TEATRO DA CORNUCÓPIA – PROGRAMAÇÃO PARA 2013

“O Teatro da Cornucópia propõe-se continuar a trabalhar em 2013, apesar das dificuldades que tem enfrentado. OS DESASTRES DO AMOR, último espectáculo da companhia, revelou-se um êxito e esgotou praticamente todos os dias da sua carreira. No entanto não foi isso que conseguiu anular as dificuldades com que a companhia tem lutado e foi muito difícil sobreviver nos últimos 3 meses do ano sem que lhe fosse pago o último trimestre do apoio da DGArtes que por contrato lhe era devido e com que a Companhia contou no seu orçamento. Por fim essa situação desbloqueou-se e foram abertos os novos concursos de apoio à actividade teatral, com regras parecidas mas menos verbas e critérios anunciados que tendem para uma forma de existência em que actividade teatral deverá cada vez mais encontrar outros financiamentos que completem o subsídio do Estado. Seja qual for o resultado que a Cornucópia obtiver do Concurso só poderá sobreviver encontrando outros financiamentos que lhe permitam, para além de todas as despesas de manutenção de uma sala de espectáculos que também é o lugar de construção de cenários e guarda-roupas, contratar actores e fazer outras despesas de montagem, ou seja, apresentar espectáculos. Mas decidiu continuar, aguardando os resultados do concurso e com a esperança de que, pelo menos por mais algum tempo, alguns desses financiamentos venham a desbloquear, mesmo que caso a caso, a situação.

Este novo ano marca o regresso do Teatro da Cornucópia ao Porto, uma vez que o Teatro Nacional de S. João propôs uma apresentação de duas semanas em Março de OS DESASTRES DO AMOR, reatando as apresentações da Companhia no Porto, há muito interrompidas.

No princípio do ano fará um pequeno ciclo a que deu o título de O NOME DE DEUS em torno da estreia absoluta da peça de José Tolentino de Mendonça O ESTADO DO BOSQUE. A apresentação do espectáculo de 7a 24 de Fevereiro será precedida pela leitura de dois textos (duas sessões para cada um) que de certa maneira com ele podem dialogar, e que nos dois casos têm a forma de cartas a gente mais nova: GENNARIELLO (cartas a um jovem napolitano) de Pier Paolo Pasolini, o mais santo de todos os ateus, e DUAS CARTAS à filha, de Paul Claudel, o mais profano dos poetas confessadamente católicos, dois capítulos do livro No Meio dos Vitrais do Apocalipse. Também na peça de Tolentino de Mendonça um velho cego é o guia do bosque que vários jovens de várias idades se propõem atravessar. Mas Deus é nomeado uma única vez.

Só no final de Maio, quando já forem conhecidos os resultados do concurso, e depois da digressão ao Porto, poderemos estrear a mais importante produção do ano: AI AMOR SEM PÉS NEM CABEÇA, uma colagem de textos da colecção de teatro de cordel da Biblioteca da Fundação Gulbenkian (já digitalizada). Será a revelação de um património dramatúrgico português setecentista de extraordinária importância e ainda tão pouco aproveitado mas a cuja catalogação, o professor José de Oliveira Barata tanto se tem dedicado. Esse projecto, mercê de um acordo estabelecido com a Escola Superior de Teatro e Cinema implicará também uma colaboração com essa escola, realizando a Companhia com os alunos do 2º ano dez dias de um estágio na sua própria sala com trabalho sobre um dos entremezes não utilizados no espectáculo e permitindo-lhes tomar contacto com uma estrutura como a Cornucópia e com os seus métodos de trabalho nos vários campos. Prevê a Companhia que este espectáculo ainda antes do Verão possa vir a circular por outras salas.

Depois do Verão estrearemos o 3º espectáculo da temporada: 4 AD HOC, Quatro “pochades” de Labiche. São quatro peças curtas de um dramaturgo que escreveu 176 peças, extremamente ligado à pratica teatral e que faz com o seu teatro uma espécie de retrato da vida burguesa da época, tão perto da caricatura como Daumier na pintura e como ele interessado numa arte realista. Labiche é com Feydeau e Courteline um dos grandes mestres franceses do “teatro de boulevard” do fim do século XIX e estas peças curtas são pequenas obras primas de humor e qualidade literária dos diálogos dramáticos, no fundo também entremezes que deixam de ser anónimos como a maioria dos entremezes de cordel portugueses do sec XVIII, e são escritos por um membro da Academia Francesa.

Entretanto, e nos tempos possíveis de utilização da sua sala, entre produções da companhia, a Companhia, consciente das dificuldades que os criadores mais novos terão de enfrentar para a apresentação dos seus trabalhos, vai disponibilizar o seu espaço a vários projectos pontuais. A sua concretização está também dependente dos resultados dos concursos da DGArtes”.

 



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