Talkfest’14 | O futuro dos festivais de Música

Talkfest’14 | O futuro dos festivais de Música

A conversa com Ricardo Bramão e Tiago Fortuna a propósito da edição que acontece já nos próximos dias 13, 14 e 15 de Março no ISEG e Aula Magna de Lisboa

O Talkfest – Fórum sobre o futuro dos festivais de música em Portugal está de volta a Lisboa para discutir e reflectir “sobre o estado da arte dos festivais de música”.

Depois do arranque em 2011, o Talkfest, certame da responsabilidade de Ricardo Bramão, Tiago Fortuna, Marta Azevedo e Andreia Peixoto, tornou-se mais abrangente (alargando o conceito para o público geral e não apenas os do meio), mais internacional (firmando uma parceria com os Festival Awards, Ltd), criou seminários e mostras de documentários, o que mostra uma postura de constante melhoria e atenção ao que sai de cada edição.

Para conhecermos um pouco mais acerca da edição que se aproxima, estivemos à conversa com o Ricardo e o Tiago.

Esta é já a terceira edição do Talkfest. Que lições e conclusões se tiraram das edições anteriores e como afectaram a construção desta edição?

Ricardo Bramão: De ambas as edições tirámos diversas conclusões. Logo na primeira percebemos que o Talkfest era um evento mais abrangente do que esperávamos; foi criado com o intuito de ser um espaço para a indústria e logo percebemos que os curiosos e interessados nos festivais de música tinham um papel fundamental e a partir da 2ª edição o Talkfest passou a ser um evento ao qual qualquer pessoa que compre um bilhete pode ter acesso. Da segunda para a terceira edição apercebemo-nos de uma grande sede de conhecimento e espaço no mercado para tornar o Talkfest mais internacional e abrangente. Desta forma firmámos parceria com os Festival Awards, Ltd. tendo este ano um dia internacional, em que vamos receber algumas das personalidades mais influentes da Europa neste campo. Criámos ainda três novas vertentes: Documentários – com estreias absolutas em Portugal -, as PRO – Apresentações Profissionais, espaço de apresentação de projectos e produtos relacionados com os festivais, e ainda os Seminários onde teremos Ana Bacalhau e Pedro Silva Martins a explorar a importância da palavra na música e Luís Rasquilha no marketing.

Que novas ideias e linhas estratégicas saíram das edições anteriores e quais gostariam que saíssem desta edição?

Tiago Fortuna: Para já, aquilo a que vamos estar mais atentos será ao resultado dos debates, aos temas que forem mais críticos, aos mais reveladores e interessantes. Neles iremos certamente pegar na próxima edição, como é o caso nesta edição acerca do debate sobre se os festivais de música contribuem para o sustento do artista em Portugal, um ponto muito debatido em 2013 e que este ano terá uma temática no dia 13 de março, assim como a pergunta de uma das conferências “Festivais a mais ou festivaleiros a menos?” no dia 14.

Em entrevista à RDB a propósito da primeira edição incitavam os governantes a aproveitar os festivais em Portugal para potenciar este turismo no País. Acham que Portugal está a desempenhar bem esse papel?

Ricardo Bramão: Nem por isso. Portugal está neste momento a tirar bastante proveito dos festivais, e das condições que consegue oferecer internacionalmente que outros países não conseguem, como o clima ou o preço que é bastante acessível comparativamente por exemplo a festivais no Reino Unido, mas este esforço é muito feito e conseguido por bons promotores e marcas e não uma cidade. Talvez o exemplo único que consiga ser feito de forma positiva e integrada seja o do Optimus Primavera Sound no Porto com claro apoio e gestão de recursos e logística da Câmara Municipal do Porto. A migração do público nos festivais é algo que iremos disctutir este ano.

Como funciona o processo de escolha e decisão dos oradores?

Tiago Fortuna: Tentamos olhar para a indústria e para o trabalho que é desenvolvido nela, quem são os intervenientes e quem são os protagonistas nas temáticas que abordamos, é esse o critério. Cada conferência ou debate deverá ter uma visão integrada e de 360 graus do que se propõe a ser debatido.

E das actuações musicais?

Tiago Fortuna: O talento português. Não só o talento já reconhecido, mas também o de bandas emergentes como é o caso dos Los Waves ou dos Brass Wires Orchestra que vão apresentar o seu primeiro álbum no Talkfest’14. Claro que é também importante ter artistas já consagrados e nesse campo temos este ano DJ Ride, que soma dezenas de concertos fora do País e que, por exemplo, fechou o MEO Sudoeste 2013 e já está confirmado para o Rock in Rio. Para o Talkfest tem uma apresentação especial preparada, já que será a última vez que vai apresentar o seu espectáculo Pixel Trasher e Live in Loops.

Têm no painel os representantes dos melhores festivais da Europa. Na vossa opinião, Portugal tem já algum festival ao mesmo nível?

Ricardo Bramão: Portugal tem festivais que são muito bons. Alguns deles nem chegam aos grandes media mas são casos de enorme sucesso e qualidade como o Boom Festival. Também temos festivais de grande dimensão muito bons, e sim, acreditamos que estão a um nível cada vez mais competitivo com a Europa como nos casos do Optimus Alive, Optimus Primavera Sound e Paredes de Coura.

Não acham que o mercado português tem já demasiada oferta e fragmentação, ou por outro lado acham que é este o caminho certo e há espaço para mais oferta?

Tiago Fortuna: Esta é realmente uma questão que está a gerar muita discussão e que abre no dia 14 de Março logo às 9h30 o debate “Is it a case of too many festivals or not enough festival-goers? How to grow your market. Discussion of the innovative ways festival organizers have grown the festival market through developing events for specific audiences, such as older people, high-end VIP experiences and more”. Preferimos, para responder a esta questão, convidar todos os interessados a estarem presentes; será certamente um dos grandes debates do Talkfest’14 e que mais buzz antecipado está a gerar.

O que define para vós um bom festival?

Ricardo Bramão: Essa é uma questão muito subjectiva… o cartaz é uma das mais fortes razões para a definição de um bom festival, mas também as condições oferecidas aos festivaleiros são fundamentais. O cartaz obedece sempre à regra de gostos pessoais. É mais uma questão aprofundada no estudo sobre o perfil do festivaleiro, realizado pelo Talkfest, a ser apresentado no dia 13 no ISEG.

Há algum festival de que sintam falta (que já tenha existido ou que exista apenas na vossa mente)?

Ricardo Bramão: Existem de facto experiências e conceitos de sucesso extremamente interessantes que ainda não chegaram a Portugal, que podiam trazer benefícios. Estão a chegar e não têm necessariamente de vir através de novos festivais já que os existentes inovam todos os anos e procuram melhorar a experiência que proporcionam. É deste desenvolvimento e da sua necessidade que o Talkfest se alimenta. De qualquer forma, o paradigma do festival actual será actualizado e seguirá uma tendência natural na Europa, a de criar momentos únicos e exclusivos para se distinguirem e agarrarem um público cada vez mais exigente.



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