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Teatro Praga em Cena

História do terrorismo em 3 actos.

Uma casa com jacuzzi no meio da floresta. Jovens a dançar, a beber, a rir, uma autêntica festa. Até que, de repente, tudo muda. Três desconhecidos entram em acção armados com uzzis e viram tudo do avesso. “Oil ain’t all, JR” é a mais recente produção do Teatro Praga, que contou com a colaboração de Gabriel Abrantes e esteve em cena até dia 30 de Março na Sala de Ensaio do CCB.

Pedro Penim, dos Praga, a encarnar um jovem terrorista com uma arma na mão, agradece a Deus como se estivesse prestes a tomar a primeira refeição do dia. Fala em inglês, e por cima dele uma voz-off traduz o que diz. De repente, ele e as duas actrizes que o acompanham (Cláudia Jardim e Patricia da Silva) desaparecem por entre as árvores.

Comédia para adolescentes vira filme de terror

E a acção começa. Uma casa com jacuzzi, um barbecue ao fundo e muitos jovens a divertirem-se numa festa à americana, com música, cervejas e aperitivos, prendem a atenção dos espectadores. Mas aquilo que parecia ser uma comédia romântica típica de adolescentes, transforma-se num filme de Terror. Penim regressa juntamente com as companheiras e dispara contra todos. Apenas um dos jovens é poupado. Enquanto transportam os corpos para a floresta, uma das terroristas ensina um miúdo de 6 anos as artes da guerra. Os nomes e características de cada arma, para que servem e como se manejam, calma e carinhosamente, como uma professora a ensinar um aluno a fazer contas de matemática.

Western Spaghetti à americana?

Apresentado pela companhia como uma recriação de um Western Spaghetti, “Oil ain’t all, JR” mais parece uma recriação de “Bowling for Columbine” de Michael Moore ou uma inspiração no filme de Gus Van Sant “Elephant” sobre o Massacre de Columbine, nos EUA. As técnicas utilizadas nesta peça aparentemente pouco têm a ver com a linguagem utilizada pelos Western italianos dos anos 60 e 70. Falta-lhe o humor, o sarcasmo e a esperteza dos velhos westerns. Os tiros estão lá, é verdade, mas pouco mais que isso poderá identificar-se com o universo dos cowboys. O que ao início nos torna expectantes por mais um espectáculo com um desenrolar inesperado, típico dos Praga, torna-se num discurso enfadonho sobre a história do terrorismo iniciada por um grupo de Judeus – os Zelotas – que comete suícídio em massa, oprimido pelo império romano. E o fim da peça acontece, tal como tinhamos imaginado.



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