Television

A new wave nova-iorquina dos anos 70 vem até Lisboa em pleno século XXI.

…Tocam um ritmo ondulante como o oceano. Tocam com uma reacção psicótica furiosa.

Patti Smith

A indefinição na altura era grande. Não se sabia muito bem como catalogar os Television, pelo que o contraste encontrado por Patti Smith é provavelmente a melhor forma de se ficar com uma leve ideia do que eles são. Mas o melhor será mesmo tentar vê-los ao vivo no próximo dia 2 de Setembro na Aula Magna, em Lisboa.

Os Television foram uma das mais criativas e influentes bandas da new wave nova-iorquina da década de 1970. Lançado em Fevereiro de 1977, o seu álbum de estreia, “Marquee Moon”, (apesar de dois anos antes terem editado em nome próprio um álbum – e hoje uma peça de colecção – intitulado “Little Johnny Jewel”), foi apontado pela crítica como um dos mais fascinantes e originais álbuns de estreia de sempre, não conseguindo no entanto cativar a audiência norte-americana.

Grande parte do interesse em volta da banda deve-se a Tom Verlaine. Conhecido por passar “mais tempo sozinho do que o aconselhável”, Verlaine não se misturava com nenhum grupo ou corrente, não tinha telefone e era como que um desconhecido apesar das reacções que a sua música causava.

Nascido em 1949, Verlaine cresceu no estado de Delaware, onde foi forçado a aprender piano. Enquanto criança sonhava com sinfonias e mais tarde aproximou-se do jazz moderno. Felizmente, ouviu «19th Nervous Breakdown” dos Rolling Stones, numa altura em que o rock’n’roll começou a ter impacto na sua formação. Em 1968, muda-se para Nova Iorque e desde então sempre morou na East Village. Escreveu poesia, trabalhou numa loja de livros e formou uma banda em 1971 chamada The Neon Boys, com Verlaine na guitarra, Billy Ficca na bateria e Richard Hell no baixo, mas sem grande visibilidade.

Em 1973, foi visto por Richard Lloyd a tocar guitarra eléctrica a solo. Pouco tempo depois forma-se uma banda com Verlaine e Lloyd a repartirem os solos de guitarra, Richard Hell no baixo e Billy Ficca, entretanto regressado de Boston, na bateria. Segundo Lloyd, decidiram chamar-se Television porque “era algo que estava em todas as casas do Estados Unidos da América. Era (e é) tão inoportuno que se torna discreto.”

O seu concerto de estreia deu-se em Março de 1974 no Townhouse Theater de Nova Iorque. Pouco tempo depois passaram a actuar todos os Domingos no CBGB no Bowery. No ano seguinte, Fred Smith juntou-se ao grupo, fechando assim a formação da banda. Natural de Forest Hills, Fred tinha sido baixista dos Blondie, período no qual já havia partilhado palcos com os Television.

1978 foi o ano de lançamento do segundo álbum da banda, “Adventure”, co-produzido por John Jansen (que havia trabalhado antes com os Supertramp), bem como da sua separação. Em 1992 reuniram-se e lançaram um álbum que, apesar das excelentes críticas, voltou a não ter grande sucesso nas tabelas de vendas norte-americanas, ao contrário do reconhecimento que obteve no Reino Unido, onde entrou na tabela dos dez discos mais vendidos.

Sem nada que o anunciasse, no Verão de 2004 deram uma série de concertos por toda a Europa, incluindo em Portugal, no Prado da Fundação de Serralves. Estão agora de volta em final de Verão para mostrar porque é que, ainda hoje, continuam a influenciar bandas como os The Strokes.

Dia 2 de Setembro, na Aula Magna, em Lisboa.



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