrique E.S.) pronto a receber a RDB. Importante produtor e director de produção do cinema português, foi também dirigente cineclubista e crítico de cinema em diversas revistas, carreira que iniciou muito jovem e preservou até hoje.

“TABU”, de Miguel Gomes, foi a última produção em que participou, mas desta vez como actor. Henrique Espírito Santo representa o Sr. Ventura no presente, porque o Ventura do passado é interpretado por Carloto Cotta.

O filme desenvolve-se em duas acções espaciais e temporais diferentes, 1ª Parte – “Paraíso Perdido”, passado em Lisboa no ano 2010 e a 2ªParte – “Paraíso”, no sopé do Monte Tabu em Moçambique, no ano 1960.

É em Lisboa que conhecemos Aurora (Laura Soveral – velha Aurora), já com sinais psicológicos e físicos de uma juventude longínqua. Vive com a sua empregada cabo-verdiana, Santa (Isabel Muñoz Cardoso) e conta com uma vizinha, Pilar (Teresa Madruga), sempre dedicada e incansável. Aurora vai para o hospital e pede para chamarem o Sr. Ventura. Um passado em África, entre crocodilos, lágrimas e um assassinato, é revelado. Ao som do “be my baby”, um amor sórdido e impossível, de tom colonial, aquece entre Aurora (Ana Moreira – jovem Aurora) e Ventura (Carloto Cotta – jovem Ventura).

Henrique E.S. acabou por partilhar com a RDB:

“É um belo e magnífico filme, o Miguel nunca me deixou com dúvidas em relação ao seu trabalho (com um olhar orgulhoso). Existiu um cuidado incrível com o som, por parte do Vasco Pimentel e do Miguel Gomes. O que se traduziu num trabalho genial. O Rui Poças é o responsável por eu aparecer tão bonito”.

É considerado pela crítica um filme excêntrico, em parte por ser gravado com uma câmara de 35mm e ser a preto-e-branco. É ai que Henrique acrescenta:

“Já sei porque é que me escolheram para participar neste filme, foi porque eu nasci antes da cor no cinema (e solta umas fortes gargalhadas) ”

Na exibição do filme no Centro Cultural da Malaposta, para além de Henrique E.S., esteve presente o director de fotografia, Rui Poças, que esclareceu:

“O filme é a preto-e-branco porque mistura memória, sonho, uma época e um amor. São as memórias pessoais e as do cinema juntas. A 1ª parte é contemporânea, a 2ª é um flashback, um tempo na memória feito de retalhos (…) um filme a preto-e-branco com imagens cintilantes. Há mais de 20 anos que não se faziam filmes assim. Existem apenas 4 cópias deste filme, também a preto-e-branco. Quando este filme é exibido, estamos perante pura magia e esta equipa lutou muito por isso.”

“TABU”, é uma co-produção entre Portugal, França, Alemanha e Brasil. Estreou em Abril deste ano e foi muito aclamado pela crítica nacional e internacional. Nomeado e vencedor de inúmeros prémios, como o prémio da crítica e o prémio Alfred Bauer, de inovação, no Festival de Cinema de Berlim, ou o prémio Lady Harimaguada de Prata no Festival  de Las Palmas, em Espanha. Está entre os três finalistas ao Prémio LUX, atribuído pelo Parlamento Europeu. Já antes deste incrível sucesso Miguel tinha ganho notoriedade com o seu documentário “Meu Querido Mês de Agosto”. 



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