“Tempo de Combate” | Baptista-Bastos

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Onde está o 25 de Abril de 74?

«Onde está o 25 de Abril de 74?» Esta interrogação (postulada aqui, por ligeira alteração semântica) está colada a Baptista-Bastos (BB) de forma profunda, tendo sido iconizada pelo próprio e depois copiada, em forma humorística, numa rábula de Herman José. Assim foi porque BB é um homem do Abril, do Portugal revolucionário, do combate em prol de causas maiores.

Por cá, neste cantinho da Europa, a história recente começa a escrever-se por aí. Pelo tempo de homens que se uniam por um bem comum e não se acobardavam, de forma egoísta, esperando que outros dessem a cara pelas suas lutas. BB é desse tempo. Na sociedade actual, em que somos ensinados a abdicar da coragem e altruísmo, amargam-lhe na boca as palavras e pela caneta destila o fel.

BB é um homem de ideais de esquerda. Nunca o escondeu, mas também nunca se prendeu a uma cor politica nem deixou que isso influenciasse a sua opinião ou lhe calasse a voz. Essa independência foi-lhe causando dissabores, mas é também a imagem de marca do jornalista e escritor. Uma imagem que vai sendo difícil “clonar” nos tempos que correm.

Neste «Tempo de combate» (Edições Parsifal, 2014) faz uma resenha de crónicas, cada uma delas de formato curto (2 a 3 páginas), centrada na crise Europeia e essencialmente na Portuguesa. Nada fica por dizer e ninguém escapa impune: ouve-se a voz do “senhor do café”, do taxista ou da peixeira, tudo compilado na escrita fina e sábia de BB. Lê-se a opinião da experiência de vida de um dos mais conceituados prosadores e jornalistas vivos de Portugal.

Numa altura em que se procura fazer passar a ideia de que o pior da crise já passou, que teve inicio uma espécie de retoma e num ano em que se completam 40 após a data da revolução de Abril, o livro de BB coloca-nos em perspectiva e permite, quanto mais não seja, fechar um ciclo… de forma a que este permaneça na nossa memória.



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