Telepathique

Entrevista ao duo brasileiro que visita Portugal este mês.

I’m sorry baby…this is my last time on earth…

Os primeiros sons telepáticos do álbum desvendam pouco a pouco a personalidade dos Telepathique. Mas quem são, como são, como soam?

Oriunda de São Paulo, a dupla brasileira é constituída por dois simples ingredientes, o poder sonoro de DJ Periférico e a voz provocante e sensual de Mylene.

DJ Periférico, músico e produtor multifacetado, participou em várias bandas sonoras fazendo também trabalhos para teatro e televisão. Mais recentemente fez parte da banda do músico brasileiro Zeca Baleiro como DJ e baterista, e também da banda de Otto para além de múltiplos projectos paralelos como produtor onde se inclui a banda de hip hop Z’Africa Brasil. Mylene Areal, cantora com raízes cariocas, escritora e apaixonada por Portugal, diz-nos que Madredeus lhe abriu o coração.

Já com os olhos postos em 2006, a banda encontra-se em Portugal para promover o seu primeiro trabalho, “Last Time On Earth”. A sua sonoridade é nova, fresca, o disco está virado para o século XXI e combina tudo o que gostamos de ouvir, sendo do melhor que se faz no panorama electrónico brasileiro neste milénio.

Numa entrevista informal queremos saber…
Quem são, como são, como soam?

RDB: Aterraram em Lisboa há muito pouco tempo? Já tinham estado em Portugal?

DJ Periférico – Eu já tinha estado várias vezes em Portugal. De há três anos para cá eu tenho vindo regularmente com a banda do compositor brasileiro Zeca Baleiro.
Mas a minha primeira viagem a Portugal foi há dez anos atrás, quando viajei com um grupo circense de São Paulo, um conjunto que faz circo com rock and roll. Participámos no FITEI [Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica] e eu tocava bateria.

Mylene – Eu também já tinha estado em Portugal uma vez, mas só de passeio, e foi  uma descoberta para mim! Ter vindo para cá… eu não sei de onde veio, mas eu fiquei com sangue ibérico depois dessa viagem, pois muita coisa da cultura portuguesa entrou dentro do meu universo e, mais tarde, saiu em forma de música e literatura.

RDB: “Last time on earth” foi gravado em São Paulo, que influência teve essa gigante metrópole, onde tudo é frenético, em vocês?

Mylene – Teve uma influência fundamental porque São Paulo tem esse ambiente e é uma cidade muito cosmopolita onde a cena electrónica é super intensa, onde as pessoas consomem muito música electrónica e isso tudo foi o pano de fundo do nosso trabalho.

DJ Periférico – É, tem tudo isso, e é engraçado porque nós começámos a fazer o disco no Carnaval e praticamente concebemos o trabalho em dez dias, numa época em que não se tem muito para fazer na cidade, com todo o mundo fora. Nós nem vimos o Carnaval. Ficámos recolhidos na casa da Mylene durante esse tempo, a gravar.

RDB: A Mylene tem um projecto paralelo de música popular brasileira e já editou um álbum a solo. A sonoridade da MPB influenciou o vosso trabalho?

Mylene – São dois trabalhos bem diferentes pois este projecto Telepathique não tem nada a ver com MPB. Embora essa relação possa existir na medida em que sou eu que escrevo a maior parte das letras dos Telepathique, eu transporto esse sentimento do lirismo da música popular brasileira… a melodia. Mas são dois projectos totalmente diferentes.

RDB: De que é que é feito este trabalho?

Dj Periférico – Eu acho que é um pouco de tudo do que nós gostamos de ouvir. No meu primeiro disco de música electrónica, era muito influenciado por drum and bass e hip hop que são movimentos muito fortes em São Paulo. Este é o meu segundo trabalho depois desse disco, que foi lançado por volta do ano 2000. Desta vez não queria fazer uma coisa tão fechada em dois universos, quis expandir mais porque dessa altura para cá, eu trabalhei com muitos produtores, produzi muito. Ao criar a base deste disco expandi o meu próprio universo. O breakbeat está muito presente mas não sobressai, o electro também.

RDB: Quais os desejos para 2006?

Dj Periférico – Eu espero que este disco tenha o seu próprio sucesso, o reconhecimento que ele merece. E neste momento planeio fazer parcerias com alguns artistas portugueses e do resto da Europa.

Mylene –
Os meus desejos… poder lançar o disco e fazer uma tournée maior do que esta que estamos a fazer agora. Para que possamos expandir a nossa música em Portugal e pela Europa.

Eu quero lançar o meu trabalho a solo em breve. E queremos também montar aqui um projecto que temos no Brasil, que é uma roda de samba com um DJ, uma mistura das músicas mais antigas de música popular brasileira com os beats do Periférico, que se chama SamBop.

RDB: Para quando a edição do álbum em Portugal?

Dj Periférico –
Esperamos que este semestre seja editado, ainda estamos à procura do melhor para nós, está tudo a ser negociado… pensado…



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