Tara Perdida | Entrevista

Tara Perdida | Entrevista

Os Tara Perdida lançaram “Luto”, um álbum carregado de emoção que pretende também ser o início de um novo capítulo para a banda

Ao ouvir o álbum percebemos que foi feito com muita emoção, toda a que se pode ter depois de uma perca; mais do que um companheiro de banda, Ribas era um amigo, um irmão.

Desprovido de arranjos maiores, “Luto” sai da alma, é cru e mostra revolta. A revolta do luto de um amigo e de afirmação para os novos elementos da banda – Tiago Afonso e Alex.

Letras fortes, ao estilo de Tara Perdida, que nos transmitem que vão continuar a fazer o melhor que sabem e que os fãs tanto gostam – o melhor punk rock em Português.

A RDB trocou umas palavras (via email) com a banda. No entanto sigam o Facebook de Tara Perdida para se manterem actualizados sobre as novas datas de concertos.

Como é que a banda vive esta nova fase de Tara Perdida? Passou-vos pela mente acabar?

Tiago Ganso (TG) – Neste momento vivemos uma nova fase com muito optimismo mas nem sempre foi assim. Após o falecimento do João tivemos que tomar decisões e, como deves calcular, não foi nada fácil. Mas tivemos sempre apoio da nossa agência (Just for You), da nossa editora (Sony Music) e dos nossos amigos que nos diziam constantemente que a banda tinha que continuar e que era impensável acabar.

A base de fãs que a banda tem foi importante para o Luto, quer seja álbum quer seja o luto de perder um amigo?

TG – Sem dúvida. Estavam sempre a mandar mensagens de optimismo e de força para que nós continuássemos o trabalho. Perder um amigo (e o João não era um amigo qualquer) é sempre difícil… Eu costumo dizer que há alturas do ano que passo mais tempo com eles (Rui, Pedro, Tiago e Alex) do que com os meus filhos e a minha mulher. Por isso, e como deves calcular, a perda foi bastante difícil… Somos “tipos” irmãos, dizemos tudo o que temos a dizer uns aos outros na cara, não há cá rodeios.

Este álbum surge um ano depois de Ribas ter partido, foi a vossa forma de ‘deitar cá para fora’ os sentimentos?

TG – Sim, foi exactamente isso. Penso que este seja o álbum mais forte e mais natural em termos de letras. Há duas músicas dedicadas ao João a 100% («Morfina» e «Até ao fim») mas o resto do disco de alguma forma também é para ele.

Como foi o processo de composição deste álbum?

TG – Foi como os outros discos. Desde o “É assim…” que o processo de composição é praticamente o mesmo, a única diferença é que as coisas aqui saíram de uma maneira mais espontânea. Houve muita revolta em nós… não te sei explicar mas houve momentos em que sentimos tanta revolta que quem se metesse à nossa frente era automaticamente atropelado! Foram dias duros que, felizmente, já passaram, mas foram sentimentos muito fortes que nos uniram ainda mais e fizeram com que o disco tivesse saído assim.

Como foi a entrada e integração na banda?

Tiago Afonso (TA) – A entrada na banda foi muito tranquila. Nunca senti qualquer tipo de pressão fosse para o que fosse. Penso que isso se deve ao facto de já sermos amigos e principalmente de partilharmos as mesmas ideias e maneira de estar na música.

Há aquele “friozinho na barriga” por se integrar a banda numa fase complexa? Ou o desafio é mais do que isso?

TA – Claro que é uma grande responsabilidade estar numa banda com 20 anos, com milhares de fãs e em que o vocalista era alguém tão carismático e importante como o João Ribas, mas se, quando me ligaram a convidar para ir para a banda houve algum “friozinho na barriga”, desapareceu de imediato quando começámos a ensaiar e a compor.

Como novo elemento, como foi integrar a criação de “Luto”?

TA – Foi surpreendente pela positiva… A forma de compor dos Tara Perdida não se alterou com a minha chegada. Foi tudo muito natural, espontâneo e verdadeiro. Havia uma ideia, o pessoal curtia e nessa noite tínhamos uma malha feita. Sem dúvida que 20 anos sempre a tocar e a lutar, sem tretas, pesam muito.

E os fãs, como é que reagem? Dão algum feedback?

TA – São os maiores! Eles amam a banda, aparecem em todos os sítios onde a banda está, fazem muitos quilómetros para nos ver, mesmo que no dia seguinte estejamos a tocar à porta de casa. Recebo dezenas de mensagens todos os dias a dar força… Não tenho palavras para lhes agradecer.

20 anos de banda, certamente com altos e baixos. Conseguem fazer um balanço deste tempo? Podemos contar com Tara Perdida por mais 20 ou 30 anos?

TG – Espero que sim, mais 20 pelo menos. O balanço é mais do que positivo. Tivemos dias maus como toda a gente mas também tivemos dias espectaculares… e muitos…. Tocámos em quase todos os grandes palcos do País, divertimo-nos à grande e agora espero que voltemos a fazer o mesmo com o Tiago e o Alex que são duas pessoas espectaculares.

Próximos concertos, podem avançar datas?

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