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Teatro Rápido – Novembro 2012

Durante o mês de Novembro, as bruxas, as princesas e os lobos invadem o Teatro Rápido

Sala 1
Sasha Gold – era uma vez um lobo mau disfarçado de capuchinho vermelho

A cena decorre no interior do camarim brilhante onde o glamour, em forma de lantejoulas e plumas, se encontra pendurado em cabides. Luís Matta Lobo (Paulo Nery) visita a diva Sasha Gold (Mané Ribeiro) após mais um dos seus espectáculos. Tal qual o Capuchinho Vermelho que visita a avozinha, Luís leva ofertas na sua “cesta”.

“Sasha Gold” é uma ideia de Susana Vitorino (já a tínhamos encontrado na sala 2, no mês de Setembro) que convidou os actores Paulo Nery e Mané Ribeiro para o elenco. A cenografia é da responsabilidade de Eurico Lopes (o chapeleiro louco da sala 3, durante o mês de Maio, lembram-se?). Paulo e Mané admitem que ainda não tinham visitado o Teatro Rápido, mas que já tinham ouvido falar do conceito através das redes sociais e de colegas de profissão.

Para Mané “o conceito de fazer seis sessões seguidas é por si um desafio; o tempo das seis sessões equivale a uma peça “convencional”. Mas é diferente, tem que se gerir muito bem a energia para aguentar as seis sessões. Cada sessão é uma oportunidade para apurar cada vez mais o nosso trabalho”. Paulo Nery confessa: “o grande desafio para mim, aqui, é funcionar como se fosse uma curta metragem e eu tenho 15 minutos para acelerar as emoções das pessoas. Aqui é “murro no estômago” e já está!”

Paulo Nery não poderia ter dito melhor: “Sasha Gold” encerra o seu “quê” de comédia e tragédia, em poucos minutos. A montanha russa de emoções é rápida e abrupta. “Sasha Gold” apresenta-se como uma boa proposta de teatro que poderá ser acompanhada com um copo de vinho ou um gin (o Teatro Rápido Bar é ali mesmo ao lado!).  Uma história simples que ganha forma e textura com a  entrega das interpretações de Paulo Nery e Mané Ribeiro. A cenografia também merece um olhar atento por parte do espectador.

O camarim de “Sasha Gold” pode ser visitado de quinta a segunda-feira na sala 1 do Teatro Rápido, nos seguintes horários:  18h00/18h25/18h50/19hh15/19h40/20h05. A entrada custa apenas 3 euros.

Sala 2
“A Guerra dos Cisnes”: Uma homenagem ao patinho feio

“Será que as pessoas precisam mesmo de livros, de música, de teatro nas suas vidas? E se vão ver as coisas é porque precisam ou porque simplesmente vão… como quem vai comer um cozido, ou marcar o ponto?” – esta é uma das (muitas) interrogações que podemos encontrar na sala 2, na peça “A Guerra dos Cisnes”.

O texto é da autoria de Vicente Alves do Ó e estava, segundo o próprio, guardado numa gaveta. A vontade de trabalhar com os actores Ricardo Barbosa e Márcia Cardoso fez com que o texto ganhasse vida no Teatro Rápido (TR). Vicente já conhece “os cantos à casa”, pois foi responsável pelo texto “Alice é uma chata e o País das maravilhas é um bluff” , que fez parte do cartaz do mês de Maio do TR. Depois de outra experiência, em Junho com “A Santinha é Linda”, acontece o regresso ao TR. “Queria trabalhar com a Márcia e o Ricardo e fui buscar este título, a guerra dos cisnes”, disse-nos Vicente. “Foi muito fácil montar, trabalhar com eles; a exigência do texto fica mais para o público. É um texto que escrevi para o público, para aquelas pessoas que procuram coisas, coisas pouco divulgados. É uma homenagem ao público”.

“Queremos passar a ideia de que temos que ter alguma esperança, há uma luz ao fundo do túnel. E não podemos perder a imaginação”, diz-nos Ricardo Barbosa. Para Márcia Cardoso “este trabalho põe tudo em causa: nós, os artistas, o mundo, o País. Mas sempre com um voto de confiança e com esperança”.

A esperança é depositada nos “patinhos feios” que, apesar das contrariedades da vida, buscam saber e cultura, que muitas vezes se encontram onde menos se espera. Saber e cultura que estão acessíveis a preços low cost, tal como acontece no TR. A guerra dos cisnes sublinha a importância da imaginação, que é algo que está ao alcance de todos nós e que não custa nada. Imaginar é grátis, basta querer. Na sala 2 a Márcia Cardoso e o Ricardo Barbosa oferecem-nos algumas pistas para voar e imaginar, sejamos nós cisnes ou patinhos feios.

Vicente Alves do Ó, realizador de “Florbela”, assegura também a encenação e Nuno Miranda é responsável pela direcção de arte.

Esta guerra entra em cena na sala 2 do Teatro Rápido, de quinta a segunda, nos seguintes horários: 18h05/ 18h30/ 18h55/ 19h20/ 19h45/ 20h10. O bilhete custa 3 euros.

Sala 3
“Joana Dark”: Come a sopa, Joana

“Nome? Ainda te lembras do teu nome? Joana Dark” – é a proposta da sala 3. Trata-se de uma performance teatral inspirada na figura histórica Joana d’Arc. A Inestética Companhia Teatral apresenta-nos um  texto e encenação de Rita Leite, encontrando-se a interpretação a cargo de Anna Carvalho e Linda Valadas. A música está a cargo de Luís Solnado.

Algures entre a salvação e a carnificina, Joana encontra-se em missão. Salvar o País é o seu desígnio, mas pelo meio há questões, há dúvidas e uma sopa para comer. Durante o processo de concepção deste projecto, Rita confessa que a situação do País não lhe ficou indiferente. “Os ensaios coincidiram com a manifestação do 15 de Setembro e a Joana d’Arc tem uma história de conflitos”. Para Rita, “questionar o bem e o mal foi para nós um ponto de partida interessante”.

Anna e Linda vestem, ambas, o papel de Joana. A performance apresenta-nos uma Joana guerreira e uma Joana absorvida por dúvidas, que não quer mais comer aquela sopa de sempre. O sentido de missão é colocado em causa; o conflito aqui presente é sobretudo interior e cada um de nós pode rever-se naquele diabólico sentimento de quem não sabe que caminho tomar na encruzilhada.

A sala 3 do Teatro Rápido oferece-nos uma “sopa” em que a teatralidade, a música e a coreografia das personagens se sobrepõem à escuridão do cenário. Somos convidados a viajar à infância, onde a Joana tinha que comer a papa, mesmo que não a quisesse nem compreendesse a importância de o fazer. Joana Dark é o novo Come a papa, Joana, come a papa, ao qual acrescenta a capacidade de questionar o que se faz, sem receio dos vincos que teimam em não abandonar os tecidos que engomamos com o sentido de missão de quem está a salvar o seu País.

De quinta a segunda, na sala 3 do Teatro Rápido, “Joana Dark” sobe “ao palco” às 18h15 / 18h40 / 19h05 / 19h30 / 19h55 / 20h20. O bilhete custa 3 euros.

Sala 4
“Once upon a time”: Era uma vez um desgosto de amor

“Once upon a time” é a proposta da sala 4. Quem nunca teve um desgosto de amor? Quem nunca viu o seu coração despedaçado por um “príncipe encantado”? Que fale agora, ou cale-se para sempre. Mas não perca a oportunidade de ver a performance criada, produzida e encenada por Cecilia Laranjeira, Joana Paes de Freitas, Sofia Soares RibeiroStattmiller. Trata-se de um trabalho produzido a quatro, com base nas suas experiências e (des)encontros com sapos e príncipes (des)encantados.

Estas quatro mulheres conheceram-se no mestrado de artes performativas e foi nesse contexto que nasceu o “Once upon a time”. Este projecto é sobre contos de fadas, histórias de amor de princesas que não conhecem finais felizes. O trabalho de interpretação e encenação foi partilhado pela Cecília, pela Joana, pela Sofia e pela Stattmiller e foi durante a construção do projecto que os papéis de cada uma foram definidos.

“Não há nada mais inspirador do que um desgosto de amor”, diz Sofia. “As coisas menos boas marcam-nos muito” diz Stattmiller. O texto não é ficcionado, é composto por palavras sinceras de alguém que passou por isto. “Mas prova que ainda assim conseguimos rir-nos disso, do desgosto de amor”, diz Stattmiller.

Na sala 4 do Teatro Rápido (TR) encontramos um exercício cénico onde encontramos pedaços da vida das quatro mulheres espalhadas pela sala. Encontramos, também, pedaços da nossa vida, dos nossos encontros e desencontros com aquele príncipe que, ao ser beijado, se tornou num sapo.

Para Sofia, o TR constitui-se como um desafio para os actores. Repetir seis sessões por dia, num espaço onde o público está muito próximo de quem interpreta coloca à prova o objectivo de encontrar, em cada performance, a verdade do texto.

“Once upon a time” está em cena, na sala 4 do TR,  de quinta a segunda, com o seguinte horário de sessões: 18h20 /  18h45 /  19h10 / 19h35 / 20h00 / 20h25. O bilhete custa 3 euros.



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