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Teatro Rápido | Maio 2014

Parabéns!

Festa é festa! – é este o mote para o mês de Maio, no Teatro Rápido (TR) e que assinala o segundo aniversário deste espaço de microteatro, em Lisboa. O TR convidou algumas das peças mais emblemáticas destes dois anos para regressar à casa que as viu crescer. Até 31 de Maio, venha ver ou rever quatro excelentes peças.

Sala 1 – Onde é que julgas que vais?

Fernanda Neves e João Passos assumem os papeis de prostituta e cliente, respectivamente. O diálogo entre ambos é surpreendentemente profundo: quem diria que no âmbito de uma «simples» prestação de serviço se falasse de amor? O amor, aquilo que todos sabemos o que é, até ao momento em que alguém nos pede para definir.

O texto de Tiago Torres da Silva surpreende-nos pela profundidade das palavras trocadas entre aquela mulher e aquele homem, ambos carregados de solidão e de desejo de a esquecer, a troco de dinheiro, a troco de prazer. Ou de amor?

A cena final é verdadeiramente emocionante e dramática. A interpretação de Fernanda e João assume o seu ponto alto nos minutos finais. É brilhante, ainda que o quarto da prostituta seja tão escuro e o seu olhar tão triste e vazio.

Depois de Pode beijar a noiva (em cena no mês de Janeiro), Tiago Torres da Silva traz-nos uma proposta (in)tensa, cujas palavras ganham força uma vez «vestidas» na pele dos actores.
«Mesmo assim amo-te, porque daqui a 5 minutos já não me lembro de ti».

Horário das sessões: 18h00 | 18h30 | 19h00 | 19h30 | 20h00, de quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto: Tiago Torres da Silva
Interpretação: Fernanda Neves e João Passos
Fotografia: Inês Torres da Silva

SALA 2 – A Camisa, o Vestido e a Janela +info

A partir de três textos de André Murraças, incluídos no livro Peças Amorosas, José Henrique Neto e Eduardo Molina conseguem criar 3 micropeças dentro de uma peça que já é… micro! Eduardo interpreta um monólogo durante o qual assume personagens diferentes, que partilham em comum o facto do amor nunca estar presente hoje. Será que aparece amanhã? Que amor escondem as queimaduras de cigarro presentes naquela camisa preta? Que amor está presente na vida de uma bailarina que gosta de brilhar no escuro? Que amor se vê da minha janela, a partir da qual conheços todos os passos dos meus vizinhos, até daquela rapariga que não pode andar para dizer àquele rapaz que a ama?

Eduardo Molina contagia-nos com a sua interpretação cheia de momentos de humor. A forma como interage com o público é deliciosa e irresistível. Convidamo-lo a entrar na sala 2 para que se possa contagiar, também!

Horário das sessões: 18h05 | 18h35 | 19h05 | 19h35 | 20h05, de quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto: a partir de Peças Amorosas de André Murraças
Dramaturgia: José Henrique Neto e Eduardo Molina
Direção Artística: José Henrique Neto
Interpretação: Eduardo Molina
Design Gráfico: Cláudio Alves
Assistência Técnica: Pedro Faria
Fotografia: João Leal
Produção: Edipoética

Sala 3 – Natália

Natália Correia faria 90 anos no dia 13 de Setembro. Mas está, de certa forma, de regresso, com este projecto de Renato Pino, que coloca Teresa Côrte-Real no papel da Loba. «A gente só nasce quando somos nós que temos as dores»

«Não tenho mau feitio só não tenho o feitio que os outros esperam de mim» – Natália é homenageada no “palco” da sala 3, com a actriz Teresa Côrte-Real a vestir a garra, a ironia, a língua afiada de uma mulher que teve a coragem de… ser mulher e, ainda por cima, nasceu com cérebro.

Para quem tem memórias da poeta e activista, estes 15 minutos são uma viagem ao passado. Para quem não tem registos desta mulher, a peça, escrita por Renato Pino, torna-se numa bela “desculpa” para descobrir quem é(ra) Natália.

A interpretação de Teresa Côrte-Real é notável e faz-nos tomar consciência da actualidade das palavras de Natália, que faleceu há 20 anos.

Horário das sessões: 18h15 | 18h45 | 19h15 | 19h45 | 20h15, de quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto: Renato Pino
Encenação e Interpretação: Renato Pino e Teresa Côrte-Real
Apoio Artístico à Encenação: Carlos Avilez e João Vasco

 

SALA 4 – C10H14N2 +info

Depois de uma passagem pelo TR em Abril deste ano, Rodrigo Saraiva  regressa com o seu primeiro monólogo. O texto e a encenação encontram-se a cargo de Sandra José, que conhecemos do trabalho Não chove de baixo para cima. O cartaz é da autoria do Luís Covas.

Rodrigo veste o papel de um homem, vítima de cancro e de um grande desgosto de amor. E grande é, também, a sua interpretação, que nos toca e emociona. O olhar, os gestos, a «dança» com a luz e a ausência dela: Rodrigo encontra na cenografia o apoio para dar vida a um homem moribundo. É com certeza que afirmamos que esta peça lhe permitirá crescer (ainda) mais como actor.

A peça carimba-nos com a afirmação de que o amor mata. Entrar na sala 1 é o mesmo que comprar um maço de tabaco e ter acesso a uma série de avisos sobre o consumo do tabaco, numa metáfora transposta para o amor. E para a vida, no nosso entendimento.

“Fumar pode matar”. “Provoca morte lenta e dolorosa”. “Provoca envelhecimento prematuro.” Amar pode matar. [Amar] provoca morte lenta e dolorosa. [Amar] provoca envelhecimento prematuro. Viver pode matar. [Viver] provoca morte lenta e dolorosa. [Viver] provoca envelhecimento prematuro.

O homem que encontramos na sala 1 tem no lado esquerdo do peito um cancro, porque o coração, esse, foi partido pela mulher que amou.
Fumar causa elevada dependência, não comece a fumar. Substitua o verbo fumar por viver. Ou amar.

Horário das sessões: 18h20 | 18h50 | 19h20 | 19h50 | 20h25, de quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto e Encenação: Sandra José
Interpretação: Rodrigo Saraiva
Cartaz: Luís Covas
Fotografia: Sibila Lind

 

 

Para mais informações sobre a programação do TR, sugerimos uma visita à sua página de facebook ou ao seu blog

Ao fim de semana, pelas 15h, também há sessões de teatro para os mais pequenos; a Trupilariante Companhia de Teatro Circo regressa com Circo Malaquias.



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