Téléphatique

"Last time on Earth" marca a estreia do duo brasileiro. Querem um disco só para vocês?

Escrever sobre os Téléphatique na rua de baixo já tem sido bastante recorrente. Já os entrevistámos, já oferecemos convites para os seus concertos e já divulgámos as suas actuações. Então e que mais falta escrever nestas páginas electrónicas sobre o interessante projecto brasileiro? Em primeiro lugar, que têm o seu disco de originais, “Last Time on Earth” finalmente disponível no mercado nacional. Depois, para acabar em beleza o dossier Téléphatique (por agora), que temos exemplares do disco para oferecer aos nossos maravilhosos leitores. Acham suficiente para continuarem a ler os próximos parágrafos?

A história dos Téléphatique é fácilmente resumível em um parágrafo. Mylene tinha um passado ligado à MPB, DJ Periférico sempre esteve ligado ao panorama electrónico. Conheceram-se num estúdio do Rio de Janeiro, começaram a experimentar algumas sonoridades, concluiram que o projecto tinha “pernas para andar” e formaram os Téléphatique. No Carnaval de 2005, talvez fartos de tanto samba, passaram seis dias em estúdio e gravaram “Last Time on Earth”, disco agora editado através da Music Mob e que contou com a participação do “nosso” José Trigueiros (colaborador da RDB) na co-autoria das letras dos temas.

“Last time on Earth” é claramente um disco elaborado para dançar, mas como alguém costuma dizer, “a música de dança também é para ouvir” e o disco consegue compilar o melhor dos dois “mundos”. Impossível de catalogar, a sonoridade dos Téléphatique mistura uma quantidade enorme de influências que vão desde o electro, breakbeat e acid house, sempre com um “toque” de psicadelismo da música brasileira dos anos 70.

“Last time on Earth” é um disco bilingue, onde o inglês e o português co-habitam em perfeita harmonia. O álbum abre com «Sex drugs and funk n’roll», uma “ode” às favelas do Rio, que musicalmente espelha a enorme diversidade de sonoridades do projecto. Esta é provavelmente uma das faixas mas “interventivas” do disco e coloca o dedo sobre uma ferida impossível de esconder.

Praticamente todo o disco prossegue a mesma linha lançada na faixa de abertura. Electro-rock recheado de pormenores deliciosos que tornam as faixas bastante interessantes. O álbum funciona bastante bem como um “todo”, intercalando de uma forma inteligente, os temas mais “puxados” («Wild», com mais de sete minutos e meio, é um tema obrigatório) com outros bem mais calmos. Liricamente o disco aborda a vida do quotidiano: o amor, a luxúria, a sociedade, as vivências. Neste aspecto, «Eu Gosto» e «Vida Inteira» são duas das mais interessantes passagens deste disco, sendo que a última pisca o olho à MPB e tem a honra de fechar este “Last time on Earth”.

Em suma, o disco de estreia dos Téléphatique pode ser a génese de uma carreira bastante interessante, que poderá passar pela abordagem mais a fundo de algumas sonoridades aqui apresentadas. “Last time on Earth” é bastante recomendável e será de certeza uma boa prenda para quem gosta de “tirar o pé” do chão mas não gosta lá muito da Ivete Sangalo.



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