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Tekken 7 | Análise

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Não fosse a nossa mais recente análise a ARMS para a Nintendo Switch e podia jurar que estávamos na década de 90. WipEout a voltar a dar que falar e agora? O lançamento de um novo Tekken. À hora em que vos escrevo esta análise, nos meus tempos de escola, estava agora a sair das aulas e a aceitar o convite do meu amigo Vítor para ir lá a casa experimentar o novo Tekken 3. Como na altura tinha uma Sega Saturn em vez de uma PlayStation ( e não me arrependo!), o convite foi irrecusável. Avizinhavam-se umas belas tardadas com amigos em alegre pancadaria. Por esta altura Jin Kazama era ainda o meu lutador preferido, a série era ainda exclusiva da Sony e estava ainda em constante rivalidade com o igualmente incontornável Virtua Fighter da SEGA. A introdução dos Sidesteps, que nos permitem desviar dos golpes dos adversários, para cima ou para baixo no plano tridimensional dos cenários, conferiu a Tekken uma passada mais rápida e mais envolvente do que a da série rival. Só que mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e a fórmula de Tekken é exemplo disso, uma vez que, lançamento após lançamento, desde que se estreou nas arcadas em 1994, tem sido alvo de um constante aprimoramento. Quem diria que tudo começou contigo, Heihachi, a atirar o teu filho Kazuya de um desfiladeiro abaixo. Foi a melhor decisão de sempre, pois deste início a uma série que é até hoje obrigatória a qualquer fã do género!

Com o passar destes 23 anos a minha vida foi seguindo o seu rumo, mas no que toca a videojogos, Tekken tem sido uma constante. Longe vai o tempo do glorioso Tekken Tag Tournament em que todos os dias (porque os cartões de memória eram caros) desbloqueava as várias personagens do jogo para à noite eu e o meu irmão termos um maior leque de escolha para as nossas disputas diárias. É engraçado reparar no quanto a série continuou a crescer, lado a lado com aqueles que sempre a têm acompanhado. Paralelo à chegada de novas dinâmicas, como por exemplo a introdução de obstáculos em alguns cenários e o encurralar de um adversário (ou do nosso lutador) nas paredes dos mesmos (Tekken 4), lutadores foram envelhecendo à medida que a série foi progredindo, ao passo que outros surgem com um novo aspecto que nos fazem pensar “o que é que se terá passado?” como é o caso de Hwoarang e a sua pala no olho. Para além disso, outras personagens vão saindo para dar lugar a outras novas e, quem sabe, voltar mais tarde. Ou não, para grande tristeza de “alguns” fãs.

Os combates, claro são quem fala mais alto e quem acompanhou todos os jogos até agora, facilmente tem reparado na forma gradual, natural até, como a jogabilidade tem vindo a evoluir a cada lançamento. Contrariamente, para aqueles que saltarem um ou dois lançamentos, quando voltam a pegar na série, as diferenças podem ser dramáticas. Bem sei que é um género completamente diferente, mas se forem fãs de FIFA, devem perceber o que quero dizer. O facto é que, no que toca à jogabilidade, sempre em prol de uma maior fluidez é a componente onde mais se nota a evolução da série e, no que a Tekken 7 diz respeito, significa que surge aqui no seu auge!

Basicamente é Tekken como o conhecemos; de volta estão os 4 botões que controlam os 4 membros dos lutadores (braços e pernas) e a tal acção de combate, tão aprimorada como já mencionei em cima, onde saber defender ou contra-atacar é tão importante como discernir qual o momento certo para investir sobre o adversário, passando assim para a ofensiva. A acção de Tekken favorece o combate corpo-a-corpo, pelo que só raras excepções é que conseguem controlar o campo de batalha com ataques de longa distância. Por isso, um passo em falso e corremos o risco de ficar à mercê de um devastador combo por parte do adversário. Em tempos que já lá vão, isto podia significar a morte do artista mas em Tekken 6 foi introduzido o sistema de Rage que nos confere uma última oportunidade de virar o jogo. Trata-se de um sistema que se activa quando a nossa vida é reduzida a uma determinada percentagem e que aumenta o nosso dano. Seja como for, em Tekken 7 esta mecânica tem mais para dizer.

Com Tekken 7 chegam as Rage Arts, que quando utilizadas consomem a nossa Rage em troco da oportunidade de disferir sobre o nosso adversário uma devastadora combinação de movimentos, com direito a uma cinematic em grande estilo. Paralelo a isto, surgem também as Rage Drives. Movimentos igualmente poderosos, que consomem também a nossa rage, mas que podem ser utilizados como início ou finalização de um devastador combo. Tudo isto para que os combates continuem intensos de início ao fim. Não mais estará ditado o combate, após esta ou aquela sequência, uma vez que os jogadores têm agora ainda mais armas para poderem dar a volta e recuperar. Nunca os combates foram tão aliciantes e o risco tão grande para alcançar a vitória! Mas onde é que podemos experimentar tudo isto?

No que toca a modos de jogo que possam ser desfrutados a solo, convenhamos que Tekken não se esforça em conseguir o mesmo que o exemplo mais recente que é Injustice 2, mostrando claramente que se foca em proporcionar uma experiência para os mais competitivos que, depois de explorarem todo o conteúdo single-player (o pouco que tem para oferecer), terão de procurar online por um desafio à sua altura. Existe um modo Arcade só que, depois de concluído, pela primeira vez na série, não nos confere o tradicional final da personagem que utilizámos. Do impressionante total de 38 lutadores disponíveis, são 10 as novas personagens que Tekken 7 introduz à série e seria de esperar que o modo história cumprisse ao dar-nos um maior contexto sobre elas.

Apesar de extremamente divertido, o modo história peca por, além de ser narrado por um jornalista monocórdico, se focar também exclusivamente na contenda entre os Mishima, nomeadamente Heihachi e Kazuya. Mas tal como disse, e sem vos estragar surpresa nenhuma, apesar de a história por vezes atingir proporções exageradamente épicas, foi para mim extremamente divertido de passar e se realmente oferece contexto a uma das novas personagens, é a Akuma que em Tekken 7 é como se estivesse em sua casa. É impressionante ver os seus movimentos, até agora bidimensionais a serem fielmente reproduzidos em 3D. Escusado será dizer qual é a personagem dominante do modo Online. Já no que toca às restantes personagens, estas poderão apenas contar com um episódio especial; um único confronto que quando superado nos presenteia com uma cinematic. Foi nostálgico ver King a recorrer a movimentos do seu amigo Craig Marduk e Armor King (ambos ausentes nesta nova entrada na série), bem como o encontro entre Yoshimitsu e Leo e gostei de ficar a saber o que aconteceu a Hwoarang. Todos estes momentos são de grande qualidade mas em termos de pertinência, o facto é que muitos ficam a desejar, ao passo que outros nos deixam com vontade de mais. Apesar de não ser perfeito, mostra uma clara inspiração no que a NetherRealm Studios tem vindo fazer com as histórias dos seus jogos e se isto é o prelúdio do que ainda estará por vir em futuras entradas da série, fico esperançoso que também o modo história de Tekken venha a ser alvo da qualidade de aprimoramento de toda a restante fórmula da série!

Além do extenso modo Practice onde poderão praticar os vossos movimentos, a solo, onde irão passar mais tempo será no modo Treasure Battle. Neste modo os combates não acabam e cada vitória pode recompensar-vos com Fight Money (dinheiro que vos permite comprar acessórios ou coleccionáveis) ou até mesmo com itens com os quais poderão personalizar os vossos lutadores preferidos. De facto, tanto como a jogabilidade, também personalizar é a palavra de ordem. A lista de acessórios para os lutadores é gigantesca, e vai desde fatos clássicos a outros completamente mirabolantes, a penteados, paletes de cores e por aí fora. Até o próprio jogo pode ser personalizado. Não gostam do aspecto da vossa barra de vida? Troquem-na por outra. A opções são praticamente infindáveis mas para mim, a cereja no topo do bolo é o facto de podermos alternar a banda sonora a nosso bel prazer. Não gostam das músicas deste novo Tekken, ou de um cenário em particular? Que tal acederem à banda sonora de todos os Tekken anteriores, só é pena que esta seja uma opção exclusiva para a PS4.

Ao chegar pela primeira vez ao PC, Tekken 7 recebe os novos jogadores que chegam desta plataforma celebrando descaradamente os 23 anos da série com uma extensa galeria, onde podemos assistir a todos os vídeos de todos os lançamentos da série, desde finais a introduções destes jogos, e contemplar as mais diversas imagens de arte conceptual. Um pouco como que a dizer: Isto é o que têm andado a perder!

23 anos depois Tekken 7 a minha vida é bem diferente da que que tinha quando jovem. Tekken, lá está, continua uma constante. Os amigos com quem posso partilhar a série são outros, Jin já não é o meu personagem preferido e Tekken recebe uma nova camada de jogadores, ao deixar de ser exclusivo para a PS4 e chegar em toda a sua glória e esplendor ao PC. É Tekken tal como o conhecemos mas com um grafismo superior e uma jogabilidade que atinge neste título o seu auge, mostrando-se super-fluída. 10 novas personagens surgem no lugar de outras que lhes cedem o lugar e apesar do foco continuar a ser a experiência mais competitiva, qualquer fã do género irá encontrar fortes argumentos para despender largas horas a desfrutar deste novo “rei” dos jogos de luta!



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