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Talkfest’12

O fórum sobre Festivais de Verão que também merece ser nome de festival

No dia em que temos conhecimento que apenas faltam pouco mais de 1000 bilhetes para esgotar os passes de 3 dias para o Festival Optimus Alive’12 e que são anunciados os primeiros nomes para o Boom Festival 2012, voltamos novamente à conclusão de que os Festivais de Verão estão para ficar e cada vez mais a crescer de forma imponente e a levar o nome de Portugal a todo o mundo.

Todos sabemos que a temática dos Festivais de Verão suscita diversas questões de ordem social, antropológica, mas talvez a mais importante de todas seja a económica. Nos tempos que correm, registam um maior aumento no número de espectadores nacionais e internacionais. Mas entre estas, outras temáticas despertam cada vez mais a nossa atenção. Como tal, no dia 9 e 10 de Maio, o Talkfest’12 – o Fórum sobre o futuro dos Festivais de Música em Portugal – teve lugar no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e contou com inúmeros convidados ligados à indústria dos Festivais. Para complementar os dois dias com debates sobre os diversos temas, houve vários showcases de bandas nacionais e muita animação.

Dia 9
A primeira discussão do dia foi em torno de qual a razão de sucesso dos Festivais de Música. E existem realmente várias, adequando cada razão a cada modelo de festival. Artur Mendes, director de comunicação do Boom Festival, afirmou que o facto de o Boom ser um Festival 100% ecológico e amigo do ambiente e ter uma extrema preocupação com o design artístico, o distingue dos restantes modelos de Festivais. O que é certo é que, apesar de todas as polémicas transmitidas pela comunicação social em torno do público mais alternativo que frequenta este festival, o Boom Festival já arrecadou diversos prémios mundiais e apenas pretende gerir novos conteúdos para dessa forma transformar mentalidades. Já o Musa Cascais, que também não tem muito destaque por parte da imprensa, destaca-se pela sua filosofia de sustentabilidade ambiental. Conta com inúmeros voluntários para toda a produção e preparativos do festival, assim como a bonita localização geográfica e a divulgação de um cartaz essencialmente com novas promessas nacionais e internacionais. Outro caso recente de sucesso é o festival Milhões de Festa que desde 2010 tem vindo a crescer abruptamente. Jorge Naper, director de comunicação do festival, explicou que o logótipo criado para o festival se tornou viral e indissociável da marca do Festival. Também o ambiente e o local escolhido para a realização do Festival faz com que todos os participantes se sintam em verdadeiro ambiente de férias e isso acaba por agradar a todos.

Fernando Alvim, radialista da Antena 3 e que dispensa apresentações, falou sobre o outro lado – o insucesso de um Festival. O exemplo foi dado com a edição deste ano do Festival Termómetro no dia em que houve a eliminatória na cidade do Porto. Para além de o local escolhido ser ligeiramente longe da cidade, a estrutura do palco era muito alta, houve atrasos no alinhamento e estava muito frio, o que fez com que um Festival que costuma ter um número considerável de espectadores, tivesse cerca de 250 pessoas. Contudo, e para concluir este tema, falou-se sobre a grande inovação no universo dos Festivais de Música que ocorreu a partir da sua primeira emissão televisiva.

Pedro Miguel Paiva, produtor da Sigma 3, disse que actualmente os Festivais de Verão crescem em várias frentes, quer a nível qualitativo quer quantitativo e isso pode reverter-se na economia nacional. Desde há 10 anos que diversos Festivais são transmitidos televisivamente através da SIC Radical e esse contributo mudou toda uma geração e até mesmo a visão das empresas de modo a poderem tornar-se sponsors do mesmo. De facto, o grande motivo para que os Festivais de Música sejam um caso de sucesso resume-se apenas em duas frases: «Eu Vou», pois faz com que várias pessoas queiram ir ou tenham curiosidade em participar, e «Eu estive lá», porque marca a diferença e viveu várias emoções que gosta de partilhar.

Será que os Festivais que têm no seu cartaz bandas portuguesas serão uma necessidade ou uma recompensa? Nem uma coisa nem outra. Existem Festivais que actualmente dedicam o seu cartaz inteiramente às bandas nacionais e todas elas têm um lugar de destaque neste universo. A promoção que é feita para estes artistas é muito grande e todos os convidados afirmam que é muito prestigiante actuar em grandes Festivais para mostrarem o seu trabalho e o feedback obtido é sempre muito positivo. Todavia deveria haver um maior rigor com os horários designados para as bandas. Por exemplo, abrir um palco principal às 17h é um risco pois pode não haver espectadores suficientes, embora seja para a banda um grande privilégio.

Miguel Ribeiro (The Gift) acaba por concluir que “todos os Festivais deverão ter bandas portuguesas, pois existem Festivais para todos os estilos.” O crescente número de Festivais motiva o aparecimento de artistas e bandas nacionais com elevada qualidade, e estes por sua vez dão força à realização de Festivais e à inclusão das bandas portuguesas nestes eventos.

Dia 10
Um dos temas mais importantes terá sido a segurança e o tratamento do público, que tanta polémica causa ano após ano. António Fortes (comissário do núcleo de operações do comando do metropolitano de Lisboa) explicou que em conjunto com a Protecção Civil, Bombeiros e a Polícia Territorial, fazem uma medição exaustiva do terreno para delinear o espaço do recinto do Festival. Existe também uma preparação prévia em conjunto com o grupo de segurança contratado de modo a que todo o esquema de segurança esteja muito bem coordenado. Luís Montez (Música do Coração) afirma que se devem quebrar preconceitos relativamente a alguns artistas pois não são sinónimo de provocação e de origem a desacatos. Todos os Festivais cumprem as regras de segurança e aperfeiçoam todos os anos os planos de evacuação do recinto. Por algum motivo Portugal é sempre falado como um excelente exemplo em casos de estudo de avaliação no estrangeiro ao nível da organização, coordenação e policiamento.

Actualmente, é bastante forte o poder das marcas na associação de um namming de um Festival de Música ou até de outro evento qualquer. Dois casos de grande sucesso são as operadoras móveis: a TMN e a Optimus que representam os festivais Sudoeste TMN e Marés Vivas, Optimus Alive e Primavera Sound respectivamente. Estas operações de Marketing são muito bem conseguidas pois o nome da marca é meio caminho andado para chegar a uma população e consolidar a sua presença no ADN de um festival.

Quanto ao facto de uma imagem de um festival estar ligada à imagem do local territorial onde está inserido, claro que traz inúmeras vantagens ao local. Um caso muito positivo é o da Zambujeira do Mar com o festival Sudoeste TMN, que viu o turismo local crescer vivamente e com isso a criação de vários postos de trabalho. “Há muito mais vida para além da construção de edifícios” disse José Guerreiro, Presidente da C. M. de Odemira. Também o vereador da C.M. de Loulé e produtor do Festival MED, Joaquim Guerreiro, conseguiu com este evento dinamizar o centro histórico da cidade, revitalizar o espaço e fazer com que a população estivesse fortemente envolvida na concretização do Festival. Exemplo semelhante é o do Festival Bons Sons na aldeia de Cem Soldos em Tomar. Todos os intervenientes na produção do evento são residentes na localidade e o retorno a nível do investimento de impacto social é bastante significativo. Álvaro Covões (Fundador da Everything Is New) vai mais longe e descreve que o elevado número de festivaleiros estrangeiros (que vêm principalmente de Espanha e Reino Unido tem vindo a superar em larga escala o número de anos anteriores, o que faz com que haja uma divulgação muito grande por parte do turismo nacional.

Mas muito se deve à comunicação social que continua a apostar na divulgação e publicitação destes eventos. São eles um meio fundamental para a ascensão de um Festival? Dizer que só os programas generalistas é que dão audiências e a música em televisão não dá, é um mito! Francisco Penim, o jornalista que potenciou a presença da televisão nos Festivais de Verão contou que a presença da televisão nestes eventos enfrentou e superou todos os agentes resistentes à mudança e contribuiu para a criação de melhores condições de trabalho e de mudança de mentalidades perante o público. Outro meio de comunicação bastante forte são as redes sociais. Segundo Diana Bouça Nova, as redes sociais têm na actualidade um impacto muito forte no mediatismo dos Festivais e o feedback é sempre fenomenal. Seja para o bem ou para ‘morte’ do artista.

Para terminar este segundo dia de debate, discutiu-se ainda a relação entre os recursos humanos locais envolventes nos festivais e qual será o futuro e os factores que contribuem para o sucesso de todos os Festivais que existem.

A Organização do Talkfest’12, constituída por Ricardo Bramão, Pedro Quinteiro e Joana Gonçalves, está de parabéns. Foram dias muito intensos, mas todas as temáticas foram exploradas de uma forma leve e concisa. Quem não teve oportunidade de assistir a esta primeira edição, não desanime. A organização promete regressar com mais novidades e o anúncio da próxima data para este acontecimento está para breve.



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